Veículo: Mundo Logística
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Data: 13/03/2026

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
Assuntos:

Varejo de moda perde até 30% das vendas por ruptura de estoque

De acordo com diretor comercial da Data System, Alex Marques, o segmento enfrenta desafios ao lidar com sazonalidade e falta de integração entre lojas.

No varejo de moda, a ruptura de estoque — situação na qual o produto não está disponível na unidade — pode resultar na perda de até 30% das potenciais vendas, segundo dados da Zalando. Esse fenômeno aparece em situações comuns do dia a dia: o cliente entra no estabelecimento, se interessa por uma peça, mas não encontra o tamanho ideal. Dessa forma, ele sai sem comprar e a empresa perde a oportunidade de negócio.

Parte desse problema está ligada à chamada grade de tamanhos. No setor de moda, não basta apenas ter o produto disponível, é preciso garantir que ele esteja na numeração procurada pelo consumidor. De acordo com o diretor comercial da Data System, Alex Marques, o “grande desafio atual do varejo é ter um equilíbrio da grade”.

Em entrevista para a MundoLogística, o executivo explicou as diferenças nos segmentos varejistas. Caso o cliente procure por um refrigerante e não encontre o desejado, ele pode escolher de uma marca semelhante no supermercado. Já na moda, essa substituição nem sempre acontece. Se o consumidor quiser um calçado específico no tamanho 36 e não tiver, ele possivelmente não levará outro.

“Na moda, a grade tem a questão do tamanho, e isso é fundamental para definir a dinâmica de pedidos e de reposição de estoque. Entender bem essa classificação dentro do sistema é muito importante para o varejo”, destacou.

VAREJO DE MODA E SAZIONALIDADE

Além da grade de tamanho, o estoque desse segmento é abastecido de uma maneira diferente de outros setores. No varejo da moda, é preciso comprar as coleções com meses de antecedência, prevendo fatores como clima, tendências e comportamento do consumidor. Assim, os varejistas precisam estimar a demanda muito antes de os produtos chegarem às prateleiras.

Essa antecipação aumenta o risco de problemas no estoque. “No varejo de moda, o produto tem validade. Então, a dinâmica basicamente é: o lojista está no verão comprando o produto para o inverno, na expectativa de que, no inverno, realmente faça frio”, esclareceu Marques.

Segundo o executivo, quando o produto chega às lojas, a prioridade do varejista é garantir o maior giro possível com a melhor margem. Por isso, há algumas técnicas utilizadas pelos lojistas, como o repasse dos produtos para outras unidades da rede, descontos e até liquidações. A ideia, explicou Marques, é “virar a coleção” e ter espaço para a chegada dos produtos novos da próxima estação.

OUTRAS ESPECIFICADES

Na entrevista, o diretor comercial da Data System listou outros problemas do varejo de moda que resultam em rupturas ou excesso de produtos no estoque. Um deles é o fato que as redes acabam tratando cada unidade como um pequeno centro de distribuição, dificultando a gestão centralizada e a movimentação eficiente das mercadorias entre as lojas.

Outro desafio está na falta de integração entre estoques. Esse ponto pode dificultar ainda mais uma venda, já que o varejista pode ter o produto em outra unidade, mas sem os dados integrados, ele perderá outra venda.

“[Isso acontece] quando recebo um cliente que precisa de uma numeração específica e eu não tenho na minha loja, mas posso ter em outra unidade ou no centro de distribuição. Assim, ter essa integração e a acuracidade desse estoque é imprescindível para converter a venda”, descreveu.

Problemas operacionais também contribuem para esses problemas de estoque. Entre eles estão a falta de consistência na realização de inventários, o longo intervalo entre as contagens de produtos e a constante movimentação de mercadorias, como no caso de trocas e devoluções.

COMO MUDAR ESSE CENÁRIO?

Diante de um estoque desequilibrado, a tecnologia surge para uma gestão mais eficiente do varejo de moda. Para Marques, a integração dos dados em um sistema com motor de análise e inteligência permite identificar oportunidades e riscos.

“O sistema mostra quais são as oportunidades de remanejar o estoque para melhorar o giro dos produtos. Ele também revela os riscos com os itens que estão parados e precisam de uma estratégia rápida. O sistema aponta para o lojista de forma integrada e agiliza a tomada de decisão”, disse.

Softwares de gestão, como os desenvolvidos pela Data System, buscam simplificar o varejo de moda. A EDMAIS, rede com mais de 90 lojas nos segmentos de calçados, confecções e cama, mesa e banho, é um dos casos de sucesso da empresa.

Segundo a companhia, a rede adotou uma gestão unificada em um único sistema, com dados mais precisos para apoiar a tomada de decisões. A ferramenta trouxe mais segurança para a operação e já foi responsável pela recuperação de R$ 500 mil, reconhecendo divergências de fraudes de cartão e identificando fraude em um ponto de venda.

No entanto, o executivo ainda destacou que a qualidade dos dados é um dos fatores mais importantes para melhorar a gestão do setor. “Hoje uma das maiores dificuldades não é ter dados, mas ter dados corretos, estruturados e categorizados da forma adequada”, ressaltou.