{"id":127002,"date":"2026-04-09T09:27:59","date_gmt":"2026-04-09T12:27:59","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/?p=127002"},"modified":"2026-04-09T09:27:59","modified_gmt":"2026-04-09T12:27:59","slug":"o-consumidor-do-futuro-ja-se-faz-presente-no-varejo-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/2026\/04\/09\/o-consumidor-do-futuro-ja-se-faz-presente-no-varejo-de-hoje\/","title":{"rendered":"O consumidor do futuro j\u00e1 se faz presente no varejo de hoje"},"content":{"rendered":"<p>O que vejo nas proje\u00e7\u00f5es mais recentes sobre consumo, \u00e9 que o futuro n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo a partir de oposi\u00e7\u00f5es, mas de integra\u00e7\u00f5es. A WGSN resume bem essa mudan\u00e7a ao apontar 2027 como o ano do \u201ce\/e\u201d, e n\u00e3o mais do \u201cou\/ou\u201d: online e offline, tecnologia e humanidade, conveni\u00eancia e emo\u00e7\u00e3o passam a coexistir de forma integrada.<\/p>\n<p>No varejo, essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma previs\u00e3o distante. Ela j\u00e1 est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, marcas e empresas organizaram suas estrat\u00e9gias em torno de escolhas bin\u00e1rias. O f\u00edsico ou o digital. O branding ou a performance. A automa\u00e7\u00e3o ou o atendimento humano. Mas o comportamento do consumidor j\u00e1 deixou claro que essa l\u00f3gica n\u00e3o se sustenta mais. As pessoas n\u00e3o vivem a jornada em compartimentos e nem querem isso das marcas.<\/p>\n<p>Na pesquisa de omnicanalidade da Wake, vimos que 61,6% dos consumidores usam mais de um canal em uma compra e que seis em cada dez sempre pesquisam em diferentes canais antes de decidir. Esse dado j\u00e1 mostra uma ruptura importante: o consumidor brasileiro n\u00e3o compra de forma linear, e nem enxerga o varejo a partir das estruturas das empresas. Ele descobre um produto nas redes sociais, compara em buscadores, consulta avalia\u00e7\u00f5es em marketplaces, visita uma loja f\u00edsica e conclui a compra no canal que fizer mais sentido naquele momento. Para ele, a experi\u00eancia \u00e9 uma s\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por isso que a vis\u00e3o da sobre a coexist\u00eancia de polaridades faz tanto sentido para marketing e varejo. O consumidor do futuro \u2014 ou, melhor dizendo, o consumidor do presente \u2014 n\u00e3o quer escolher entre praticidade e v\u00ednculo, entre agilidade e confian\u00e7a, entre tecnologia e acolhimento. Ele quer uma experi\u00eancia que combine todos esses elementos de forma fluida. E esse talvez seja o maior desafio das marcas hoje, conectar todos os canais de maneira coerente.<\/p>\n<p>Quando essa integra\u00e7\u00e3o falha, o impacto aparece rapidamente. A mesma pesquisa da Wake mostra que 28,9% afirmam j\u00e1 ter deixado de encontrar um produto sabendo que ele existia em outro canal por diversas vezes. Em termos pr\u00e1ticos, indica que boa parte do varejo ainda opera com fronteiras que o consumidor j\u00e1 n\u00e3o reconhece. E, quando isso acontece, a fric\u00e7\u00e3o deixa de ser um problema de bastidor para se tornar uma quebra concreta de expectativa.<\/p>\n<p>Hoje, ela \u00e9 muito mais do que isso, tornou-se uma expectativa b\u00e1sica. Estar presente em v\u00e1rios pontos de contato j\u00e1 n\u00e3o basta, o consumidor n\u00e3o mede maturidade pela quantidade de canais que uma marca opera, mas pela capacidade de fazer com que eles funcionem como partes de uma mesma experi\u00eancia. \u00c9 nesse contexto que entra uma discuss\u00e3o que considero central para o varejo daqui para frente: a interse\u00e7\u00e3o entre omnicanalidade e o unified commerce.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a omnicanalidade foi o movimento que ensinou o varejo a estar em diferentes canais, o unified commerce representa a etapa seguinte: fazer com que esses canais deixem de operar em paralelo e passem a funcionar de forma realmente conectada. Na pr\u00e1tica, significa unificar dados, estoque, pedidos, hist\u00f3rico de relacionamento, promo\u00e7\u00f5es, atendimento e regras de neg\u00f3cio para que a marca seja percebida como uma s\u00f3, independentemente do ponto de contato.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a pode parecer t\u00e9cnica, mas seu efeito \u00e9 unicamente estrat\u00e9gico. O desafio do varejo hoje n\u00e3o \u00e9 sobre abrir novos canais, mas em alinhar todos eles. Trata-se de garantir que o produto visto na rede social esteja dispon\u00edvel no site, que a oferta seja coerente entre ambientes, que o estoque reflita a realidade da opera\u00e7\u00e3o, que o atendimento reconhe\u00e7a o hist\u00f3rico daquele cliente, permitindo a continuidade da jornada de onde ela parou.<\/p>\n<p>Ao tratar de unified commerce, falamos da infraestrutura que permite essa continuidade. \u00c9 o modelo que aproxima marketing, opera\u00e7\u00e3o, log\u00edstica, tecnologia e CRM em torno de uma mesma vis\u00e3o de cliente e de neg\u00f3cio. E isso faz diferen\u00e7a porque a experi\u00eancia do consumidor n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda por \u00e1reas isoladas.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o tamb\u00e9m muda o papel do marketing no varejo. Em um ambiente unificado, o marketing passa a influenciar de maneira mais direta a qualidade da experi\u00eancia. Com dados integrados, \u00e9 poss\u00edvel entender melhor o comportamento do consumidor, personalizar intera\u00e7\u00f5es com mais contexto, reduzir fric\u00e7\u00f5es na jornada e criar campanhas mais conectadas \u00e0 realidade da opera\u00e7\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o deixa de ser uma camada isolada e passa a dialogar com disponibilidade, hist\u00f3rico, prefer\u00eancia e inten\u00e7\u00e3o de compra em tempo real.<\/p>\n<p>Esse movimento \u00e9 especialmente relevante em um cen\u00e1rio em que diferencia\u00e7\u00e3o ficou mais dif\u00edcil. Se poucas marcas conseguem, de fato, se distinguir, como aponta a WGSN, a vantagem competitiva passa menos pelo discurso e mais pela capacidade de entregar coer\u00eancia. O consumidor pode at\u00e9 ser atra\u00eddo por uma campanha criativa, mas a confian\u00e7a se consolida quando a experi\u00eancia confirma a promessa. E essa confirma\u00e7\u00e3o depende, cada vez mais, de uma base integrada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por isso o unified commerce n\u00e3o deve ser entendido apenas como evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Ele \u00e9 uma resposta de neg\u00f3cio a um consumidor que j\u00e1 opera na l\u00f3gica do \u201ce\/e\u201d. Um consumidor que n\u00e3o separa online e offline.<\/p>\n<p>No fim, essa \u00e9 a nova fronteira do varejo. A omnicanalidade abriu o caminho ao mostrar que era preciso estar onde o consumidor est\u00e1. O unified commerce aprofunda essa vis\u00e3o ao reconhecer que n\u00e3o basta estar presente, \u00e9 preciso conectar todos os elementos que sustentam a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O consumidor do futuro, na pr\u00e1tica, j\u00e1 est\u00e1 entre n\u00f3s. E as marcas que entenderem que a pr\u00f3xima etapa da omnicanalidade ser\u00e1 a unifica\u00e7\u00e3o ter\u00e3o mais capacidade de transformar complexidade operacional em experi\u00eancia simples, e presen\u00e7a em prefer\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que vejo nas proje\u00e7\u00f5es mais recentes sobre consumo, \u00e9 que o futuro n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo a partir de oposi\u00e7\u00f5es, mas de integra\u00e7\u00f5es. 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