O debate sobre o fim da escala 6×1 costuma girar em torno do aumento de custos para as empresas. No varejo alimentar, contudo, a mudança aponta para outro caminho: a aceleração da automação dentro das lojas.
Além de tornar as vagas mais atrativas, a. nova jornada tende a empurrar investimentos em monitoramento remoto e gestão inteligente das operações. O setor movimenta R$ 1,067 trilhão por ano, equivalente a 9,12% do PIB brasileiro, com mais de 424 mil lojas e cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos no país.
Ainda assim, as dificuldades para preencher vagas operacionais cresceram. O tema apareceu entre os principais pontos debatidos por executivos durante o Smart Market ABRAS 2025, estudo mais recente do setor.
Jornada equilibrada atrai trabalhadores
Para especialistas, uma rotina mais equilibrada pode aumentar o interesse por vagas em um setor marcado por trabalho aos finais de semana, feriados e horários alternativos. A expectativa é reduzir a rotatividade e preservar conhecimento operacional dentro das equipes.
Por outro lado, surge um desafio paralelo: manter o mesmo nível de produtividade com menos horas disponíveis de trabalho.
Para Sami Diba, CEO do Neo Estech, ecossistema de gestão e monitoramento inteligente de equipamentos para o varejo, a principal mudança provocada pela nova jornada não estará na frente de caixa ou no atendimento, mas nos bastidores da operação.
Monitoramento já cobre metade do setor
A avaliação de Diba se apoia em uma base extensa de dados. O Neo Estech atende mais de 52% do varejo alimentar brasileiro e monitora mais de 55 mil equipamentos por meio de mais de 300 mil sensores ativos instalados em supermercados de todo o país.
Entre os clientes estão redes como Carrefour, Assaí Atacadista, Savegnago e Supermercados Pague Menos.
A plataforma usa inteligência artificial e análise preditiva para converter dados operacionais em recomendações que apoiam decisões dos varejistas.
Assim, é possível identificar riscos, antecipar falhas, reduzir desperdícios e entender os efeitos de mudanças operacionais sobre produtividade e eficiência energética.
“A discussão não deveria ser apenas sobre trabalhar menos horas. A questão é como manter produtividade, disponibilidade operacional e qualidade de serviço em um cenário com menos presença humana. Isso exigirá mais automação, mais monitoramento e mais inteligência aplicada à operação das lojas”, afirma
Diba.