Uma camisa usada por Pelé na conquista do Mundial de 1958 vai valer, no mínimo, R$ 30 milhões em um leilão que a casa Sotheby’s vai realizar durante a Copa do Mundo, em Nova Iorque. A cifra impressionante exemplifica como as peças esportivas históricas podem atravessar gerações, acumulando camadas afetivas, culturais, sociais e comerciais.
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Esse valor não é definido apenas pelo nome nas costas. Procedência, contexto histórico e a história que a peça carrega pesam na avaliação. Em outros casos, o valor está na raridade.
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“Quanto mais exclusiva for a peça, maior seu potencial de valorização”, resume o colecionador Cassio Brandão, fundador da plataforma Alambrado Futebol e Cultura, especializada em camisas históricas.
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Como uma rara jaqueta usada por Pelé virou figurino de Bad Bunny em show no Brasil
Cássio Brandão, maior colecionador de camisas de futebol do mundo, foi o responsável pelo empréstimo ao cantor; ele contou os bastidores da escolha da peça. Crédito: João Abel/Estadão
Em sua plataforma, os itens comercializados variam entre R$ 40 mil e R$ 400 mil. Embora algumas camisas históricas alcancem valores de obras de arte, os colecionadores evitam reduzir suas peças a cifras. O tema ainda é tabu.
Além da questão da segurança, muitos preferem destacar o aspecto histórico e afetivo dos acervos, principalmente as histórias preservadas em cada peça.

“Colecionadores têm papel fundamental em preservar a história do futebol. Muitas vezes são eles que guardam peças que poderiam ter desaparecido”, afirma o colecionador Marcelo Monteiro, criador do perfil Museu Histórico do futebol no Instagram.
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Essa combinação entre memória, paixão e preservação que está no centro de duas exposições em São Paulo. No Pátio Higienópolis e no Sesc Pompeia, camisas, ingressos, álbuns de figurinhas, revistas e objetos raros ajudam a contar uma história que nem sempre foi preservada por clubes, federações ou instituições esportivas.
São espaços também para compartilhar memórias para as próximas gerações. O executivo Felipe Lando, de 40 anos, levou o filho, Roberto, para curtirem o espaço juntos. A mãe está na maternidade: o segundo filho nasceu na segunda-feira. “Vou dividir a licença-paternidade entre a família, que agora está maior, e os jogos da Copa”, sorri.
Do manto de Pelé ao agasalho de Bad Bunny
No Shopping Pátio Higienópolis, zona central, a exposição “Mantos Campeões” reúne 18 camisas históricas de seleções nacionais, incluindo peças originais da brasileira, dos anos 1950 à Copa de 2022.
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A mostra foi concebida pelo próprio Brandão, que reúne mais de 7 mil camisas de cerca de 1.800 clubes e seleções. “Infelizmente, somos um País que cuida muito mal da memória. Meu trabalho vem desse lugar: tentar preservar essa memória e ampliá-la para que novas pessoas possam conhecê-la”, afirma.

A curadoria foi organizada em três momentos:
- o primeiro parte do agasalho da seleção brasileira dos anos 1960 que viralizou mundialmente após ser usado pelo cantor porto-riquenho Bad Bunny em uma apresentação no Brasil;
- o segundo percorre a trajetória da camisa da seleção brasileira por meio de peças utilizadas por Djalma Santos, Zito, Pelé, Ronaldo, Kaká, Zetti e Vini Jr.
- o último homenageia campeãs mundiais, com exemplares ligados a craques como Messi, Rooney, Zidane e Lugano.
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Brandão acredita que a aproximação entre futebol, moda e cultura pop contribui para despertar o interesse de novos públicos. O episódio envolvendo Bad Bunny é um exemplo.
Quando os colecionadores viram historiadores
No Sesc Pompeia, zona oeste, o olhar se abre para todas as formas de memória produzidas em torno das Copas. Com curadoria do jornalista Marcelo Duarte, a exposição “Colecionadores de Copas” reúne objetos cedidos por dezenas de colecionadores, entre eles, Marcelo Monteiro, Moacir Peres e Sergio Paz.

O conjunto inclui flâmulas, ingressos, discos, revistas, brinquedos, pins, mascotes, álbuns de figurinhas e camisas utilizadas por jogadores em diferentes edições do Mundial.