Empresas buscam renegociar dívidas com credores fora da Justiça; especialistas explicam como funciona o mecanismo e o que distingue as situações das duas empresas.
Por Redação g1 — São Paulo
11/03/2026 10h01 Atualizado há uma hora
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Raízen e Grupo Pão de Açúcar (GPA) entraram com pedidos de recuperação extrajudicial.
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As duas empresas recorreram ao mecanismo com o objetivo de renegociar dívidas com credores, reestruturar passivos e reforçar o caixa.
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Embora atuem em setores diferentes, os casos chamam atenção pelo porte das companhias e pelo volume de dívidas envolvido.
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A recuperação extrajudicial é um mecanismo legal que permite à empresa em crise financeira renegociar uma parte específica de suas dívidas.
No intervalo de dois dias, duas grandes empresas brasileiras entraram com pedidos de recuperação extrajudicial: o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Raízen, companhia líder na produção de açúcar e etanol no Brasil e fruto de uma parceria entre o grupo Cosan e a Shell.
As duas empresas recorreram ao mecanismo com o objetivo de renegociar dívidas com credores, reestruturar passivos e reforçar o caixa. Embora atuem em setores diferentes, os casos chamam atenção pelo porte das companhias e pelo volume de dívidas envolvido.
- A recuperação extrajudicial é um acordo no qual a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça. O objetivo é obter mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como o risco de falência.
Abaixo, o g1 explica ambos os casos e como funciona uma recuperação extrajudicial:
Caso Raízen
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Raízen — Foto: Divulgação
A Raízen anunciou nesta quarta-feira (11) que entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo, em meio às negociações com credores para reestruturar suas dívidas e reforçar o caixa.
Segundo a empresa, o plano foi estruturado em acordo com seus principais credores quirografários – aqueles que têm valores a receber, mas não possuem garantias específicas, como imóveis ou outros bens dados como garantia da dívida.
O objetivo é criar um ambiente jurídico mais seguro para reorganizar as dívidas financeiras do grupo, que somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devidos entre empresas da própria companhia.
De acordo com a Raízen, o plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia, percentual suficiente para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial.
A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para ampliar a adesão de credores ao plano e alcançar o percentual mínimo exigido para que a Justiça homologue a proposta. Com a homologação, o plano passa a valer para todos os titulares dos créditos incluídos na negociação.
Entre as medidas previstas estão injeção de recursos pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em ações, alongamento de prazos de pagamento e eventual venda de ativos.
A companhia afirmou ainda que o processo tem escopo apenas financeiro e não inclui dívidas com clientes, fornecedores, revendedores ou outros parceiros comerciais, que continuarão sendo pagos normalmente.
A empresa de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis enfrenta pressão financeira após ver sua receita diminuir e a dívida líquida atingir R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro, segundo dados divulgados anteriormente.
Nos últimos dias, a controladora Cosan já indicava que uma solução para a situação da companhia poderia ser anunciada em breve, segundo informações da Reuters.