O Outubro Rosa marca o décimo mês do ano com campanhas de prevenção e conscientização sobre o câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), esse é o tipo de tumor que mais afeta as mulheres no Brasil, com mais de 60 mil novos casos diagnosticados no último ano.
A oncologista de São Caetano, Paula Clavette, explica que o câncer de mama se desenvolve quando células mamárias sofrem mutações no DNA, o que leva a se comportarem de maneira anormal. “As células anormais começam a se multiplicar sem controle, e após isso se agrupam, formando o tumor. A progressão do câncer varia de pessoa para pessoa, mas o diagnóstico precoce é muito importante para controlar os danos e aumentar a chance de recuperação.”
Algumas cidades do ABC irão realizar ações para promover a conscientização sobre o câncer de mama. Santo André recebe mutirões durante todo o mês de outubro com expectativa de realizar de quatro mil exames de mamografia, além disso, três mil procedimentos de ultrassom de mama e transvaginal. Ambos os serviços fazem parte do programa Saúde Fila Zero e são ofertados inclusive para a população trans da cidade, no Hospital da Mulher.
As mulheres de Santo André também podem contar com o apoio da ONG Viva Melhor, que se localiza na cidade oferecendo cuidados na parte estética e emocional de quem sofre com o câncer de mama. A presidente da ONG, Vera Teruel, destaca que a instituição tem o objetivo de fazer a diferença nas mulheres que chegam para consultas. “Muitas chegam sem cabelo, sem mamas, e temos formas de oferecer recursos que podem reparar a autoestima dessas mulheres, com perucas e próteses mamárias.” Ela também diz que ao longo dos anos atuando na instituição, pôde ver mulheres saindo de lá muito mais felizes e fortes.
Katia Santos, 40, moradora de Santo André conta que descobriu o câncer de mama em fevereiro de 2019, e conheceu pessoas da ONG Viva Melhor ainda no hospital, após uma cirurgia mastectomia. “Desde então é muito importante vir aqui conhecer mulheres que passam pelo mesmo problema que eu. Na ONG tive suporte psicológico e reunião com outras mulheres. Não é fácil passar por todo o processo, mas existe a opção de lutar e não deixar a doença te vencer.” Ela ainda relata que enfrenta uma luta diária, realizando quimioterapia para tentar avançar na recuperação.
Já a cidade de São Bernardo vai receber a Carreta de Mamografia, oferecida pela ONG Américas Amigas durante os dias 5 a 9 do mês, no CREC Pauliceia, localizado na Rua Francisco Alves, 460 e funcionará das 7h da manhã até às 16h. As ações incluem atendimentos gratuitos de prevenção e diagnóstico de câncer de mama entre mulheres em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa vai priorizar pessoas que já tenham casos de tumor na família, e que relatam sentir dores ou nódulos na região. Além de São Bernardo, a Carreta de Mamografia viaja por outras cidades de São Paulo até o mês de dezembro.
De acordo com o Inca, são esperados cerca de 70 mil novos casos de câncer de mama no Brasil entre os anos de 2023 e 2025. Paula Clavette afirma que o autocuidado é muito importante para identificar os primeiros sinais que podem levar à suspeita do câncer de mama. “O autoexame ajuda a identificar sinais diferentes do comum, como possíveis manchas, nódulos, dor e inchaço o mais cedo possível. E quanto mais cedo o tumor é identificado, maior a chance de um tratamento bem sucedido.” A médica também destaca a importância do acompanhamento médico, seguindo a recomendação de exames anuais de mamografia a partir dos 40 anos de idade.
*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.