Desde 2024, a conversão de caixa operacional tem piorado, com maiores necessidades de capital de giro compensando a maior parte do crescimento do Ebitda”, afirmou analista do banco
O ambiente de juros elevados, inflação em aceleração e demanda mais apertada tem levado varejistas brasileiras a colocar projetos de expansão em segundo plano para preservar caixa, segundo avaliação do BTG Pactual.
Apesar de o varejo ter registrado crescimento de 13% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2025, a conversão de caixa operacional caiu para 78%, ante 82% em 2024.
Nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, o indicador recuou para 74%, refletindo o aumento das necessidades de capital de giro.
“Desde 2024, a conversão de caixa operacional tem piorado, com maiores necessidades de capital de giro compensando a maior parte do crescimento do Ebitda”, afirmou o analista Luiz Guanais.
A pressão também vem aumentando do lado financeiro. A cobertura de juros pelo fluxo de caixa operacional caiu para 2,1 vezes no primeiro trimestre de 2026, ante 3 vezes um ano antes, já que o caixa gerado pelas empresas cresceu apenas 10%, enquanto os pagamentos de juros avançaram 60%.
Nesse contexto, o Guanais avalia que projetos de expansão e investimentos em infraestrutura devem permanecer em segundo plano, enquanto as companhias buscam otimizar o ciclo de caixa e preservar liquidez.
Entre os destaques positivos, o BTG cita Lojas Renner, RD Saúde e Assaí, beneficiadas por maior escala, melhor controle de capital de giro e disciplina de investimentos. A Vivara também foi apontada como um caso de melhora na geração de caixa.
Por outro lado, Grupo SBF e Pague Menos aparecem entre as empresas com maior pressão recente sobre o caixa.
No caso da dona da Centauro, o banco atribui o desempenho à reforma de lojas e à formação de estoques para a Copa do Mundo. Já a Pague Menos foi impactada pelos investimentos em seu novo centro de distribuição na Paraíba.
Para o Guanais, o risco de um novo ciclo inflacionário, combinado com uma política monetária ainda restritiva, mantém o cenário desafiador para o varejo brasileiro