{"id":118864,"date":"2025-09-18T08:17:29","date_gmt":"2025-09-18T11:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/?p=118864"},"modified":"2025-09-18T08:17:29","modified_gmt":"2025-09-18T11:17:29","slug":"2o-tri-mostra-eficiencia-mas-juros-altos-ainda-prejudicam-varejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/2025\/09\/18\/2o-tri-mostra-eficiencia-mas-juros-altos-ainda-prejudicam-varejo\/","title":{"rendered":"2\u00ba tri mostra efici\u00eancia, mas juros altos ainda prejudicam varejo"},"content":{"rendered":"<p>2\u00ba trimestre de 2025 apresentou resultados que merecem ser lidos com lupa. Mostram que h\u00e1, sim, avan\u00e7os na gest\u00e3o, na efici\u00eancia operacional e at\u00e9 mesmo na produ\u00e7\u00e3o de valor. Contudo, a sombra dos juros altos continua a pairar sobre o setor, consumindo uma fatia importante dos resultados do esfor\u00e7o empresarial.<\/p>\n<p>Se por um lado a opera\u00e7\u00e3o prova resili\u00eancia, por outro, a pol\u00edtica monet\u00e1ria ainda representa um freio nos neg\u00f3cios. O cen\u00e1rio \u00e9 de um setor que j\u00e1 aprendeu a se reinventar em ambiente adverso, mas que n\u00e3o consegue escapar de um custo financeiro que sabota seu crescimento, com impactos em toda economia nacional.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a receita cresceu e se elevou o grau de efici\u00eancia. No consolidado do 2\u00ba trimestre deste ano, as receitas alcan\u00e7aram R$ 141,1 milh\u00f5es, alta de 6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre de 2024. Trata-se de crescimento moderado, mas relevante, sobretudo diante da conjuntura, marcada por taxas de cr\u00e9dito elevadas e press\u00e3o sobre a renda das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o n\u00e3o se restringe ao faturamento bruto. O valor adicionado bruto tamb\u00e9m subiu, atingindo R$ 38,7 milh\u00f5es, o que representa 27,4% da receita, contra 26,7% registrado 1 ano antes. Esse movimento n\u00e3o ocorre por acaso: reflete melhor controle de custos e maior disciplina na gest\u00e3o de insumos.<\/p>\n<p>Os insumos adquiridos de terceiros, que em 2024 representavam 67,5% da receita, ca\u00edram para 63,8% neste trimestre. Em outras palavras: as empresas est\u00e3o conseguindo produzir mais valor com menos depend\u00eancia externa, seja pela negocia\u00e7\u00e3o com fornecedores, seja pela otimiza\u00e7\u00e3o de processos log\u00edsticos e operacionais.<\/p>\n<p>Essa evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 trivial. Ela mostra que o setor est\u00e1 consciente da necessidade de capturar efici\u00eancia interna para sobreviver em um ambiente em que o cr\u00e9dito caro ainda limita a demanda. \u00c9, de certo modo, a prova de que o varejo brasileiro aprendeu a andar com mais disciplina.<\/p>\n<p>Mas se h\u00e1 boas not\u00edcias no campo operacional, o mesmo n\u00e3o se pode dizer da esfera financeira. As despesas com juros cresceram e representaram 4,8% da receita no 2\u00ba trimestre de 2025, contra 3,9% no 2\u00ba trimestre de 2024. Isso equivale a um salto de quase 50% em s\u00f3 1 ano.<\/p>\n<p>No agregado, a remunera\u00e7\u00e3o de capitais de terceiros chegou a 5,7% da receita, acima do patamar do ano passado. Esse movimento revela uma contradi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de administrar. O setor melhora sua performance operacional, mas v\u00ea parte desse ganho ser neutralizado pelo custo do dinheiro.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o esfor\u00e7o para criar valor encontra uma barreira que n\u00e3o depende apenas da gest\u00e3o empresarial, mas da pol\u00edtica monet\u00e1ria do pa\u00eds. O problema se agrava quando se observa que a receita financeira n\u00e3o cresceu na mesma propor\u00e7\u00e3o. Sem um colch\u00e3o capaz de compensar o avan\u00e7o do custo da d\u00edvida, o resultado l\u00edquido acaba pressionado. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual, mesmo com vendas maiores e efici\u00eancia superior, o setor ainda sente dificuldade em transformar ganhos operacionais em lucro l\u00edquido consistente.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, um ponto a ser celebrado: a remunera\u00e7\u00e3o de capitais pr\u00f3prios voltou a terreno positivo. Em 2024, esse indicador havia sido praticamente nulo (0,1% da receita). Agora, no 2\u00ba trimestre, alcan\u00e7ou 1,5% da receita, sinalizando que o esfor\u00e7o operacional n\u00e3o foi em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse resultado \u00e9 importante porque mostra que, mesmo em cen\u00e1rio adverso, ainda \u00e9 poss\u00edvel produzir retorno ao acionista. Ao mesmo tempo, revela a dimens\u00e3o da oportunidade perdida: com juros mais baixos, esse percentual poderia ser muito maior, impulsionando investimentos e expans\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso destacar que o impacto dos juros n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo. Grandes companhias, com acesso a mercados de capitais e instrumentos de hedge, conseguem mitigar parte da press\u00e3o. Mas pequenas e m\u00e9dias empresas, dependentes do cr\u00e9dito banc\u00e1rio tradicional, sofrem de maneira desproporcional. No varejo de menor porte, no qual as margens j\u00e1 s\u00e3o naturalmente mais estreitas, o custo financeiro pode significar a diferen\u00e7a entre manter opera\u00e7\u00f5es ou encerrar atividades.<\/p>\n<p>Essa assimetria acaba por concentrar ainda mais o mercado, beneficiando grandes redes em detrimento de players regionais e locais. Quando falamos, portanto, que os juros travam o setor, n\u00e3o se trata s\u00f3 de uma an\u00e1lise macroecon\u00f4mica. \u00c9 tamb\u00e9m um diagn\u00f3stico de sobreviv\u00eancia empresarial, que diz respeito \u00e0 diversidade de competidores.<\/p>\n<h3>A LEITURA EM PERSPECTIVA HIST\u00d3RICA<\/h3>\n<p>Comparar os resultados de 2025 com trimestres anteriores ajuda a contextualizar a an\u00e1lise. No 2\u00ba trimestre de 2022, os juros consumiam 6,3% da receita. Em 2023, esse n\u00famero havia recuado para 5,4% e, em 2024, para 3,9%. Agora, em 2025, voltamos a 4,8%. O ciclo mostra que houve avan\u00e7os, mas tamb\u00e9m retrocessos. A trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o do custo financeiro n\u00e3o foi linear. E esse vaiv\u00e9m compromete a previsibilidade necess\u00e1ria para que empresas planejem investimentos de m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que pretende retomar o crescimento sustent\u00e1vel n\u00e3o pode conviver com tamanha volatilidade na rela\u00e7\u00e3o entre juros e atividade. Se a cada trimestre o custo do dinheiro sobe e desce, a consequ\u00eancia \u00e9 a mesma: posterga\u00e7\u00e3o de investimentos, cautela nas contrata\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o.<\/p>\n<p>O debate n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico apenas. Est\u00e1 em jogo o futuro da economia brasileira. O varejo \u00e9 um dos principais empregadores do pa\u00eds e depende diretamente do cr\u00e9dito para girar estoques e estimular o consumo. Quando o custo financeiro consome uma fatia relevante da receita, o efeito n\u00e3o se restringe aos balan\u00e7os: repercute no n\u00edvel de atividade, na cria\u00e7\u00e3o de empregos e na arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Se o setor n\u00e3o consegue investir e crescer, o impacto recai sobre toda a economia. A consequ\u00eancia \u00e9 um c\u00edrculo vicioso: menos consumo, menos investimento, menos crescimento e, por fim, mais dificuldade para reduzir juros de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O 2\u00ba trimestre deste ano refor\u00e7a a urg\u00eancia de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria que olhe al\u00e9m da infla\u00e7\u00e3o corrente. N\u00e3o se trata de ignorar a import\u00e2ncia do controle de pre\u00e7os, mas de reconhecer que juros estruturalmente altos corroem a capacidade produtiva do pa\u00eds. O varejo mostrou, neste trimestre, que est\u00e1 disposto e preparado para fazer sua parte: controlou custos, elevou a produtividade e conseguiu expandir o valor adicionado. Mas n\u00e3o pode continuar pagando um ped\u00e1gio financeiro que esvazia esse esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Se o objetivo \u00e9 retomar o crescimento sustent\u00e1vel, a redu\u00e7\u00e3o consistente do custo do cr\u00e9dito precisa estar no centro da agenda econ\u00f4mica. S\u00f3 assim os ganhos de efici\u00eancia do setor se transformar\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o de valor, investimento e expans\u00e3o.<\/p>\n<h3>DE OLHO NOS N\u00daMEROS<\/h3>\n<p>Vale utilizar a mesma lupa para analisar o gr\u00e1fico abaixo e perceber a rela\u00e7\u00e3o entre consumo e taxa de juros.<\/p>\n<p>De 2015 a 2016, o consumo despenca (-4,3% e -6,2%), com Selic elevada (13%\u201314%), evidenciando a correla\u00e7\u00e3o negativa. De 2017 a 2019, com Selic em queda (14%\u20136%), o consumo volta a crescer moderadamente (2% a 2,3%). Em 2020, temos a m\u00ednima hist\u00f3rica da Selic (2%), mas o consumo se revela fraco (1,2%), claramente como resultado da pandemia.<\/p>\n<p>Em 2021 e 2023, a Selic sobe rapidamente, at\u00e9 13,75%, e o consumo desacelera (1,0%\u20131,7%). Em 2024, a Selic come\u00e7a a cair, e o consumo dispara (+4,7%). Em 2025, conforme a proje\u00e7\u00e3o, a Selic volta a subir (~14,5%) e a expectativa \u00e9 que o consumo desacelere (1,7% \u20132%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2\u00ba trimestre de 2025 apresentou resultados que merecem ser lidos com lupa. Mostram que h\u00e1, sim, avan\u00e7os na gest\u00e3o, na efici\u00eancia operacional e at\u00e9 mesmo na produ\u00e7\u00e3o de valor. 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