{"id":128411,"date":"2026-05-12T08:52:02","date_gmt":"2026-05-12T11:52:02","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/?p=128411"},"modified":"2026-05-12T08:52:02","modified_gmt":"2026-05-12T11:52:02","slug":"alem-da-panamericana-vila-no-tatuape-pode-ser-destombada-11-05-2026-cotidiano-mencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/2026\/05\/12\/alem-da-panamericana-vila-no-tatuape-pode-ser-destombada-11-05-2026-cotidiano-mencao\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m da Panamericana: Vila no Tatuap\u00e9 pode ser destombada &#8211; 11\/05\/2026 &#8211; Cotidiano (men\u00e7\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div class=\"col col-md-9 col-xs-12\" data-v-fcae744c=\"\">\n<div class=\"q-card q-card--bordered q-card--flat no-shadow\" data-v-fcae744c=\"\">\n<div class=\"q-card__section q-card__section--vert\" data-v-fcae744c=\"\">\n<div class=\"texto\" data-v-fcae744c=\"\">\n<div class=\"noticia-texto\">Com a pol\u00eamica decis\u00e3o sobre o &#8220;destombamento&#8221; da Escola Panamericana adiada e sem nova data oficial, o Conpresp (conselho municipal de patrim\u00f4nio cultural) deve deliberar nesta segunda-feira (11) se vai revogar outro reconhecimento de um bem hist\u00f3rico da cidade de S\u00e3o Paulo: o da vila Jo\u00e3o Migliari, no Tatuap\u00e9, na zona leste. O conjunto chamou a aten\u00e7\u00e3o em 2019, ap\u00f3s ter sido quase totalmente demolido em meio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de uma parte dos antigos inquilinos e de outros apoiadores. O tombamento da vila \u00e9 contestado pelos herdeiros do primeiro propriet\u00e1rio &#8211; Bruno Lembi, morto em 2015, aos 97 anos- , por meio da Voga Empreendimentos. A fam\u00edlia chegou a contratar um arquiteto em 2019 para evitar o reconhecimento, mas n\u00e3o conseguiu, com decis\u00e3o final do Conpresp em 2023. A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 que o conjunto ficou descaracterizado ap\u00f3s as demoli\u00e7\u00f5es e n\u00e3o teria valor cultural t\u00e3o significativo. A empresa foi procurada pela Folha, mas n\u00e3o quis comentar sobre o caso. O recurso aberto pela Voga chegou a ser debatido em reuni\u00e3o do Conpresp em mar\u00e7o de 2025, mas foi retirado de pauta ap\u00f3s um dos integrantes pedir vista. Outra conselheira, representante da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, chegou a apresentar proposta de destombamento da vila, com o argumento baseado na demoli\u00e7\u00e3o de 55 das 60 casas. A decis\u00e3o do Conpresp tamb\u00e9m avaliar\u00e1 parecer elaborado em novembro de 2024 por t\u00e9cnica do Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, da prefeitura. O relat\u00f3rio indica a continuidade do tombamento e o fim da &#8220;\u00e1rea envolt\u00f3ria&#8221;, que restringe constru\u00e7\u00f5es no entorno imediato a at\u00e9 oito metros de altura. Hoje, um estacionamento funciona no local, enquanto um supermercado foi constru\u00eddo na esquina oposta. Os cinco sobrados remanescentes da vila seguem esvaziados e com ares de abandono. Antes cafeteria, sal\u00e3o e outros tipos de servi\u00e7o, foram majoritariamente esvaziados para a demoli\u00e7\u00e3o de 2019 &#8211; exceto a barbearia-bar do inquilino que barrou a derrubada na Justi\u00e7a, que deixou o espa\u00e7o em 2020, na pandemia. A vila foi constru\u00edda nos anos 1950 pelo empres\u00e1rio Bruno Lembi. Era caracterizada pelos sobrados em cor salm\u00e3o, geminados de cinco em cinco, com quintal nos fundos e muros baixos. O tombamento definitivo foi aprovado em 2023, com cinco votos favor\u00e1veis, um contr\u00e1rio e duas absten\u00e7\u00f5es. No estudo que embasou a delibera\u00e7\u00e3o, \u00e9 destacado que mantinha grande parte das caracter\u00edsticas originais &#8211; diferentemente de outras vilas, alteradas ao longo das d\u00e9cadas conforme s\u00e3o vendidas pelos donos originais. Autor do pedido de tombamento sugere liberar pr\u00e9dios perto da vila Autor do pedido de tombamento, o arquiteto e urbanista Lucas Chiconi critica o estado dos sobrados, que estavam em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o at\u00e9 2019. &#8220;\u00c9 uma estrat\u00e9gia para fazer com que pessoas do bairro enxerguem o tombamento como algo ruim. Mas n\u00e3o foi o tombamento que fez isso: quem fez foi o propriet\u00e1rio&#8221;, diz. Chiconi apoia, contudo, a revoga\u00e7\u00e3o da \u00e1rea envolt\u00f3ria da vila, como uma alternativa para tentar salv\u00e1-la. Ele considera que, mesmo com novos pr\u00e9dios no entorno, as caracter\u00edsticas da constru\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o em uma esquina movimentada a manteriam em destaque. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o das casas com a rua estaria preservada. Seria bom para todo mundo&#8221;, analisa. Como exemplo, o palacete do\u00a0<span id=\"CHAVE_3292\" title=\"3292\/21 | 798837\">shopping Higien\u00f3polis<\/span>, no centro, e a Casa das Rosas, na avenida Paulista, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es tombadas incorporadas a novos empreendimentos. Sobre a vota\u00e7\u00e3o no Conpresp, Chiconi considera que eventuais destombamentos da vila e da Escola Panamericana podem dar in\u00edcio a uma onda de decis\u00f5es semelhantes. &#8220;Se isso acontecer, n\u00e3o ser\u00e1 apenas com os sobrados. Est\u00e1 virando moda pedir destombamento&#8221;, argumenta ele, que \u00e9 integrante da Comiss\u00e3o de Direito Urban\u00edstico e do N\u00facleo de Patrim\u00f4nio do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil). A Folha procurou a Secretaria Municipal de Cultura, que confirmou a vota\u00e7\u00e3o sobre a vila nesta segunda e afirmou que a delibera\u00e7\u00e3o a respeito da Panamericana n\u00e3o tem data marcada. A pasta n\u00e3o comentou, contudo, as tentativas de destombamentos e cr\u00edticas ao conselho &#8211; formado majoritariamente por representantes da prefeitura, parte deles sem forma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas ligadas ao patrim\u00f4nio cultural. J\u00e1 o ex-inquilino da vila e tamb\u00e9m arquiteto e urbanista Carlos Vaz tem apresentado uma proposta para o espa\u00e7o a vizinhos. Ele defende a transforma\u00e7\u00e3o de parte dos sobrados no Centro Bruno Lembi, um observat\u00f3rio do patrim\u00f4nio cultural da zona leste, inclusive da mem\u00f3ria das vilas. Ele aponta que \u00e9 necess\u00e1rio voltar a dar uso aos sobrados e restaur\u00e1-los. &#8220;No momento, se encontram em estado de abandono, que, se permanecer por mais algum tempo, levar\u00e1 ao colapso das estruturas e, por consequ\u00eancia, \u00e0 inevit\u00e1vel queda&#8221;, avalia. Assim como Chiconi, Vaz tamb\u00e9m diz n\u00e3o ser contr\u00e1rio \u00e0 intensa verticaliza\u00e7\u00e3o do Tatuap\u00e9. Ressalta, por\u00e9m, que a vila tem um papel de preservar um peda\u00e7o do passado do bairro.<br \/>\nCom a pol\u00eamica decis\u00e3o sobre o &#8220;destombamento&#8221; da Escola Panamericana adiada e sem nova data oficial, o Conpresp (conselho municipal de patrim\u00f4nio cultural) deve deliberar nesta segunda-feira (11) se vai revogar outro reconhecimento de um bem hist\u00f3rico da cidade de S\u00e3o Paulo: o da vila Jo\u00e3o Migliari, no Tatuap\u00e9, na zona leste.O conjunto chamou a aten\u00e7\u00e3o em 2019, ap\u00f3s ter sido quase totalmente demolido em meio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de uma parte dos antigos inquilinos e de outros apoiadores.<\/p>\n<p>O tombamento da vila \u00e9 contestado pelos herdeiros do primeiro propriet\u00e1rio &#8211; Bruno Lembi, morto em 2015, aos 97 anos- , por meio da Voga Empreendimentos. A fam\u00edlia chegou a contratar um arquiteto em 2019 para evitar o reconhecimento, mas n\u00e3o conseguiu, com decis\u00e3o final do Conpresp em 2023.<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o \u00e9 que o conjunto ficou descaracterizado ap\u00f3s as demoli\u00e7\u00f5es e n\u00e3o teria valor cultural t\u00e3o significativo. A empresa foi procurada pela Folha, mas n\u00e3o quis comentar sobre o caso.<\/p>\n<p>O recurso aberto pela Voga chegou a ser debatido em reuni\u00e3o do Conpresp em mar\u00e7o de 2025, mas foi retirado de pauta ap\u00f3s um dos integrantes pedir vista. Outra conselheira, representante da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, chegou a apresentar proposta de destombamento da vila, com o argumento baseado na demoli\u00e7\u00e3o de 55 das 60 casas.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Conpresp tamb\u00e9m avaliar\u00e1 parecer elaborado em novembro de 2024 por t\u00e9cnica do Departamento do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, da prefeitura. O relat\u00f3rio indica a continuidade do tombamento e o fim da &#8220;\u00e1rea envolt\u00f3ria&#8221;, que restringe constru\u00e7\u00f5es no entorno imediato a at\u00e9 oito metros de altura. Hoje, um estacionamento funciona no local, enquanto um supermercado foi constru\u00eddo na esquina oposta.<\/p>\n<p>Os cinco sobrados remanescentes da vila seguem esvaziados e com ares de abandono. Antes cafeteria, sal\u00e3o e outros tipos de servi\u00e7o, foram majoritariamente esvaziados para a demoli\u00e7\u00e3o de 2019 &#8211; exceto a barbearia-bar do inquilino que barrou a derrubada na Justi\u00e7a, que deixou o espa\u00e7o em 2020, na pandemia.<\/p>\n<p>A vila foi constru\u00edda nos anos 1950 pelo empres\u00e1rio Bruno Lembi. Era caracterizada pelos sobrados em cor salm\u00e3o, geminados de cinco em cinco, com quintal nos fundos e muros baixos.<\/p>\n<p>O tombamento definitivo foi aprovado em 2023, com cinco votos favor\u00e1veis, um contr\u00e1rio e duas absten\u00e7\u00f5es. No estudo que embasou a delibera\u00e7\u00e3o, \u00e9 destacado que mantinha grande parte das caracter\u00edsticas originais &#8211; diferentemente de outras vilas, alteradas ao longo das d\u00e9cadas conforme s\u00e3o vendidas pelos donos originais.<\/p>\n<p>Autor do pedido de tombamento sugere liberar pr\u00e9dios perto da vila<\/p>\n<p>Autor do pedido de tombamento, o arquiteto e urbanista Lucas Chiconi critica o estado dos sobrados, que estavam em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o at\u00e9 2019. &#8220;\u00c9 uma estrat\u00e9gia para fazer com que pessoas do bairro enxerguem o tombamento como algo ruim. Mas n\u00e3o foi o tombamento que fez isso: quem fez foi o propriet\u00e1rio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Chiconi apoia, contudo, a revoga\u00e7\u00e3o da \u00e1rea envolt\u00f3ria da vila, como uma alternativa para tentar salv\u00e1-la. Ele considera que, mesmo com novos pr\u00e9dios no entorno, as caracter\u00edsticas da constru\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o em uma esquina movimentada a manteriam em destaque.<\/p>\n<p>&#8220;A rela\u00e7\u00e3o das casas com a rua estaria preservada. Seria bom para todo mundo&#8221;, analisa. Como exemplo, o palacete do\u00a0<span id=\"CHAVE_8227\" title=\"8227\/21 | 798837\">shopping Higien\u00f3polis<\/span>, no centro, e a Casa das Rosas, na avenida Paulista, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es tombadas incorporadas a novos empreendimentos.<\/p>\n<p>Sobre a vota\u00e7\u00e3o no Conpresp, Chiconi considera que eventuais destombamentos da vila e da Escola Panamericana podem dar in\u00edcio a uma onda de decis\u00f5es semelhantes. &#8220;Se isso acontecer, n\u00e3o ser\u00e1 apenas com os sobrados. Est\u00e1 virando moda pedir destombamento&#8221;, argumenta ele, que \u00e9 integrante da Comiss\u00e3o de Direito Urban\u00edstico e do N\u00facleo de Patrim\u00f4nio do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil).<\/p>\n<p>A Folha procurou a Secretaria Municipal de Cultura, que confirmou a vota\u00e7\u00e3o sobre a vila nesta segunda e afirmou que a delibera\u00e7\u00e3o a respeito da Panamericana n\u00e3o tem data marcada. A pasta n\u00e3o comentou, contudo, as tentativas de destombamentos e cr\u00edticas ao conselho &#8211; formado majoritariamente por representantes da prefeitura, parte deles sem forma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas ligadas ao patrim\u00f4nio cultural.<\/p>\n<p>J\u00e1 o ex-inquilino da vila e tamb\u00e9m arquiteto e urbanista Carlos Vaz tem apresentado uma proposta para o espa\u00e7o a vizinhos. Ele defende a transforma\u00e7\u00e3o de parte dos sobrados no Centro Bruno Lembi, um observat\u00f3rio do patrim\u00f4nio cultural da zona leste, inclusive da mem\u00f3ria das vilas.<\/p>\n<p>Ele aponta que \u00e9 necess\u00e1rio voltar a dar uso aos sobrados e restaur\u00e1-los. &#8220;No momento, se encontram em estado de abandono, que, se permanecer por mais algum tempo, levar\u00e1 ao colapso das estruturas e, por consequ\u00eancia, \u00e0 inevit\u00e1vel queda&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Assim como Chiconi, Vaz tamb\u00e9m diz n\u00e3o ser contr\u00e1rio \u00e0 intensa verticaliza\u00e7\u00e3o do Tatuap\u00e9. 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