{"id":117414,"date":"2025-08-11T09:01:35","date_gmt":"2025-08-11T12:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/?p=117414"},"modified":"2025-08-11T09:01:35","modified_gmt":"2025-08-11T12:01:35","slug":"tarifaco-eleva-temor-de-superavit-comercial-ainda-menor-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/2025\/08\/11\/tarifaco-eleva-temor-de-superavit-comercial-ainda-menor-em-2025\/","title":{"rendered":"Tarifa\u00e7o eleva temor de super\u00e1vit comercial ainda menor em 2025"},"content":{"rendered":"<p>As tarifas de importa\u00e7\u00e3o americanas mais pesadas contra o Brasil, ainda que com uma lista de exce\u00e7\u00f5es, s\u00e3o fator adicional que pode contribuir para reduzir o resultado j\u00e1 mais achatado esperado para a balan\u00e7a comercial brasileira em 2025, avaliam economistas. As tarifas mais pesadas estabelecidas por Donald Trump, em vigor desde o dia 7 de agosto, vieram ap\u00f3s um primeiro semestre em que o saldo comercial perdeu for\u00e7a, sob impacto de cota\u00e7\u00f5es mais baixas de commodities exportadas pelo Brasil e importa\u00e7\u00f5es acima da expectativa.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia pode ser um resultado comercial que deve dar ajuda bem mais modesta para o setor externo este ano, em compara\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos dois anos, avaliam economistas e representantes ligados ao setor exportador. Divulgado pela Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex\/Mdic), o saldo do com\u00e9rcio internacional do Brasil \u00e9 ponto de partida para o Banco Central para os ajustes do resultado da balan\u00e7a comercial que integra as transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos. Ao menos parte dos economistas projeta d\u00e9ficit maior em conta corrente em raz\u00e3o da menor ajuda do resultado comercial este ano. Para alguns, o quadro das transa\u00e7\u00f5es correntes gera certo \u201cdesconforto\u201d, embora n\u00e3o seja alarmante.<\/p>\n<p>O governo prev\u00ea que o super\u00e1vit neste ano ser\u00e1 de US$ 50,4 bilh\u00f5es, uma das estimativas mais baixas entre as apuradas pelo Valor &#8211; a Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB) prev\u00ea US$ 49 bilh\u00f5es. Um pouco mais otimista, a proje\u00e7\u00e3o atual da XP \u00e9 de US$ 52,3 bilh\u00f5es. Na outra ponta, a consultoria Tend\u00eancias mant\u00e9m super\u00e1vit de US$ 67,4 bilh\u00f5es, com vi\u00e9s baixista e sujeito a nova revis\u00e3o. A proje\u00e7\u00e3o da consultoria \u00e9 mais pr\u00f3xima da mediana das expectativas de mercado divulgadas no relat\u00f3rio Focus (US$ 65,3 bilh\u00f5es). No in\u00edcio do ano, o mercado, segundo o Focus, via um saldo de positivo pr\u00f3ximo a US$ 76 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Trump anunciou em abril, dentro das chamadas tarifas rec\u00edprocas, eleva\u00e7\u00e3o em 10% para importa\u00e7\u00f5es originadas de boa parte dos parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Em 9 de julho, Trump anunciou tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. Em carta publicada em rede social destinada ao presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a tarifa mais gravosa foi atribu\u00edda por Trump a processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 30 de julho saiu o decreto de Trump estabelecendo exce\u00e7\u00e3o para cerca de 700 itens na aplica\u00e7\u00e3o da tarifa de 50%, que entrou vigor no dia 7.<\/p>\n<p>Antes do an\u00fancio da tarifa de 50% de Trump, o governo divulgou, em 4 de julho, a nova estimativa para o super\u00e1vit de 2025, que caiu de US$ 70,2 bilh\u00f5es para US$ 50,4 bilh\u00f5es. A Secex revisa a proje\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas meses. Caso se realize, o saldo comercial deve cair \u00e0 metade, praticamente, em dois anos. Em 2023 o super\u00e1vit foi de US$ 98,9 bilh\u00f5es, pico hist\u00f3rico, seguido de U$$ 74,2 bilh\u00f5es em 2024, o segundo melhor resultado da s\u00e9rie oficial.<\/p>\n<p>J\u00e1 considerando o efeito das novas tarifas americanas, a AEB calcula atualmente super\u00e1vit de US$ 49 bilh\u00f5es em 2025, diz Jos\u00e9 Augusto de Castro, presidente da entidade. No in\u00edcio do ano a proje\u00e7\u00e3o era de US$ 93 bilh\u00f5es. O valor estimado caiu gradativamente no decorrer do primeiro semestre do ano, dado o desempenho das exporta\u00e7\u00f5es e principalmente das fortes importa\u00e7\u00f5es. Ele frisa, por\u00e9m, que h\u00e1 expectativa de que parte das tarifas ainda seja negociada entre Brasil e EUA.<\/p>\n<p>Livio Ribeiro, s\u00f3cio da BRCG e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Ibre), diz que sua m\u00e9dia de proje\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit comercial durante o primeiro semestre ficou em torno de US$ 75 bilh\u00f5es. O saldo m\u00e1ximo projetado no decorrer do per\u00edodo chegou a US$ 81 bilh\u00f5es. Atualmente sua proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de saldo de US$ 64 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O impacto do tarifa\u00e7o de Trump para este ano no super\u00e1vit, diz Ribeiro, \u00e9 estimado em US$ 4 bilh\u00f5es. O c\u00e1lculo, explica, foi feito antes das exce\u00e7\u00f5es estabelecidas no decreto de 30 julho, mas ele avalia que o efeito n\u00e3o ser\u00e1 muito menor que esse em 2025. Isso porque, diz, a conta j\u00e1 havia considerado que o aumento n\u00e3o prosperaria para alguns setores, como os de aeron\u00e1utica e produtos de ferro, por exemplo.<\/p>\n<p>O menor saldo comercial em 2025 deve se refletir nas transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos, diz Ribeiro. Ele estima atualmente d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes de 3% do PIB, ante proje\u00e7\u00e3o anterior de d\u00e9ficit em torno de 2,5% do PIB. \u201c\u00c9 um cen\u00e1rio com equil\u00edbrio que conta com menos reservas internacionais, Isso, dado tudo o mais constante, \u00e9 fator de desconforto no comportamento da taxa de c\u00e2mbio.\u201d<\/p>\n<p>Na Tend\u00eancias, a redu\u00e7\u00e3o na proje\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit foi de US$ 72,7 bilh\u00f5es para US$ 67,4 bilh\u00f5es. A estimativa foi reduzida em junho, mas ganhou agora vi\u00e9s baixista devido ao tarifa\u00e7o e \u00e0s importa\u00e7\u00f5es resilientes, diz Silvio Campos Neto, economista da consultoria. que n\u00e3o descarta nova revis\u00e3o. \u201cEsse risco um pouco baixista para a balan\u00e7a \u00e9 fator que corrobora para leitura de cen\u00e1rio de contas externas menos confort\u00e1vel que t\u00ednhamos anteriormente. N\u00e3o \u00e9 nada alarmante, mas acende sinal amarelo porque n\u00e3o h\u00e1 mais a folga que t\u00ednhamos at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s. Isso reflete, fundamentalmente, uma economia em crescimento mais acelerado.\u201d<\/p>\n<p>Embora as tarifas de Trump n\u00e3o tenham efeito macroecon\u00f4mico t\u00e3o amplo ap\u00f3s as exce\u00e7\u00f5es estabelecidas no decreto americano de 30 de julho, avalia Campos Neto, as exporta\u00e7\u00f5es devem ser afetadas de algum modo. Embora o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras seja a China, o mercado americano vem em segundo no ranking, com fatia de 12%. \u201cO tarifa\u00e7o\u00a0 de Trump n\u00e3o deve ter impacto t\u00e3o expressivo do ponto de vista macroecon\u00f4mico, mas ter\u00e1 impacto, sim, e j\u00e1 chega num momento em que a balan\u00e7a comercial d\u00e1 sinais de enfraquecimento.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<div><\/div>\n<div>Estamos vendo piora da conta de balan\u00e7o de pagamentos de forma agregada\u201d<\/div>\n<div>\u2014 Lucas Barbosa<\/div>\n<\/blockquote>\n<div>\n<p>Embora seja o segundo maior destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, os EUA mant\u00eam historicamente saldos comerciais deficit\u00e1rios para o Brasil. O d\u00e9ficit nas trocas com os americanos \u00e9 estrutural, em raz\u00e3o da maior demanda brasileira de bens dos EUA, avaliou Herlon Brand\u00e3o, diretor de Estat\u00edsticas e Estudo de Com\u00e9rcio Exterior do Mdic, ao apresentar a balan\u00e7a comercial de julho.<\/p>\n<p>Segundo dados da Secex, de janeiro a julho o com\u00e9rcio com os EUA rendeu ao Brasil d\u00e9ficit de US$ 2,26 bilh\u00f5es ante saldo negativo de US$ 318,6 milh\u00f5es em iguais meses de 2024. A China continua a render o maior super\u00e1vit entre os dez maiores destinos da exporta\u00e7\u00e3o brasileira. O saldo positivo foi de US$ 16 bilh\u00f5es em 2025, mas bem abaixo dos US$ 27 bilh\u00f5es de 2024, tamb\u00e9m de janeiro a julho.<\/p>\n<p>J\u00e1 considerando a lista de exce\u00e7\u00f5es do tarifa\u00e7o e incorporando tamb\u00e9m expectativa de que no decorrer do segundo semestre de 2025 possam ocorrer novas exclus\u00f5es ou redu\u00e7\u00f5es de al\u00edquota, a XP reduziu a estimativa de super\u00e1vit para este ano de US$ 57,5 bilh\u00f5es para US$ 52,3 bilh\u00f5es. Para 2026, a queda foi de US$ 56 bilh\u00f5es para US$ 53,7 bilh\u00f5es. A revis\u00f5es tamb\u00e9m consideraram importa\u00e7\u00f5es mais fortes que o esperado em combust\u00edveis e lubrificantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da revis\u00e3o de saldo, a expectativa da corretora para as transa\u00e7\u00f5es correntes em 2025 incorporou o aumento de US$ 2,6 bilh\u00f5es no d\u00e9ficit em renda prim\u00e1ria nos primeiros meses do ano, o que resultou em revis\u00e3o de proje\u00e7\u00e3o de d\u00e9ficit em conta corrente de US$ 65,7 bilh\u00f5es (2,9% do PIB), para US$ 73,5 bilh\u00f5es, ou 3,2% do PIB neste ano. Para 2026 a estimativa de d\u00e9ficit tamb\u00e9m subiu, de US$ 65,0 bilh\u00f5es (2,7% do PIB) para US$ 69,4 bilh\u00f5es (2,9% do PIB).<\/p>\n<p>Para Iana Ferr\u00e3o e Pedro Oliveira, economistas do BTG Pactual, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras est\u00e3o robustas, mas o forte crescimento das importa\u00e7\u00f5es diminuiu o saldo acumulado em 12 meses, que ficou em US$ 62 bilh\u00f5es. Diante da eleva\u00e7\u00e3o das tarifas americanas, o banco revisou a proje\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit comercial para 2025 para US$ 65 bilh\u00f5es, ante US$ 70 bilh\u00f5es anteriormente. A estimativa incorpora uma desacelera\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es no segundo semestre deste ano, em linha com uma atividade econ\u00f4mica mais fraca a partir do segundo trimestre.<\/p>\n<p>Na AZ Quest, a estimativa atual de super\u00e1vit comercial para 2025 \u00e9 de US$ 60 bilh\u00f5es, bem menor que os US$ 80 bilh\u00f5es projetados no in\u00edcio do ano, diz o economista Lucas Barbosa. Ele avalia que no curt\u00edssimo prazo as tarifas de Trump devem ter efeito no saldo brasileiro, mas ele est\u00e1 entre os que esperam que parte dos impostos mais pesados possa ser negociada. O que explica a redu\u00e7\u00e3o na proje\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit, explica, \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar e principalmente a resili\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es, resultado da demanda dom\u00e9stica muito forte, que vaza para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 vis\u00edvel tanto na balan\u00e7a comercial de bens, quanto na de servi\u00e7os, que pode ser observada no balan\u00e7o de pagamentos [levantado pelo BC]. Estamos vendo piora da conta de balan\u00e7o de pagamentos de forma agregada. H\u00e1 demanda maior por produtos externos, natural de uma economia que est\u00e1 bastante aquecida. A proje\u00e7\u00e3o de saldo s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 pior porque os pre\u00e7os de importa\u00e7\u00e3o v\u00eam caindo.\u201d<\/p>\n<p>As revis\u00f5es que antecederam o tarifa\u00e7o, diz Ribeiro, refletem um menor volume de com\u00e9rcio global. \u201cO c\u00e2mbio est\u00e1 em linha com o esperado, mas a abor\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica est\u00e1 muito mais forte que se imaginava. Ainda que se espere um crescimento de PIB de 2,2% ou 2,3% em 2025, o ritmo de absor\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica \u00e9 mais alto e isso est\u00e1 batendo nas importa\u00e7\u00f5es.\u201d Ao mesmo tempo, diz, a queda de pre\u00e7os dos principais produtos embarcados pelo Brasil tamb\u00e9m afeta a exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados da Secex mostram que de janeiro a julho os pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o da soja ca\u00edram 9,6% contra iguais meses de 2024. No mesmo per\u00edodo, petr\u00f3leo e min\u00e9rio de ferro tiveram queda de pre\u00e7os de 7,1% e 19%, nessa ordem. Juntos, os tr\u00eas itens equivalem a 36% da exporta\u00e7\u00e3o brasileira de janeiro a julho.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o de Trump se soma a um cen\u00e1rio de commodities mais baratas e importa\u00e7\u00e3o mais forte do que se esperava no in\u00edcio do ano<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-117414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-shopping-patio-higienopolis"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117414"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117414\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":117415,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117414\/revisions\/117415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/monitoramento.spmj.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}