A análise sobre a Americanas foi feita por Carol Sanchez, analista da Levante Investimentos

- Ações da Americanas (AMER3) disparam, reacendendo o debate sobre possível recuperação, mas analistas pedem cautela.
- Resultado do 4º trimestre de 2025 e pedido de saída da recuperação judicial impulsionam ações da Americanas.
- Analistas apontam que a saída da recuperação judicial não garante a superação total das fragilidades da empresa.
- Valorização das ações da Americanas tem caráter técnico e especulativo devido ao histórico recente de pressão.
- A Americanas precisa provar que consegue crescer receita com margem, além de reduzir custos.
A disparada de mais de 12% das ações da Americanas (AMER3) reacendeu no mercado o debate sobre o início de um possível turnaround da varejista, mas a leitura ainda é de cautela.
Para Carol Sanchez, analista da Levante Investimentos, é fundamental separar fatos de narrativa antes de concluir que a empresa entrou, de fato, em uma virada estrutural.
Segundo ela, dois principais gatilhos explicam o movimento recente: o resultado do quarto trimestre de 2025 e o pedido de saída da recuperação judicial.
“O prejuízo caiu de R$ 586 milhões para R$ 44 milhões na comparação anual, e o EBITDA voltou a ser positivo. Mas o ponto mais relevante foi o pedido formal de saída da recuperação judicial, que tem um peso simbólico importante”, afirma.
Fragilidades
Apesar disso, a analista destaca que o avanço não significa que a companhia já superou suas fragilidades.
“Sair da recuperação judicial não é o mesmo que estar 100% recuperada. A Americanas ainda enfrenta um ambiente de juros altos, queda nas vendas digitais e uma base de clientes menor, além do impacto reputacional após a fraude”, diz.
Na avaliação de Sanchez, parte da forte valorização das ações também tem caráter técnico e especulativo, diante do histórico recente de pressão sobre o papel.
“O mercado reagiu a uma combinação de notícias positivas em um ativo muito descontado. Parte desse movimento reflete investidores aproveitando o momentum”, explica.
Mesmo com sinais operacionais mais positivos, como geração de caixa e melhora no balanço, a analista considera prematuro afirmar que o turnaround já começou.
“É cedo demais para cravar uma virada. O que vemos é um primeiro capítulo promissor, mas a empresa ainda precisa provar que consegue crescer receita com margem, e não apenas reduzir custos. Isso leva tempo, especialmente em um cenário macro desafiador”, conclui.