O varejo de moda brasileiro deverá registrar crescimento moderado durante a temporada de inverno de 2026, segundo projeções da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Embora a estação permaneça entre as mais relevantes para o setor, o ambiente econômico ainda marcado por instabilidade deve limitar o avanço das vendas nos próximos meses. Entre os fatores que pressionam o consumo estão o elevado endividamento das famílias, os juros altos, as incertezas políticas em ano eleitoral e os impactos econômicos das tensões internacionais.

Dados do IEMI – Inteligência de Mercado indicam que o varejo nacional de vestuário deverá comercializar cerca de 1,85 bilhão de peças entre maio e agosto de 2026. O volume representa crescimento de 0,65% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram vendidas 1,84 bilhão de peças. Já o faturamento estimado para a estação é de R$ 63,34 bilhões, alta de 4,2% frente aos R$ 60,79 bilhões registrados no inverno anterior. Apesar do avanço nominal, o desempenho praticamente acompanha a inflação acumulada no período.
O setor também continua pressionado pelo aumento dos custos de energia, combustíveis, logística e insumos. A situação é agravada pelo cenário geopolítico internacional, especialmente pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que afetam cadeias globais de produção e transporte. Além disso, a proximidade da Copa do Mundo tende a influenciar o comportamento de consumo, redirecionando parte dos gastos das famílias para outros segmentos.
Segundo o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, as perspectivas para o inverno são moderadamente positivas, mas ainda cercadas de desafios estruturais e climáticos. “O inverno no Brasil sempre representou um desafio para o planejamento do setor, por sermos um país predominantemente tropical, e as mudanças climáticas têm tornado esse cenário ainda mais imprevisível. Temperaturas acima da média ou ondas de calor fora de época impactam diretamente o desempenho das coleções de inverno e o comportamento de compra do consumidor”, afirma. Ele acrescenta que o consumidor permanece mais seletivo diante do crédito restrito e do comprometimento da renda familiar. “Isso exige do varejo maior assertividade comercial, eficiência operacional e capacidade de adaptação rápida às mudanças do mercado”, diz.
Outro ponto de preocupação para a indústria e o varejo nacional é a flexibilização da tributação das pequenas encomendas internacionais comercializadas por plataformas digitais. De acordo com a Abit, a medida pode ampliar a concorrência com produtos importados em um momento de desaceleração do consumo interno. Paralelamente, o setor acelera investimentos na integração entre lojas físicas e canais digitais, apostando em estratégias de omnicanalidade, inteligência de dados e maior agilidade logística para atender um consumidor cada vez mais conectado, exigente e sensível a preço e conveniência.