Veículo: Forbes Brasil
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Data: 03/02/2026

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Prévia Operacional Mostra JHSF Decolando Com Catarina e Shoppings

A JHSF encerrou 2025 enviando um recado claro ao mercado. Sua capacidade de gerar caixa já não depende apenas da venda de tijolos. Em relatório divulgado em 29 de janeiro de 2026, os analistas do BTG Pactual destacaram que o brilho do último trimestre do ano da companhia veio, sem dúvida, dos segmentos de renda recorrente.

Esse movimento levou o banco a classificar a prévia operacional como sólida e a reforçar a leitura de um novo momento para a empresa. A análise, feita após a divulgação da prévia operacional da empresa, ressalta a venda histórica de R$ 5,2 bilhões em estoques residenciais, além do avanço de 56% no tráfego aéreo do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional e por uma expansão consistente no segmento de luxo por meio dos shoppings.

Como toda prévia operacional, os dados não devem ser lidos de forma isolada, já que o resultado financeiro consolidado de 2025 deve ser divulgado apenas no final de março. Porém, já apontam indícios sólidos, com o Aeroporto Catarina deixando de ser uma aposta para se consolidar como um ativo dominante dentro do portfólio da JHSF.

O BTG destacou o aeroporto como um dos grandes pontos altos do período, citando crescimento consistente e resultados fortes. Os números ajudam a explicar o entusiasmo. Em dezembro, o Catarina se tornou o aeroporto líder em movimentos da aviação executiva no estado de São Paulo, superando terminais tradicionais.

No acumulado de 2025, os pousos e decolagens dispararam 55,9%, enquanto o volume de abastecimento cresceu 37,6% em relação a 2024. O dado mais revelador, porém, está no perfil da demanda. Os clientes avulsos, aqueles que não possuem hangar fixo, cresceram 60,7% no ano e passaram a representar 63,5% de todo o fluxo.

Esse movimento sinaliza uma demanda reprimida e crescente, o que levou a JHSF a acelerar seus investimentos. Após entregar a quinta expansão em 2025, já totalmente ocupada, a empresa iniciou a sexta expansão, prevista para o primeiro semestre de 2026.

Shoppings funcionam como proteção do luxo

Enquanto o varejo tradicional oscila, a JHSF segue operando em uma dinâmica própria. As vendas consolidadas dos shoppings cresceram 12,5% em 2025, reforçando a resiliência do portfólio. O Shopping Cidade Jardim, principal ativo do grupo, se descolou da média ao registrar alta de 18,8% nas vendas e manter taxa de ocupação de 100%.

A análise do BTG chama atenção para a qualidade desse crescimento. Mesmo com o avanço das vendas, o custo de ocupação para os lojistas caiu para 8,7%, uma redução de 50 pontos base na comparação anual.

Na prática, isso indica que os lojistas estão vendendo mais e pagando aluguéis em níveis saudáveis, o que amplia o poder de barganha da companhia. Esse cenário já se refletiu nos números.

O aluguel das mesmas lojas avançou 11,5% em 2025, acima da inflação, e dá suporte à expansão de 3.500 metros quadrados contratada para 2026.  O projeto prevê a chegada de flagships globais de marcas como Chanel, Dior, Prada e Tiffany & Co., além da conversão da Rolex em flagship para a América Latina.

Engenharia financeira no centro da discussão

O ano de 2025 também marcou a transformação da JHSF Capital. A gestora triplicou de tamanho e encerrou o período com R$ 10,3 bilhões em ativos sob gestão, movimento impulsionado principalmente pela estruturação da venda de R$ 5,2 bilhões em estoques residenciais para um fundo imobiliário.

É nesse ponto que aparece a cautela pontual do BTG. O banco ressalta que os resultados financeiros do quarto trimestre serão altamente dependentes dessa venda de estoque. A expectativa agora é entender, a partir dos números auditados completos, qual será o novo ritmo de resultados recorrentes da companhia após essa operação.

O que vem pela frente

A sustentabilidade da tese passa por três frentes já mapeadas. A primeira é o landbank (estoque de terrenos) robusto, com potencial de vendas de R$ 30 bilhões, que garante fôlego para novos ciclos de incorporação.

A segunda é a expansão das receitas recorrentes, com a inauguração do São Paulo Surf Club, baseado em modelo de membership, e a expansão internacional da marca Fasano, com operações em Nova York e Punta del Este.

A terceira frente é a hospitalidade, que mostrou força ao longo de 2025, com a diária média dos hotéis subindo 10,9%, para R$ 4.368.