Veículo: Money Times
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Data: 29/06/2026

Editoria: Iguatemi, L-Founders
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‘O Brasil é muito maior que Rio e São Paulo’: Iguatemi (IGTI11) vê mercado de luxo crescer no interior e em capitais regionais

O mercado brasileiro de luxo deixou de estar concentrado em Rio de Janeiro e São Paulo e passou a encontrar espaço em capitais regionais e cidades do interior, segundo avaliação de Carlos Jereissati, ex-CEO e hoje membro efetivo do conselho da Iguatemi (IGTI11), que vê um momento favorável para a expansão das marcas premium no país.

Durante o 19° Congresso da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), evento realizado nesta sexta-feira (26), em São Paulo, o executivo ressaltou que o crescimento econômico de diferentes praças brasileiras ampliou o potencial de consumo e tornou novas áreas aptas a receber operações de maior valor agregado.

“O Brasil é muito maior do que Rio e São Paulo.

Vimos mercados que não estavam preparados para receber um shopping center e que hoje, pelo tamanho que têm, são capazes de hospedar todo tipo de operação”, afirmou, ao destacar que o setor tem o

“dever” de ousar na expansão dos negócios.

“Temos que ser audaciosos. Testar, insistir e não nos acostumar com aquilo que já está fácil de operar.”

‘Momento favorável’

Na avaliação de Jereissati, o mercado brasileiro de luxo vive um “momento favorável” para atrair novas marcas internacionais, mesmo em meio aos juros elevados, impulsionado por uma mudança no comportamento do consumidor e por condições mais competitivas para a operação dessas empresas no país.

Entre os fatores citados por ele, está o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução gradual de tarifas de importação para diversos produtos.

“Cada vez mais você vê, não só no segmento de luxo, mas também no médio, várias marcas chegando ao Brasil. Isso vai tirando do brasileiro a sensação de que tudo o que ele precisa só encontra fora do país” afirmou.

Cabe ressaltar que a Abrasce estima que o número de inaugurações de shoppings no Brasil deve cair da média de 11 anuais, registrada nos últimos cinco anos, para entre quatro e seis por ano na próxima década.

Durante sua fala, o executivo ressaltou, porém, que as oportunidades não se limitam às grifes estrangeiras.

“Tem muita gente nascendo no Brasil. Muitas marcas que as gerações criam e que a gente tem que estar de olho para serem as próximas grandes marcas de amanhã”, disse.

“Também há empresas já conhecidas que estão se duplicando, triplicando e criando novas bandeiras, e o papel do grande operador de shoppings é olhar para isso e fazer esse investimento junto”, prosseguiu.

Compras de luxo no Brasil

Jereissati ainda pontuou que, embora os brasileiros continuem realizando compras no exterior, a preferência por adquirir produtos de luxo no próprio país vem aumentando nos últimos anos. Para ele, essa é uma tendência global observada pelas próprias grifes internacionais.

A avaliação do executivo é de que, como a produção de itens de maior valor agregado é limitada, muitas empresas preferem direcionar parte relevante de suas mercadorias aos consumidores de cada país, reduzindo a dependência das compras feitas durante viagens.

Questionado sobre como a Iguatemi trabalha para fidelizar esse público, o conselheiro destacou que, no segmento de alta renda, o relacionamento é altamente personalizado.

Segundo ele, a companhia investe em programas de relacionamento, CRM, atendimento individualizado e ações exclusivas em parceria com as marcas para fortalecer o vínculo com os clientes.