{"id":129449,"date":"2026-06-08T09:20:41","date_gmt":"2026-06-08T12:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/?p=129449"},"modified":"2026-06-08T09:20:41","modified_gmt":"2026-06-08T12:20:41","slug":"padarias-e-confeitarias-ganham-75-mil-novos-negocios-em-dois-anos-veja-quem-esta-lucrando-com-a-tendencia-mencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/2026\/06\/08\/padarias-e-confeitarias-ganham-75-mil-novos-negocios-em-dois-anos-veja-quem-esta-lucrando-com-a-tendencia-mencao\/","title":{"rendered":"Padarias e confeitarias ganham 75 mil novos neg\u00f3cios em dois anos; veja quem est\u00e1 lucrando com a tend\u00eancia (Men\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div class=\"col col-md-9 col-xs-12\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"q-card q-card--bordered q-card--flat no-shadow\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"q-card__section q-card__section--vert\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"texto\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"noticia-texto\">Glau Gasparetto<br \/>\nNeg\u00f3cios se reinventam com novos modelos, consumo frequente e presen\u00e7a nas redes sociais<\/p>\n<p>O cheiro de p\u00e3o quentinho e de bolos e tortas rec\u00e9m-assados nunca atraiu tantos para tr\u00e1s dos balc\u00f5es como nos \u00faltimos anos. Entre 2024 e 2025, 75 mil neg\u00f3cios ganharam forma no setor de panifica\u00e7\u00e3o, um crescimento de 26% sobre a fornada anterior, de 59 mil novos , segundo dados levantados pelo Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).<\/p>\n<p>Ao adicionar as confeitarias, somam-se 304 mil estabelecimentos ativos no Brasil, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Panifica\u00e7\u00e3o e Confeitaria (Abip). O cen\u00e1rio \u00e9 dominado pelos microindividuais, que representam 65%, seguidos pelas microempresas, com 30%. O Sudeste concentra o maior n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es (52%), mas o maior avan\u00e7o em faturamento \u00e9 da Regi\u00e3o Norte (16%).<\/p>\n<p>&#8220;Os empres\u00e1rios despertaram para a mudan\u00e7a de perfil das padarias, que se tornaram ponto de encontro e de oferta diversificada de servi\u00e7os&#8221;, pontua Carla Carnevali Gomes, diretora na Abip. Esse movimento reflete a transforma\u00e7\u00e3o delas em hubs aliment\u00edcios, fen\u00f4meno que vem impulsionando a expans\u00e3o do setor. O consumidor recorre \u00e0s facilidades oferecidas, seja para comprar o p\u00e3ozinho do caf\u00e9 matinal, seja para fazer refei\u00e7\u00f5es por quilo no almo\u00e7o ou compartilhar uma pizza com os amigos \u00e0 noite.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o perfil do cliente p\u00f3s-pandemia, que busca resolver m\u00faltiplas ocasi\u00f5es de consumo em um \u00fanico lugar. As padarias cumprem esse papel por serem espa\u00e7os democr\u00e1ticos e de conveni\u00eancia no bairro, o que estimula a frequ\u00eancia di\u00e1ria&#8221;, opina Simone Galante, fundadora e CEO da consultoria Galunion.<\/p>\n<p>Formatos de nicho, como padarias focadas em fermenta\u00e7\u00e3o natural ou confeitarias veganas, ganham espa\u00e7o. &#8220;Cerca de 10% a 15% do mercado atual \u00e9 segmentado em propostas especializadas, ainda que o n\u00famero varie conforme a regi\u00e3o&#8221;, aponta Cristina Souza, CEO e cofundadora da consultoria Tanjerin.<\/p>\n<p>Nos grandes centros, esse percentual \u00e9 ligeiramente maior, o que demonstra como consumidores mais exigentes ou com restri\u00e7\u00f5es alimentares espec\u00edficas impulsionam a oferta e a inova\u00e7\u00e3o no setor. O cliente, inclusive, est\u00e1 disposto a pagar mais por itens que dialogam com a saudabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;A personaliza\u00e7\u00e3o aumenta o t\u00edquete m\u00e9dio. Um item de ocasi\u00e3o costuma ser mais caro que um produzido em larga escala, ent\u00e3o ajuda a impulsionar as vendas e reduz o risco de estoque, gra\u00e7as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o mais controlada&#8221;, diz Jane Blandina, analista de competitividade do Sebrae.<\/p>\n<p>Entre cliques e pedidos No ambiente digital, acompanhar tend\u00eancias popularizadas nas redes sociais &#8211; como o estrondoso morango do amor &#8211; pode ser uma estrat\u00e9gia para conquistar p\u00fablico e ampliar vendas, mas tamb\u00e9m se revelar uma armadilha quando a equipe n\u00e3o est\u00e1 preparada para absorver picos de demanda ou quando o timing das modas passageiras se perde.<\/p>\n<p>Se as plataformas disparam o consumo a ponto de impactar as finan\u00e7as, \u00e9 em servi\u00e7os como Instagram e TikTok que os devem mirar. &#8220;Isso porque elas ajudam a atrair clientes com um investimento muito baixo&#8221;, observa Helena Andrade, analista de neg\u00f3cios do Sebrae.<\/p>\n<p>Assim como a digitaliza\u00e7\u00e3o, o delivery virou ingrediente obrigat\u00f3rio e pode representar at\u00e9 30% do faturamento. Ignorar as duas frentes \u00e9 perder a chance de performar melhor.<\/p>\n<p>Mas nem tudo \u00e9 doce no setor. H\u00e1 um problema generalizado que afeta empresas de diferentes portes: a falta de m\u00e3o de obra. De norte a sul do pa\u00eds, gestores e propriet\u00e1rios reclamam da situa\u00e7\u00e3o. De acordo com a Abip, existe um d\u00e9ficit estimado de 160 mil postos de trabalho, sobretudo nas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o, atendimento e gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Afeto como ingrediente Por tr\u00e1s do aroma dos p\u00e3es de fermenta\u00e7\u00e3o natural assando e do caf\u00e9 coado na hora numa rua calma da Vila Romana, Zona Oeste de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 a mineira Carla Santos, 58 anos. Depois de duas d\u00e9cadas no mercado publicit\u00e1rio, onde chegou ao cargo de diretora de produ\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00f5es, ela trocou o mundo corporativo pelo balc\u00e3o e a prosa desapressada que sempre rola na Ca com F\u00e9 &#8211; Padaria Artesanal.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2018, quando decidiu investir R$ 400 mil das economias acumuladas como celetista para criar, ao lado de uma s\u00f3cia especialista em panifica\u00e7\u00e3o, um projeto inicialmente voltado ao B2B e com outro nome. O plano original era atender apenas empresas, estrat\u00e9gia que se manteve por quase dois anos, at\u00e9 que a vizinhan\u00e7a, atra\u00edda pelo cheiro dos p\u00e3es, passou a bater na porta e o neg\u00f3cio se abriu para o varejo.<\/p>\n<p>Veio ent\u00e3o a pandemia e, com ela, uma ruptura societ\u00e1ria que a deixou sem a parceira respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o. Entre desistir do projeto ou assumir o comando da cozinha, ela escolheu seguir em frente. &#8220;Tive de sexta a segunda-feira para garantir que a opera\u00e7\u00e3o continuasse a funcionar&#8221;, lembra. Nesse intervalo, buscou um aporte de R$ 150 mil com um investidor para reformar a casa, que at\u00e9 ent\u00e3o servia apenas \u00e0 panifica\u00e7\u00e3o, e abrir as portas de vez ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos cursos intensivos de gest\u00e3o aos quais se submeteu assim que decidiu empreender, ela conseguiu manter os processos criados, com equipe calibrada, sem perder a alma mineira de anfitri\u00e3. O resultado foi imediato: o faturamento saltou de R$ 20 mil para R$ 100 mil logo no primeiro m\u00eas ap\u00f3s a abertura do sal\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de atendimento.<\/p>\n<p>Hoje, o empreendimento se consolidou como ponto de encontro no bairro e como opera\u00e7\u00e3o voltada ao consumidor final, e caminha para faturar R$ 2,1 milh\u00f5es neste ano, cerca de 20% acima do resultado de 2025. Em janeiro deste ano, foram quase 13 mil itens vendidos &#8211; na conta entram 1,8 mil p\u00e3es r\u00fasticos, mil cookies tradicionais, mil p\u00e3es de queijo e 1,2 mil caf\u00e9s coados. Nada leva conservantes e aditivos, seguindo o estilo de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel que a dona adota no dia a dia.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, Santos det\u00e9m 100% da empresa, ap\u00f3s comprar a parte do investidor. Hoje com 14 colaboradores, a empreendedora n\u00e3o tem definido se quer expandir a opera\u00e7\u00e3o para novas unidades, com receio de perder o fator afetivo que faz parte da sua cultura. Por enquanto, a estrat\u00e9gia \u00e9 fortalecer o delivery (em fase inicial nos aplicativos de entrega) e aumentar a produ\u00e7\u00e3o em hor\u00e1rios ociosos para retomar, tamb\u00e9m, o atendimento ao seu p\u00fablico inicial, o B2B.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 da manh\u00e3 premiado Quem j\u00e1 provou as del\u00edcias da chef Paula Prandini que abastecem as cinco unidades do Emp\u00f3rio Jardim dificilmente imagina que o diploma de p\u00e2tissi\u00e8re s\u00f3 foi obtido no ano passado, na prestigiada Le Cordon Bleu. Nem que a paulista de 44 anos, radicada no Rio de Janeiro desde a inf\u00e2ncia, \u00e9 a respons\u00e1vel por garantir que a frase &#8220;o programa do carioca \u00e9 n\u00e3o t\u00ea-lo&#8221;, atribu\u00edda ao compositor Vinicius de Moraes, fosse cumprida \u00e0 risca.<\/p>\n<p>Ela instituiu o conceito de servir caf\u00e9 da manh\u00e3 em qualquer hor\u00e1rio do dia no empreendimento que nasceu em 2014, em sociedade com as amigas Branca Lee, 48, e Iona Rothstein, 41.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, coleciona pr\u00eamios de revistas especializadas de melhor desjejum da capital fluminense e at\u00e9 do Brasil, com a oferta de mais de cem itens artesanais que o cliente pode escolher \u00e0 vontade e v\u00e3o da banana amassada com aveia e mel, do jeitinho que a m\u00e3e de Prandini servia nas refei\u00e7\u00f5es matinais, \u00e0 ampla sess\u00e3o de preparos com ovos &#8211; mensalmente, saem 4 mil por\u00e7\u00f5es de mexidos e 3 mil benedicts.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, s\u00e3o servidos 25 mil caf\u00e9s da manh\u00e3 por m\u00eas em suas casas &#8211; a matriz, numa pacata rua sem sa\u00edda do Jardim Bot\u00e2nico; a sempre lotada loja de Ipanema (e respons\u00e1vel pelo maior faturamento); a concorrida opera\u00e7\u00e3o na Casa Firjan, em Botafogo (o maior fluxo, incluindo fila de espera de at\u00e9 duas horas nos fins de semana); e as mais recentes aberturas, no Leblon e na Barra da Tijuca, ambas em vers\u00f5es menores e dentro de centros de compras. &#8220;Nunca achei que o Emp\u00f3rio combinasse com shoppings, seus hor\u00e1rios, suas pra\u00e7as de alimenta\u00e7\u00e3o, mas recebemos dois convites ao mesmo tempo e decidimos aceitar. Eu queria testar uma vers\u00e3o menor, que fosse replic\u00e1vel&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O faturamento de R$ 35 milh\u00f5es em 2025, com previs\u00e3o de R$ 42 milh\u00f5es para este ano, pode ser melhorado na vis\u00e3o de Prandini, que \u00e9 CEO da rede. Por isso, no fim do ano passado, a empreendedora mergulhou em cursos de gest\u00e3o, estrat\u00e9gia e governan\u00e7a para fazer crescer a empresa de 150 funcion\u00e1rios que ela comanda, incluindo o t\u00edquete m\u00e9dio de R$ 85 registrado em todas as unidades.<\/p>\n<p>Neta de cozinheiros de origem espanhola e italiana, a chef &#8211; que sonhava ser nutricionista e atriz, mas se formou em engenharia de alimentos e trocou os palcos pelas cozinhas &#8211; foi mentorada por dois especialistas que a acompanham desde o in\u00edcio da carreira, Ci\u00e7a Roxo e Roland Villard. Eles foram fundamentais em momentos da sua jornada, que incluiu estudos na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia e passagens por endere\u00e7os como os sofisticados Kotobuki e Le Pr\u00e9 Catelan (hoje fechado), o afetivo Gula Gula e o gastrobar Stuzzi, tamb\u00e9m extinto, do qual foi s\u00f3cia por dez anos.<\/p>\n<p>Doces sem r\u00f3tulos Nutricionista de forma\u00e7\u00e3o, Renata Baldin, 38 anos, transformou o conhecimento cl\u00ednico e a heran\u00e7a afetiva das receitas de fam\u00edlia em uma marca pr\u00f3pria, a Cacau Vanilla, que fatura na casa dos R$ 2 milh\u00f5es com uma opera\u00e7\u00e3o h\u00edbrida de f\u00e1brica e varejo alimentar em S\u00e3o Paulo. Seu principal objetivo, por\u00e9m, vai al\u00e9m do resultado financeiro: seu objetivo \u00e9 desmistificar a confeitaria saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ela conta que cresceu vendo a av\u00f3, a m\u00e3e e a tia prepararem sobremesas e salgados para vender. Desde cedo, colocava a m\u00e3o na massa, h\u00e1bito que se fortaleceu ao longo dos anos, at\u00e9 ser incentivada por amigos a produzir e comercializar as pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es. O primeiro passo foram as trufas funcionais, feitas com ingredientes como chia, biomassa de banana-verde e leite de arroz, vendidas no local de trabalho e para pacientes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um desligamento coletivo em 2014, usou a rescis\u00e3o trabalhista de R$ 25 mil para estruturar a produ\u00e7\u00e3o em casa. No ano seguinte, obteve R$ 150 mil do Programa Nacional de Apoio \u00e0s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), alugou um espa\u00e7o maior e investiu o mesmo valor como aporte privado.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, cuidava de praticamente tudo: produ\u00e7\u00e3o, compras, entregas e limpeza. Aos poucos, ampliou a estrutura e a carteira de clientes em feiras e eventos, at\u00e9 conquistar contratos fixos com restaurantes, caf\u00e9s e buf\u00eas &#8211; hoje, cerca de 20 permanecem ativos.<\/p>\n<p>A pandemia impulsionou o neg\u00f3cio. A Cacau Vanilla ganhou f\u00f4lego com o delivery e chegou a contratar seis funcion\u00e1rios para atender \u00e0s encomendas. Em 2021, mudou-se para a Vila Romana (Zona Oeste) e, no ano seguinte, enfrentou um per\u00edodo financeiro dif\u00edcil, marcado pela perda de clientes B2B e pelos empr\u00e9stimos assumidos.<\/p>\n<p>A retomada veio quando surgiu a oportunidade de ocupar um im\u00f3vel em Pinheiros (Zona Oeste), bairro onde sempre sonhou ter uma loja. Recorreu novamente ao Pronampe (R$ 150 mil) e investiu mais R$ 300 mil de capital de giro privado. Abriu as portas sem destacar que a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada em insumos vegetais, com itens sem gl\u00faten e sem l\u00e1cteos. &#8220;Entendemos que divulgar uma confeitaria vegana mais afasta que atrai. Nossa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito sutil, pois queremos que as pessoas entrem, olhem a vitrine linda com sobremesas que a gente come com os olhos e se abram para experimentar e perceber que s\u00e3o t\u00e3o saborosas quanto as tradicionais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Hoje, a produ\u00e7\u00e3o mensal inclui cerca de 300 tortas (banana e lim\u00e3o lideram as vendas), 300 brownies, 50 kg de brigadeiro, 15 kg de trufas e at\u00e9 50 bolos, divididos entre encomendas e balc\u00e3o. O t\u00edquete m\u00e9dio \u00e9 de R$ 70 na loja e de R$ 300 na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em 2024, impactado pela alta do cacau e por desafios de gest\u00e3o de pessoas, o faturamento foi de R$ 2,1 milh\u00f5es, 30% a menos que no primeiro ano de atividades. Para este ano, projeta recuperar o ritmo e alcan\u00e7ar R$ 2,8 milh\u00f5es, buscando um s\u00f3cio para acelerar a expans\u00e3o da confeitaria e viabilizar a entrada no franchising, modelo j\u00e1 estruturado.<\/p>\n<p>Engenharia na cozinha Em Rondon\u00f3polis (MT), onde os term\u00f4metros facilmente superam os 40 \u00b0C, a maioria das confeiteiras corre contra o rel\u00f3gio para que o chantili n\u00e3o derreta enquanto finalizam a decora\u00e7\u00e3o de um bolo. Karla Layara, 37 anos, decidiu que n\u00e3o aceitaria mais essa limita\u00e7\u00e3o. No comando da Mel Bolos Confeitaria Criativa, uniu a forma\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o em engenharia agr\u00edcola para transformar o hobby de preparar sobremesas em profiss\u00e3o e desenvolver, em laborat\u00f3rio, uma cobertura capaz de resistir por mais tempo fora da geladeira &#8211; uma solu\u00e7\u00e3o que promete ser a salva\u00e7\u00e3o para profissionais que trabalham em regi\u00f5es de clima quente.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria empreendedora come\u00e7ou em 2018, em um momento de vulnerabilidade. Ap\u00f3s trocar a carreira est\u00e1vel e o sal\u00e1rio alto pelo sonho de cursar uma segunda faculdade, foi diagnosticada com ansiedade e depress\u00e3o. Por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, buscou uma atividade terap\u00eautica e encontrou um caminho na confeitaria. Vieram primeiro os bolos de pote, inicialmente feitos para a fam\u00edlia e, depois, levados para venda na faculdade. As encomendas come\u00e7aram a surgir e passaram a complementar a renda. O que teve in\u00edcio com um investimento de R$ 50 evoluiu para um neg\u00f3cio que se tornou refer\u00eancia em confeitaria criativa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com suas receitas, ela n\u00e3o entrega apenas a\u00e7\u00facar e confeitos: aplica conhecimentos de engenharia para desenvolver efeitos especiais que transformam as sobremesas em experi\u00eancias visuais. Esse encontro de saberes deu origem ao seu maior trunfo: a cobertura 40 graus. Ap\u00f3s dezenas de testes, a chef chegou a um produto est\u00e1vel, de base cremosa, que dispensa ar-condicionado e resiste ao transporte. Para comprovar a efic\u00e1cia, levou um bolo de Mato Grosso ao Rio de Janeiro. O doce enfrentou voos cancelados e permaneceu 30 horas fora da geladeira, chegando ao destino com apar\u00eancia intacta.<\/p>\n<p>Sozinha em suas produ\u00e7\u00f5es, \u00e9 ela quem prepara tudo o que vende e ainda arranja tempo para criar conte\u00fado para plataformas digitais. Inspirada numa influencer australiana, Layara fez um bolo com cem camadas de chantininho, que viralizou em pouco tempo e alcan\u00e7a duas dezenas de milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es nas redes sociais at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Com o faturamento de R$ 60 mil em 2025, projeta chegar aos R$ 80 mil neste ano. O salto ser\u00e1 impulsionado por sua nova faceta, a de professora. Com aulas online, vai ensinar seus segredos a confeiteiras de todo o Brasil, inclusive repassando a receita eficiente contra o calor e suas t\u00e9cnicas para a nova aposta: as fatias festivas, que s\u00e3o peda\u00e7os individuais de bolo, decorados integralmente.<\/p>\n<p>As duas filhas, hoje com 13 e 15 anos, ainda eram pequenas quando ela come\u00e7ou a se aventurar na confeitaria. Nesse intervalo, o neg\u00f3cio atravessou diferentes fases e card\u00e1pios: vieram os bolos de pote, os cupcakes e os bent\u00f4 cakes, at\u00e9 chegar ao formato atual. A empreendedora segue trabalhando no ateli\u00ea montado em casa e n\u00e3o pretende abrir um espa\u00e7o fixo com atendimento no balc\u00e3o &#8211; encontrou nesse modelo de produ\u00e7\u00e3o a forma de conciliar autonomia, criatividade e rotina.<\/p>\n<p>Sabor da resist\u00eancia Na paraense Bel\u00e9m, terra do a\u00e7a\u00ed e do tacac\u00e1, a bacharel em direito Petra Marron, 31 anos, decidiu trilhar um caminho de resist\u00eancia e sabor. \u00c0 frente da Padaria Verderosa, ela lidera o estabelecimento 100% vegano e tenta reescrever as regras do mercado que ainda \u00e9 cheio de rejei\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Vegetariana desde os 15 anos, ela cresceu entre as barracas de feiras org\u00e2nicas, auxiliando o pai, produtor de mel. A experi\u00eancia moldou seus h\u00e1bitos e a aproximou da cozinha: a escassez de op\u00e7\u00f5es sem ingredientes de origem animal, especialmente no segmento de panifica\u00e7\u00e3o, transformou-se em oportunidade de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Entre 2012 e 2018, conta que equilibrou a faculdade com a produ\u00e7\u00e3o artesanal de p\u00e3es e biscoitos. Ao se formar, a decis\u00e3o foi irrevers\u00edvel: trocou a carreira que n\u00e3o lhe atra\u00eda tanto pelo forno e fog\u00e3o. Nascia ali a Verderosa, inicialmente focada em delivery e feiras alternativas.<\/p>\n<p>O salto para o ponto f\u00edsico, em 2023, foi impulsionado pelos pr\u00f3prios clientes, quando a empreendedora criou um evento mensal de brunch vegano. Havia reformado o espa\u00e7o alugado para elaborar seus pratos e adquirido algumas mesas e cadeiras, pensando no evento. Com a estrutura dispon\u00edvel, n\u00e3o havia desculpa para n\u00e3o se aventurar no dia a dia. &#8220;Foi press\u00e3o da clientela e fui me adaptando&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Com um investimento inicial de R$ 48 mil para profissionalizar a cozinha e o mesmo valor em aportes para a reforma, o neg\u00f3cio hoje opera em um espa\u00e7o de 210 m\u00b2.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o mensal \u00e9 de 160 p\u00e3es, 160 bolos, 280 salgados, 190 bebidas e 270 refei\u00e7\u00f5es. As op\u00e7\u00f5es de almo\u00e7o entraram no card\u00e1pio durante a pandemia, primeiro como marmitas congeladas em combos com bolo e p\u00e3o, e depois se tornaram pratos fixos da casa.<\/p>\n<p>No caixa, isso representa um t\u00edquete m\u00e9dio de R$ 76 e um faturamento de R$ 516 mil em 2025. At\u00e9 dezembro, pretende alcan\u00e7ar R$ 570 mil em receita. O maior desafio, al\u00e9m de equipe capacitada, \u00e9 furar a bolha vegana.<\/p>\n<p>A chef luta contra o preconceito de quem associa o veganismo a algo sem sabor e se recusa a experimentar os pratos. Seus carros-chefe, o tomate recheado com manjeric\u00e3o e o bolo de chocolate, provam o contr\u00e1rio, mas ainda enfrentam a resist\u00eancia de novos clientes.<\/p>\n<p>Tanto que, para o futuro, Marron sonha com a Escola Verderosa, onde quer promover a emancipa\u00e7\u00e3o alimentar por meio da culin\u00e1ria vegetal. Comandando a cozinha e a gest\u00e3o das redes sociais da empresa, ela det\u00e9m 50% do neg\u00f3cio, na sociedade com Maeve Vilasboas, 33, dona de 10% e respons\u00e1vel pelas \u00e1reas administrativa e financeira, e a s\u00f3cia-investidora Beatriz Saraiva, 24.<\/p>\n<p>Vitrine francesa<\/p>\n<p>Quinze anos atr\u00e1s, Mariana Gorski, 46 anos, convenceu a cunhada, Daniela Gorski, 54, a investir em um neg\u00f3cio juntas. Ela queria empreender depois de anos no marketing corporativo. A futura s\u00f3cia, nutricionista, atuava no setor de alimentos no Shopping Morumbi, Zona Sul de S\u00e3o Paulo. O restaurante onde trabalhava estava prestes a fechar, mas o que realmente chamou a aten\u00e7\u00e3o das duas foi a cozinha industrial, que produzia doces com vendas est\u00e1veis. As propriet\u00e1rias moravam fora do estado e estavam dispostas a repassar a opera\u00e7\u00e3o. Assim nasceu a Dama, confeitaria e p\u00e2tisserie com sete lojas pr\u00f3prias na capital paulista.<\/p>\n<p>A dupla passou a abastecer restaurantes, emp\u00f3rios e buf\u00eas com doces finos franceses, na mesma pegada do card\u00e1pio atual. Embora elas se especializassem no exterior, frequentassem cursos e acompanhassem tend\u00eancias, no primeiro bi\u00eanio a empresa manteve foco exclusivo na clientela jur\u00eddica, o que teve um pre\u00e7o. Em todas as negocia\u00e7\u00f5es, precisavam ceder \u00e0s exig\u00eancias dos contratantes, com descontos extras, prazos de pagamento longos e outras condi\u00e7\u00f5es. Ficou claro que n\u00e3o haveria sustentabilidade financeira se o neg\u00f3cio permanecesse restrito a esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Um passo importante, lento e planejado foi a constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em Pinheiros (Zona Oeste), que custou R$ 600 mil de investimentos pr\u00f3prios &#8211; elas j\u00e1 haviam desembolsado R$ 150 mil no in\u00edcio do neg\u00f3cio. O espa\u00e7o era maior e previa uma \u00e1rea para atendimento ao p\u00fablico. A aposta deu resultado e, dois anos depois, em 2011, marcava o in\u00edcio de uma nova fase da marca.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, as s\u00f3cias aproveitaram as oportunidades que surgiram pelo caminho. Em 2013, inauguraram a segunda unidade da confeitaria em Higien\u00f3polis (fechada quatro anos depois). Na sequ\u00eancia, veio o convite para abrir a primeira das quatro lojas em shoppings premium da cidade &#8211;\u00a0<span id=\"CHAVE_19459\" title=\"19459\/11 | 798825\">JK Iguatemi<\/span>\u00a0(2017), na Zona Sul;\u00a0<span id=\"CHAVE_19492\" title=\"19492\/8 | 798819\">Iguatemi<\/span>\u00a0(2018) e Villa Lobos, na Zona Oeste; e\u00a0<span id=\"CHAVE_19540\" title=\"19540\/18 | 798837\">P\u00e1tio Higien\u00f3polis<\/span>\u00a0(2019), na Zona Central. Depois ainda vieram a store-in-store no US3 Hair Salon (2021), nos Jardins, na Zona Oeste, e, no ano passado, no Einstein Hospital Israelita Morumbi, na Zona Sul.<\/p>\n<p>A guinada no p\u00fablico-alvo mostrou-se certeira. Atualmente, apenas 10% do faturamento vem da clientela jur\u00eddica. No ano passado, os n\u00fameros alcan\u00e7aram a casa dos R$ 40 milh\u00f5es, e a proje\u00e7\u00e3o para 2026 \u00e9 de uma receita total de R$ 48 milh\u00f5es. O crescimento esperado est\u00e1 atrelado \u00e0 reforma da loja matriz e flagship, \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os em shoppings e \u00e0 mudan\u00e7a da unidade\u00a0<span id=\"CHAVE_20122\" title=\"20122\/8 | 798819\">Iguatemi<\/span>\u00a0para o rooftop do empreendimento, prevista para o fim do ano. Mariana e Daniela sonham em ter outra unidade de rua, mas ainda n\u00e3o encontraram o lugar que fizesse os olhos brilharem.<\/p>\n<p>Algo \u00e9 certo: o DNA da confeitaria Dama jamais sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es. O card\u00e1pio de vitrine, com cerca de 20 op\u00e7\u00f5es de doces, costuma ganhar novos itens nas datas comemorativas mais fortes (Natal e Dia das M\u00e3es) e em eventos anuais, como o Festival de Mil Folhas, que acontece h\u00e1 dez anos, com cria\u00e7\u00f5es diferenciadas do carro-chefe da casa. Essas a\u00e7\u00f5es ajudam a sustentar o t\u00edquete m\u00e9dio de R$ 55 nas lojas f\u00edsicas e influenciam o valor de R$ 415 das encomendas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col col-md-3 col-xs-12\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"q-mb-md q-card q-card--bordered q-card--flat no-shadow\" data-v-52358132=\"\" data-v-0af2995a=\"\">\n<div class=\"q-card__section q-card__section--vert\" data-v-52358132=\"\">\n<div class=\"card-title\" data-v-52358132=\"\">DETALHES<\/div>\n<div class=\"item\" data-v-52358132=\"\"><span class=\"item-titulo\" data-v-52358132=\"\">Assunto:<\/span>\u00a0JK Iguatemi<\/div>\n<div class=\"item\" data-v-52358132=\"\"><span class=\"item-titulo\" data-v-52358132=\"\">M\u00eddia:<\/span>\u00a0Online<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"q-mt-md\" data-v-ef18e462=\"\" data-v-0af2995a=\"\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De l\u00e1 para c\u00e1, as s\u00f3cias aproveitaram as oportunidades que surgiram pelo caminho. 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