Após forte avanço dos rendimentos dos Treasuries ontem, que provocou uma forte aversão ao risco em vários mercados ao redor do globo, a agenda desta terça-feira pode de novo trazer reação dos investidores em relação à tese de que o Federal Reserve (Fed) pode deixar as taxas de juros mais altas por mais tempo: o relatório Jolts (Pesquisa sobre Vagas de Emprego e Rotatividade de Trabalho), o primeiro dos três indicadores de emprego da semana nos EUA; os demais são a pesquisa ADP (quinta) e o payroll (sexta).
O Jolts (às 11h) deverá mostrar que as vagas de emprego caíram para 8,8 milhões em agosto. No mês anterior, este número caiu para a marca mais baixa em quase dois anos e meio, sugerindo um abrandamento gradual no mercado de trabalho que ajudou a reforçar o argumento para a Fed manter as taxas de juros inalteradas na sua reunião de setembro.
O yield da T-note de 10 anos, que tocou seu nível mais alto desde 2007 com indicações de que a atividade econômica americana se mantém resiliente, fez com que os mercados de futuros apostem agora que a Fed Fund rate se situará em 4,7% até ao fim de 2024 – o que implica menos cortes do que o anteriormente previsto a partir do intervalo atual da taxa, de 5,25% a 5,50%. Nesta manhã, o retorno deste papel volta a operar em alta, a 4,715%, de 4,687% no fechamento de ontem. Os futuros de ações em Nova York têm um começo de dia em queda leve, enquanto na Europa, o índice Stoxx 600 opera em queda de 0,5%. O dólar, por sua vez, engata nova alta no mercado internacional (+0,3%), após ter tido um dos maiores avanços do ano ontem. As commodities recuam generalizadamente sem a referência dos mercados chineses, fechados nesta semana. O petróleo Brent perde 0,7% , a US$ 90,16 o barril.
No Brasil, os agentes acompanharão a divulgação da produção industrial de agosto (9h), que deve mostrar alta de 0,6% ante junho, após queda do mesmo tamanho no mês anterior, segundo mediana da pesquisa do Valor Data com 26 instituições financeiras.
Em Brasília, o projeto de lei que prevê a tributação de fundos offshore e exclusivos pode ser votado hoje. O presidente da Câmara, Arthur Lira, designou o deputado Pedro Paulo (PSD) como relator do texto.
Ontem, os juros locais responderam mais uma vez à pressão do exterior e fecharam o pregão em elevação expressiva ao longo de toda a estrutura a termo da curva. As taxas, inclusive, já se situam acima da marca dos 11% em quase todos os vencimentos e o mercado precifica uma Selic de aproximadamente 10,5% ao fim do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil. O Ibovespa registrou queda firme chegando a tocar o patamar dos 114 mil pontos nas mínimas intradiárias em sessão com volume reduzido de negócios. O dólar comercial, por sua vez, encerrou a sessão quebrando a barreira de R$ 5,05, em alta de 0,79%, a R$ 5,0662, após tocar a mínima de R$ 5,0377 e encostar na máxima de R$ 5,0805.