“R$ 57 bi mostram que o Brasil está no centro da estratégia”, diz embaixador do Mercado Livre
Foto: Mercado Livre no VTEX Day 2026

  • Mercado Livre anuncia investimento de R$ 57 bilhões no Brasil para expansão em comércio eletrônico, logística e tecnologia.
  • O investimento visa ampliar a presença da marca, avançar em tecnologia e criar 10 mil novos postos de trabalho.
  • Logística é apontada como o principal motor do e-commerce, recebendo a maior parte dos investimentos em automação.
  • Planos incluem novos centros de distribuição, reforço da malha logística e entregas mais rápidas com frota ampliada.
  • Mercado Livre vê potencial de crescimento no Brasil, onde o e-commerce representa uma pequena fatia do varejo.
  • Empresa destaca a importância da tecnologia no varejo, ligando-a à continuidade do consumo e à inovação.

O anúncio de um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil colocou o Mercado Livre no centro das discussões sobre comércio eletrônico, logística e tecnologia em 2026.

Durante entrevista ao BP Money no VTEX Day 2026, André Santos, embaixador do Mercado Livre, afirmou que o movimento reforça o peso do mercado brasileiro dentro da operação da companhia e aponta para uma estratégia de longo prazo baseada em expansão física, automação e geração de empregos.

Segundo ele, o aporte representa uma mudança de escala na atuação da empresa no País. “Quando nós anunciamos R$ 57 bilhões de investimento no país, nós estamos olhando para a aplicação de um investimento que é o dobro de 2025”, disse. André Santos acrescentou que o plano envolve ampliar a presença da marca, avançar em tecnologia e abrir novas frentes de operação.

“O Mercado Livre é uma empresa que acredita no Brasil, acredita no brasileiro e vamos continuar investindo”, afirmou.

Investimento do Mercado Livre no Brasil mira expansão e tecnologia

Ao comentar o novo ciclo de investimentos, André Santos destacou que o Brasil ocupa posição central na estratégia do Mercado Livre. Na visão dele, o valor anunciado sinaliza não apenas confiança no consumo doméstico, mas também a leitura de que ainda há espaço para crescimento no comércio eletrônico.

“Primeiro, ampliar a presença da nossa marca, tecnologia de ponta, olhando para a criação de 10 mil novos postos de trabalho no Brasil”, afirmou. A declaração conecta o investimento a três frentes principais: fortalecimento de marca, avanço operacional e contratação de pessoal.

O executivo chamou atenção para a diferença entre o valor projetado para 2026 e o desembolso do ano anterior.

“Em 2025, nós ficamos ali numa casa, metade desse valor praticamente, entre R$ 27 bilhões e agora chegando a R$ 57 bilhões”, disse. Para o mercado, essa comparação ajuda a dimensionar a velocidade com que a companhia pretende ampliar sua estrutura no País.

Logística no e-commerce virou eixo da disputa

Ao ser questionado sobre como esse investimento se traduz em competitividade, André Santos foi direto ao apontar a logística como peça central no e-commerce. “Quando você olha hoje o grande motor do e-commerce brasileiro e no mundo, é a logística”, afirmou.

A fala ajuda a explicar por que a maior parte dos investimentos anunciados está ligada à operação logística. O executivo lembrou que o Mercado Livre já conta com uma estrutura ampla de colaboradores, com concentração relevante nessa frente. “Cerca de mais de 125 mil colaboradores, grande parte disso estão nos nossos centros logísticos, na nossa logística”, disse.

Dentro desse plano, a empresa pretende seguir com investimentos em automação e capilaridade. André Santos citou a operação de Cajamar, no interior de São Paulo, como exemplo do caminho adotado pela companhia.

“Quando nós olhamos para a Cajamar, aqui no interior de São Paulo, nós temos já uma operação totalmente robotizada. Vai ser para investir ainda mais nessa operação”, afirmou.

Automação, centros de distribuição e entregas mais rápidas

O plano do Mercado Livre passa também por novas unidades de fulfillment e pelo reforço da malha logística em diferentes etapas da entrega. “Vamos abrir mais fulfillment centers pelo País”, afirmou André Santos. Segundo ele, a expansão não se limita aos centros de distribuição, mas inclui o trajeto completo entre vendedor e consumidor.

Na entrevista, o executivo detalhou que a empresa continuará investindo na “primeira milha, na milha do meio e no last mile”, além da ampliação da frota e do uso de modais mais eficientes. “Continuar investindo em mais carretas, carros elétricos, sustentabilidade e as nossas aeronaves”, disse.

Ele também destacou a estrutura aérea já em operação. “Hoje, só de aeronave, a gente conta com nove”, afirmou. O objetivo, segundo o embaixador do Mercado Livre, é sustentar entregas mais rápidas em um mercado em que prazo e eficiência ganharam peso crescente na decisão de compra.

Mercado digital ainda tem espaço para crescer no Brasil

Outro ponto central da entrevista foi a leitura de que o comércio eletrônico ainda representa uma fatia pequena do varejo nacional. Para André Santos, isso ajuda a explicar por que a companhia decidiu ampliar o volume de investimento no Brasil.

“Quando a gente olha o que é comércio eletrônico hoje para o varejo, a pandemia acelerou. Nós hoje somos em torno, contando com o Mercado Livre e os demais concorrentes, e comércio eletrônico a gente não chega a 17%”, afirmou.

Na avaliação dele, esse percentual mostra que o mercado ainda está em processo de expansão e que a digitalização do varejo brasileiro segue incompleta. “17% de varejo estando no online é muito pouco”, disse.

A partir dessa leitura, o investimento passa a ser tratado como aposta em um setor com espaço para ganhar escala. “Todo esse investimento vem para ampliação e acreditando que tem muita coisa ainda para acontecer, não só no Mercado Livre, mas dentro da tecnologia no comércio eletrônico”, completou.

Criação de empregos acompanha expansão da operação

A geração de 10 mil novos postos de trabalho aparece, na fala de André Santos, como consequência direta da expansão do grupo no Brasil. Ao comentar o tema, ele relacionou o avanço do Mercado Livre à ampliação estrutural do comércio eletrônico e à necessidade de sustentar essa operação com pessoas, tecnologia e infraestrutura.

A declaração indica que a abertura de vagas não está isolada de uma agenda de crescimento operacional. Pelo contrário: ela acompanha a aposta em novos centros, automação, transporte e avanço da rede logística. Na prática, a empresa sinaliza que vê demanda suficiente para seguir ampliando presença física e digital no País.

Tecnologia no varejo deixou de ser opcional

Na parte final da entrevista, André Santos foi questionado sobre o peso da logística como diferencial competitivo e sobre os riscos de ficar para trás sem investimento em tecnologia. A resposta reforçou a visão de que o setor entrou em um novo patamar de exigência.

“Eu acho que não existe mais, depois da inteligência artificial principalmente, que não podemos parar para pensar”, afirmou. Em seguida, defendeu uma relação mais profunda entre operação e tecnologia. “Não vejo como olhar para a tecnologia de uma forma que não seja visceral”, disse.

Ao lembrar os efeitos da pandemia, o executivo associou tecnologia a acesso e continuidade de consumo. “Se não fosse tecnologia, com certeza nós não teríamos acesso à vacina, nós não teríamos acesso aos alimentos que tivemos através do Mercado Livre”, afirmou. Ele ainda completou: “Sem tecnologia não tem como”.

A fala mostra como o Mercado Livre tenta posicionar sua operação além da ideia de marketplace. Na leitura da empresa, tecnologia, logística e digitalização são partes da mesma engrenagem.

O que a entrevista mostra sobre a estratégia do Mercado Livre

As declarações de André Santos no VTEX Day 2026 ajudam a organizar a mensagem do Mercado Livre para o mercado brasileiro.

O investimento de R$ 57 bilhões não foi apresentado apenas como expansão financeira. Ele aparece como uma combinação de reforço logístico, automação, geração de empregos e aposta no potencial ainda não capturado do e-commerce no País.

Ao dizer que “o grande motor do e-commerce brasileiro e no mundo é a logística”, o executivo resume a lógica por trás do plano da companhia. A disputa no varejo digital passa por prazo, capilaridade, integração tecnológica e capacidade de operação em escala.

Para o Mercado Livre, o Brasil segue como mercado prioritário. E, pela dimensão do investimento anunciado, a empresa indica que quer ocupar mais espaço justamente no momento em que o varejo online ainda busca ampliar participação sobre o consumo total.