- 08/05/2026
- | Economia

Por Janine Alves, colunista do Portal Making Of
Entre 2013 e 2024, desastres climáticos custaram R$ 732 bilhões aos municípios brasileiros. Estudos indicam que cada real investido em prevenção economiza até sete em reconstrução. Mesmo assim, a maioria das cidades catarinenses ainda não tem nem plano de risco atualizado.
O decreto de alerta climático que o governo de Santa Catarina prepara, diante da previsão de um El Niño mais intenso no segundo semestre, representa o reconhecimento oficial de que a emergência climática deixou de ser um evento excepcional. A pergunta que cabe agora é: reconhecer o risco é suficiente — ou é apenas o primeiro passo de um caminho que a maioria dos municípios ainda não começou a percorrer?
O decreto será assinado pelo governador Jorginho Mello, elaborado pela Procuradoria-Geral do Estado e terá validade de seis meses. A medida prevê acesso mais rápido dos municípios a recursos para obras preventivas — drenagem urbana, limpeza de rios, contenção de encostas — e cria gatilhos objetivos para a decretação imediata de situação de emergência em caso de agravamento das condições climáticas. Meteorologistas alertam que o fenômeno deve atingir seu auge entre setembro e dezembro, com potencial para eventos comparados às piores enchentes já registradas no estado.
A iniciativa inverte a lógica habitual, na qual decretos de emergência costumam surgir apenas depois da tragédia. Desta vez, o objetivo é antecipar. Mas a eficácia dessa antecipação depende de algo que os dados mostram estar longe da realidade na maioria das cidades catarinenses: preparação real, com planejamento, recursos e estrutura.
O CENÁRIO NACIONAL
R$ 732 bilhões: o preço dos desastres que o Brasil continua pagando

Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), maio de 2024.
Os desastres naturais estão mais frequentes, mais intensos e economicamente mais destrutivos, enquanto grande parte dos municípios brasileiros ainda mantém uma lógica reativa: agir apenas depois da tragédia. Entre 2013 e 2024, os eventos climáticos causaram R$ 732 bilhões em prejuízos aos municípios brasileiros, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios. No mesmo período, o país registrou mais de 70,3 mil decretos de emergência ou calamidade pública e cerca de 6 milhões de pessoas precisaram deixar suas casas em razão de enchentes, deslizamentos, secas e outros eventos extremos. Os dados também mostram que 95% das cidades brasileiras foram afetadas por algum tipo de desastre que exigiu atuação direta da Defesa Civil entre 2013 e 2024. As regiões Sul e Sudeste concentraram mais de 75% das perdas humanas, e Santa Catarina permanece entre os estados historicamente mais atingidos.
O mapa reforça a fragilidade nacional na gestão de riscos climáticos: a maior parte dos municípios brasileiros aparece em vermelho e laranja, indicando baixo nível de preparação, ausência de estratégias adequadas de prevenção e elevada vulnerabilidade a eventos extremos. A crise climática não expõe apenas fragilidades ambientais. Ela revela falhas de gestão pública, ausência de planejamento urbano e descumprimento de instrumentos previstos no próprio Estatuto da Cidade. Sem prevenção, drenagem adequada, contenção de encostas, monitoramento, fiscalização urbana eficiente e planos de contingência, os desastres deixam de ser eventos naturais isolados e passam a representar uma ameaça permanente à infraestrutura, à atividade econômica, ao emprego, à logística e à segurança da população.
Apenas 20% dos municípios de SC cumprem regras de prevenção a desastres

(Estatuto da Cidade) nos municípios de Santa Catarina /Fonte: Painel de Transparência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC)
Santa Catarina convive com um dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é prevenção de desastres climáticos. Levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina mostra que apenas 20% dos municípios catarinenses cumprem integralmente as exigências do artigo 42-A do Estatuto da Cidade, que obriga a inclusão de diretrizes de prevenção de desastres nos Planos Diretores. Outros 75,9% permanecem em desconformidade — incluindo cidades como Florianópolis e Joinville. O cenário preocupa justamente em um estado que registra enchentes, deslizamentos e eventos extremos recorrentes, com impactos diretos sobre moradia, infraestrutura, mobilidade, turismo, agroindústria e logística.
O mapa do TCE-SC mostra a fragilidade estrutural do planejamento urbano catarinense: a maior parte dos municípios aparece em vermelho, indicando ausência de medidas adequadas de prevenção e adaptação climática. Muitos Planos Diretores ainda não incorporam mapas atualizados de áreas de risco, sistemas eficientes de drenagem, contenção de encostas, restrições de ocupação em áreas vulneráveis e estratégias permanentes de redução de danos. O problema deixou de ser apenas ambiental e passou a representar um risco econômico e fiscal crescente. Quando o poder público negligencia prevenção, aumenta a exposição da população, compromete investimentos, eleva custos de reconstrução e amplia os impactos sobre atividades econômicas essenciais. Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, ignorar adaptação urbana significa transformar tragédias anunciadas em política permanente de reconstrução.
A DIMENSÃO ECONÔMICA
Prevenir custa menos. Muito menos.
A crise climática deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a impactar diretamente a economia, as contas públicas e a capacidade de crescimento das cidades. Enchentes, deslizamentos, secas e eventos extremos pressionam a inflação, interrompem cadeias produtivas, afetam exportações, fecham empresas, comprometem empregos e ampliam os gastos públicos justamente nos momentos em que estados e municípios possuem menor capacidade financeira de resposta. O custo econômico da omissão já aparece na destruição de infraestrutura, nos prejuízos ao comércio, na paralisação logística, na perda de competitividade regional e no aumento da vulnerabilidade social.
Os dados confirmam a fragilidade nacional na prevenção. Levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostra que 94% das cidades brasileiras possuem menos da metade das 25 estratégias recomendadas para gestão de riscos e prevenção de desastres. Ao mesmo tempo, estudos do World Resources Institute indicam que cada dólar investido em prevenção pode gerar economia de US$ 4 a US$ 7 em reconstrução, recuperação de infraestrutura e mitigação de perdas econômicas. A conta é simples: prevenir custa menos do que reconstruir cidades, recuperar estradas, reassentar famílias e tentar reerguer economias locais depois da tragédia.
Para o leitor de Florianópolis e região
Florianópolis, apesar de ser a capital do estado e um dos municípios com maior capacidade fiscal de Santa Catarina, está entre os que não cumprem integralmente o artigo 42-A do Estatuto da Cidade. Em uma cidade construída sobre morros, áreas costeiras, ilhas e planícies de inundação, isso não representa apenas um problema administrativo — representa vulnerabilidade real. O El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 não aguardará a atualização dos Planos Diretores nem a conclusão de discussões burocráticas.
O tempo da negligência climática está se esgotando
O alerta climático anunciado por Santa Catarina pode representar uma mudança importante de postura diante da previsão de um El Niño mais intenso no segundo semestre de 2026. Mas a medida também impõe uma pergunta inevitável aos prefeitos e gestores públicos: o que cada cidade está fazendo agora para reduzir riscos antes da próxima tragédia?
Os números da Confederação Nacional dos Municípios e do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina mostram que a omissão tem custo mensurável — em vidas, infraestrutura destruída, empregos perdidos, paralisação econômica e bilhões consumidos em reconstrução. Investir em prevenção deixou de ser uma escolha administrativa para se tornar uma necessidade econômica, social e fiscal. Cada obra de drenagem não realizada, cada encosta sem contenção, cada Plano Diretor desatualizado e cada ocupação irregular tolerada ampliam o impacto humano e financeiro dos eventos extremos.
Nenhuma política pública é mais barata e mais eficiente do que a prevenção. Os municípios que continuarem adiando investimentos em adaptação, monitoramento e redução de riscos pagarão, cedo ou tarde, um custo muito maior do que o da prevenção que negligenciaram. Porque a natureza não agenda tragédias. E o El Niño de 2026 já está a caminho.
Termômetro da Economia
Acompanhe os principais indicadores que mostram o pulso da economia em Santa Catarina, no Brasil e no mundo.
Destaques:
Juros — Copom corta a Selic O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano, numa decisão unânime e com tom cauteloso.
Inflação acima da meta O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,89%, pressionado por combustíveis e alimentos, acelerando para 4,37% no acumulado de 12 meses. As projeções do mercado para a inflação de 2026 chegaram a 4,86%, acima do teto da meta de 4,5%.
Desemprego na mínima histórica O IBGE divulgou que o desemprego subiu sazonalmente para 6,1% em março, mas esse é o menor nível histórico para o mês.
Ibovespa e PIB O Ibovespa encerrou abril praticamente estável (-0,08%), acumulando alta de +16,26% no ano. No exterior, os EUA cresceram 2% no primeiro trimestre, abaixo do esperado, com o núcleo do PCE (inflação) ainda elevado em 3,1%.
Petróleo Em meio à guerra no Irã, o Brasil bateu recorde de produção de petróleo.
|Santa Catarina|
Geração de empregos — destaque nacional. Santa Catarina encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a criação de 59.396 empregos formais, ficando entre os três maiores geradores de vagas do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Crescimento acima da média O estado registrou crescimento de 2,26% no mercado de trabalho formal entre janeiro e março, superando a média nacional (1,27%) e a média da Região Sul (1,85%).
Indústria de destaque A indústria catarinense foi o segundo maior gerador de empregos formais do país em março, com 5.525 novas vagas — sendo que SC tem menos de 4% da população brasileira, o que demonstra a competitividade do setor produtivo local.
Competitividade Nacional: Com menos de 4% da população brasileira, SC foi responsável por aproximadamente 19% das novas vagas industriais do país em março, indicando que uma em cada cinco vagas industriais abertas no Brasil foi no estado.
|Indicadores da Semana — Boletim Focus|
- Inflação segue pressionada: a projeção do mercado para o IPCA de 2026 subiu para 4,89%, acima do teto da meta de inflação, segundo o Boletim Focus. O movimento reforça a percepção de preços ainda resistentes, mesmo com juros elevados.
- Juros continuam altos: a expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano, indicando que o ciclo de cortes deve ocorrer de forma lenta e cautelosa.
- PIB mantém crescimento moderado: a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 ficou estável em 1,85%, refletindo um cenário de expansão limitada pelo elevado custo financeiro e pelas incertezas externas.
- Câmbio permanece volátil: a estimativa para o dólar em 2026 foi mantida em R$ 5,25, em um ambiente ainda marcado por tensões geopolíticas e instabilidade internacional.
|Radar Político|
Fatos que marcaram a semana com impactos diretos na vida em sociedade e nos rumos da economia.

Demissões em meio à greve ampliam crise na educação de Florianópolis. A Prefeitura de Florianópolis exonerou 146 servidores temporários (ACTs) da educação em meio à greve da categoria por reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A gestão municipal justificou as rescisões pelas faltas consideradas injustificadas após o Tribunal de Justiça de Santa Catarina declarar a paralisação ilegal e determinar o retorno imediato dos servidores. A decisão provocou forte reação do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis, que classificou as exonerações como medida de coação contra o direito constitucional de greve, previsto no artigo 37 da Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 7.783/1989. Além do embate jurídico e político, a crise expõe impactos econômicos e sociais relevantes: aumento da sobrecarga sobre os profissionais remanescentes, instabilidade na rede municipal e prejuízos ao atendimento em EBMs e NEIMs, alguns deles afetados por paralisações e fechamento parcial de atividades nas últimas semanas. O episódio também reacende o debate sobre os limites entre a continuidade dos serviços públicos essenciais e a garantia dos direitos trabalhistas no setor público.

Regularização fundiária amplia acesso ao crédito no campo. A entrega de 47 títulos de propriedades rurais em São Domingos pelo programa Lar Legal Rural reforça um problema estrutural ainda presente no campo catarinense: milhares de produtores seguem sem matrícula definitiva das terras onde vivem e produzem. A regularização garante segurança jurídica e amplia o acesso a crédito rural, emissão de nota fiscal, energia elétrica e políticas públicas, reduzindo entraves que limitam investimentos e produtividade. Estimativas do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e da Faesc apontam que mais de 100 mil imóveis rurais no estado ainda permanecem sem documentação definitiva. O avanço da regularização fundiária evidencia como burocracia e insegurança jurídica continuam sendo barreiras silenciosas ao desenvolvimento econômico no meio rural.
|Sustentabilidade & Regeneração|
Histórias e práticas que revelam como empresas estão integrando sustentabilidade, impacto social e inovação regenerativa aos seus modelos de negócio.

Investimento social ganha escala na América Latina. O avanço das agendas de sustentabilidade passa cada vez mais por educação, saúde e redução das desigualdades sociais. O Instituto Natura ampliou em 34% seus investimentos sociais na América Latina em 2025, alcançando R$ 116 milhões aplicados em iniciativas voltadas à educação pública, direitos das mulheres e saúde. As ações impactaram 6,3 milhões de estudantes e cerca de 596 mil mulheres em seis países da região. O movimento reforça uma tendência crescente entre grandes organizações: sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a incorporar, de forma mais estruturada, desenvolvimento humano, políticas públicas e transformação social em larga escala. Em uma América Latina marcada por desigualdades persistentes, educação e proteção social seguem sendo fatores decisivos para crescimento econômico sustentável e mobilidade social.
Negócios em Movimento
Cases de sucesso que mostram a força, a inovação e a presença estratégica das pessoas, empresas e instituições catarinenses no Brasil e no mundo.
Dia das Mães expõe os limites da transformação digital no varejo. O Dia das Mães, uma das datas mais relevantes para o comércio brasileiro, revela um paradoxo do varejo em 2026: enquanto avançam o uso de inteligência artificial, automação e comércio unificado, persistem dificuldades operacionais em momentos de pico. Dados do Unified Commerce Benchmark para a América Latina mostram que a maturidade digital do setor avançou de 31% para 48% em apenas dois anos, mas apenas 11% das empresas são consideradas líderes em execução integrada. Na prática, isso significa que o consumidor se tornou mais digital, mais rápido e mais exigente do que a capacidade operacional de grande parte do mercado. Em datas sazonais, o impacto aparece diretamente em estoque, prazo de entrega, integração entre canais e conversão de vendas. O movimento também pressiona contratações temporárias, logística e estratégias de marketing, enquanto redes sociais e inteligência artificial ampliam influência sobre comportamento e decisão de compra. O desafio do varejo deixou de ser apenas vender mais — passou a ser executar melhor, em tempo real, em um ambiente de margens pressionadas e consumidores cada vez menos tolerantes à fricção. O Dia das Mães funciona, assim, como um teste de estresse da economia digital brasileira.
Dia das Mães acelera uso de tecnologia contra furtos no varejo. O aumento do fluxo nas lojas físicas durante o Dia das Mães está levando o varejo a ampliar investimentos em inteligência artificial, reconhecimento facial e análise comportamental para prevenção de perdas. Com mais de 70% dos consumidores previstos no comércio presencial, segundo levantamento da CDL-BH, cresce também a pressão operacional sobre redes varejistas em uma das datas mais importantes do primeiro semestre. O movimento reforça uma mudança estrutural no setor: a segurança deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a operar com monitoramento preditivo baseado em dados e integração tecnológica. Em Florianópolis, a Deconve vem desenvolvendo soluções voltadas à prevenção de furtos em tempo real, utilizando inteligência artificial e bases colaborativas entre lojas. O avanço dessas ferramentas revela como tecnologia, operação e experiência do consumidor passaram a caminhar juntas no varejo contemporâneo.
|Destaques|

Inteligência artificial desenvolvida em Santa Catarina avança na indústria global de tecnologia. A parceria entre a Fundação CERTI e a Lenovo colocou Santa Catarina no centro de uma transformação industrial baseada em visão computacional e inteligência artificial. O sistema EoT (Eye of Things) foi desenvolvido para automatizar inspeções na fabricação de computadores, notebooks e servidores, validando desde montagem física e posicionamento de componentes até etiquetas, acabamento e configuração técnica dos equipamentos. A tecnologia atua em tempo real para reduzir falhas, aumentar rastreabilidade e ampliar a eficiência da produção industrial. O avanço do projeto para a inspeção interna dos equipamentos, incluindo cabos, baterias, memórias e componentes térmicos, reforça uma tendência crescente da indústria 4.0: a substituição de processos manuais por sistemas inteligentes capazes de elevar qualidade, segurança operacional e competitividade global.
Cooperativismo movimenta R$ 105 bilhões e reforça protagonismo de Santa Catarina. Santa Catarina consolidou em 2025 sua posição como o estado mais cooperativista do país. As cooperativas catarinenses movimentaram R$ 105,7 bilhões em receitas, crescimento de 15,8% no ano, ritmo muito acima da expansão da economia brasileira. Os dados do Sistema OCESC mostram que o modelo já envolve mais de 5 milhões de cooperados — cerca de 61% da população catarinense — e se tornou uma das principais engrenagens econômicas do estado. O avanço reflete a força das cooperativas agropecuárias, de crédito, saúde e infraestrutura, que ampliaram empregos, investimentos e participação nas exportações. Apenas o ramo agropecuário respondeu por R$ 63 bilhões em receitas e quase 18% das exportações catarinenses. O desempenho reforça como o cooperativismo deixou de ser apenas um modelo associativo para se consolidar como um dos pilares estruturais do desenvolvimento econômico e social catarinense.

Pequenas empresas catarinenses avançam na internacionalização. Mais de 50 empresas de Santa Catarina já exportam ou estão em processo de inserção no mercado internacional por meio do PEIEX, iniciativa executada pelo Sebrae/SC em parceria com a ApexBrasil. O avanço reforça um movimento relevante de diversificação econômica e aumento de competitividade regional, especialmente porque apenas 0,1% das empresas brasileiras exportam atualmente. A expansão da cultura exportadora entre pequenos negócios mostra que internacionalização deixou de ser pauta restrita às grandes indústrias e passou a integrar a estratégia de crescimento de empresas ligadas à inovação, tecnologia, turismo e setor metalmecânico. O movimento também evidencia uma mudança importante no perfil empresarial catarinense, cada vez mais conectado a mercados globais e cadeias internacionais de valor.

Imersão conecta lideranças catarinenses a ecossistemas de inovação. Lideranças empresariais e institucionais do Sul de Santa Catarina participaram, em São Paulo, de uma imersão voltada à inovação, economia criativa e novos modelos de negócios. O Compass, realizado pela Alfa Comunicação e Conteúdo e pela Bossa Experiências Criativas, reuniu representantes de entidades empresariais, universidades, setor público e área da saúde em visitas técnicas a organizações reconhecidas por práticas inovadoras. Mais do que benchmarking, o movimento reflete uma tendência crescente no ambiente corporativo: inovação deixou de ser apenas tecnologia e passou a envolver cultura organizacional, repertório, colaboração e capacidade de adaptação. A aproximação entre diferentes setores e ecossistemas evidencia também a busca das lideranças catarinenses por modelos mais conectados à economia do conhecimento e às transformações do mercado contemporâneo.
LGPD deixa de ser tema jurídico e entra na agenda estratégica das empresas. O avanço da inteligência artificial e da digitalização está transformando a proteção de dados em um tema econômico e estratégico para empresas brasileiras. Especialistas alertam que modelos de adequação à LGPD baseados apenas em documentos formais e exigências legais já não suportam a complexidade atual do uso de dados, ampliando riscos financeiros, operacionais e reputacionais. O Brasil registrou 314,8 bilhões de atividades cibernéticas maliciosas apenas no primeiro semestre de 2025, enquanto cresce também o número de ações judiciais relacionadas à privacidade e proteção de dados. Para Marcos Gomes, sócio-fundador da Dédalo Consultoria, o principal erro das empresas ainda está na forma superficial como encaram a conformidade. Segundo ele, muitas organizações acreditam que estar adequadas à LGPD significa apenas possuir políticas e documentos revisados, sem implementar sistemas permanentes de gestão, monitoramento e governança de dados. Nesse ambiente, empresas ficam mais expostas a sanções regulatórias — que podem chegar a 2% do faturamento — além de danos reputacionais e perda de confiança de clientes e parceiros. A tendência indica que a proteção de dados deixará de ser apenas uma obrigação jurídica para se consolidar como diferencial competitivo em uma economia cada vez mais orientada por inteligência artificial, confiança digital e uso intensivo de informações.

Construção civil sente pressão dos insumos em Santa Catarina. A alta dos combustíveis e dos materiais de construção já pressiona a construção civil em Santa Catarina. Com o diesel acumulando aumento de até 23% desde o agravamento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, e reajustes de 20% a 30% em insumos do setor, construtoras passaram a rever custos, fornecedores e planejamento das obras. Na SCIRE Empreendimentos, a estratégia tem sido absorver parte dos impactos para evitar repasses integrais ao consumidor. “Nosso desafio tem sido manter competitividade e acesso à moradia mesmo diante da pressão sobre energia, combustíveis e matérias-primas”, afirma o CEO Gustavo Quintela. Segundo o engenheiro Paulo Henrique dos Reis Nicomedes, a empresa intensificou processos de reengenharia construtiva e otimização operacional para preservar qualidade e viabilidade econômica. Mesmo em um cenário mais pressionado, o mercado imobiliário catarinense segue aquecido: a segunda fase do SCIRE View, no Centro Histórico de São José, chega ao mercado após a etapa inicial vender 90% das unidades em poucos dias e superar R$ 20 milhões em VGV em apenas uma semana.

Varejo aposta em experiência para fidelizar consumidores. O avanço das campanhas de fidelização no varejo revela uma mudança importante no comportamento de consumo: preço e produto já não bastam sozinhos para sustentar relacionamento com o cliente. Redes supermercadistas passam a investir em experiências emocionais, gamificação e cultura pop como estratégia de permanência e recorrência de compra. Em Santa Catarina, o Bistek Supermercados lançou uma campanha baseada no universo Marvel no formato “compre e ganhe”, reforçando uma tendência crescente no varejo: transformar consumo em experiência colecionável e ampliar engajamento em meio a um mercado mais competitivo e digitalizado. O movimento mostra como grandes redes têm buscado criar conexões emocionais com o consumidor em um ambiente em que fidelidade se tornou um ativo econômico cada vez mais disputado.
Acompanhe os eventos que movimentam o setor econômico em Santa Catarina

Florianópolis recebe, entre 18 e 21 de maio, a 14ª edição do Energy Show 2026, encontro promovido pela ACATE que deve reunir mais de 2 mil participantes entre público presencial e online. O evento, realizado no CIA Primavera, coloca Santa Catarina no centro do debate sobre o futuro da energia, com foco em inovação, descarbonização, geração, transmissão, segurança operacional e transformação tecnológica do setor. A programação inclui feira de negócios, networking e trilhas de conteúdo com participação de empresas, governo, universidades e especialistas ligados a grandes grupos do mercado energético nacional. O encontro reforça o posicionamento do estado como polo de tecnologia e inovação aplicada à transição energética e à construção de uma matriz mais sustentável e eficiente.

San ta Catarina recebe uma das maiores imersões de empreendedorismo da América Latina. Santa Catarina entra na contagem regressiva para a 12ª edição do Empreende Brazil Conference 2026, que acontece nos dias 22 e 23 de maio, na Arena Opus. O encontro deve reunir mais de 6 mil participantes e reforça o posicionamento do estado como um dos principais polos nacionais de empreendedorismo, inovação e geração de negócios. A programação inclui palestras, feira de negócios, rodadas de conexão e trilhas voltadas à gestão, tecnologia, vendas e liderança, reunindo nomes como Augusto Cury, Roberto Justus e João Kepler. O avanço do evento reflete uma transformação mais ampla do ecossistema catarinense, cada vez mais conectado à economia do conhecimento, à inovação e à formação de redes estratégicas de negócios.

Festival Nacional do Queijo amplia agenda de negócios e inovação em Blumenau. O Festival Nacional do Queijo amplia sua atuação em 2026 com a criação da inédita Feira Brasileira da Tecnologia do Queijo, reforçando o avanço da cadeia produtiva de lácteos e a profissionalização do setor artesanal. O evento, que ocorre entre 23 e 26 de julho no Parque Vila Germânica, passa a incorporar uma área voltada à exposição de equipamentos, insumos e soluções tecnológicas para queijarias e derivados lácteos. A iniciativa aproxima fornecedores, produtores e especialistas em um ambiente orientado à geração de negócios, inovação e qualificação técnica. Na última edição, o festival reuniu mais de 17 mil visitantes e consolidou Santa Catarina como um dos polos estratégicos do segmento no país. O movimento reforça uma tendência crescente: a transformação da produção artesanal em um mercado cada vez mais integrado à tecnologia, ao turismo gastronômico e à agregação de valor.
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