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Data: 10/03/2026

Editoria: L-Founders, Pão de Açúcar
Assuntos:

GPA (PCAR3): ação cai forte após anúncio de plano de recuperação extrajudicial

JPMorgan seguiu com recomendação equivalente à venda para os ativos ao levar em conta os desafios operacionais

Equipe InfoMoney

10/03/2026 10h39 • Atualizado 33 minutos atrás

Ativos mencionados na matéria

(Divulgação: GPA)
(Divulgação: GPA)

O Grupo Pão de Açúcar (GPA – PCAR3) protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais; em meio a essa notícia, às 10h25 (horário de Brasília) desta terça-feira (10), as ações caíam 6,96%, a R$ 2,54.

Em entrevista ao Broadcast, o presidente da companhia, Alexandre Santoro, apontou que a medida conta com adesão de 46% dos credores. Segundo o fato relevante divulgado nesta terça, o plano abrange obrigações financeiras “sem garantia” que não constituem compromissos correntes ou operacionais da companhia.

Com apenas dois meses de casa, o CEO afirmou que o objetivo é reorganizar o perfil de endividamento da companhia sem afetar a operação do negócio. “Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedor, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente”, disse.

O executivo acrescentou que a decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, que reúne acionistas que representam cerca de 70% das ações da companhia. “Apesar do curto tempo que estou na companhia, essa agenda está alinhada à minha experiência e ao mandato de ajudar os acionistas a resolver alguns problemas estruturais”, afirmou.

O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, que assumiu o cargo na semana passada, afirmou que parte do passivo inclui vencimentos de curto prazo. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho.

Albuquerque ressaltou que o processo não inclui passivos trabalhistas ou tributários. Segundo ele, essas obrigações seguem sendo tratadas separadamente pela companhia e não fazem parte do perímetro da recuperação extrajudicial. O executivo também afirmou que a medida não tem relação com discussões antigas envolvendo a operação do Assaí.

Com o protocolo do pedido, a empresa terá um período de 90 dias para avançar nas negociações com os credores, durante o qual as obrigações com os credores afetados ficam suspensas.

“Temos esse prazo para concluir a negociação e chegar às condições definitivas da reestruturação”, disse o CFO. Para a homologação do acordo, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.

No último balanço, o GPA divulgou que a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, somou R$ 2 bilhões ao final de 2025, aumento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no fim de 2024.

A companhia convocou uma assembleia de acionistas para 27 de março para discutir, entre outros temas, a possível retirada da poison pill (cláusula de proteção) da companhia, o que poderia facilitar um aumento de capital pelos novos acionistas de referência sem disparar uma oferta pública de aquisição (OPA).

O JPMorgan ressaltou que, com as ações sendo negociadas a 5,4 vezes o múltiplo de valor da firma (EV)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), segue com recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para PCAR3 em meio a um cenário desafiador em termos operacionais e de alavancagem, embora veja de forma positiva os esforços anunciados para reestruturar a dívida e sustentar a continuidade dos negócios.

Olhando para frente, Gustavo Moreira, especialista em Investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, aponta esperar no curto prazo bastante volatilidade nas ações.

Em situações de recuperação extrajudicial, normalmente o mercado reage com cautela, porque aumenta a incerteza sobre o valor da empresa e sobre possíveis diluições ou renegociações com credores.

“Esse movimento já vinha acontecendo, com o papel registrando quedas expressivas e forte oscilação conforme surgiam notícias sobre dívidas e negociações com credores. Na minha avaliação, os próximos dias devem ser marcados por movimentos especulativos e reprecificação do risco”, avalia.

Para o especialista, investidores institucionais tendem a reduzir exposição, enquanto parte do mercado pode buscar oportunidades de curto prazo. “A direção mais consistente do papel provavelmente vai depender da clareza sobre o plano de reestruturação, o tamanho do passivo que será renegociado e a capacidade da companhia de voltar a gerar caixa”, conclui.