A popularização de medicamentos para o tratamento de obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras, deve mudar os comportamentos de consumo e seus efeitos serão sentidos em restaurantes, nos supermercados e em lojas de roupas, com consequências sobre toda a cadeia.
Segundo Alessandra Andrade, diretora-presidente da SP Negócios, agência de promoção de investimentos da capital paulista, essa tendência foi destaque durante conversas e palestras no evento anual da NRF (National Retail Federation), ao lado da inteligência artificial e da integração entre físico e virtual.
Realizada em Nova York todos os anos, a feira é o mais relevante evento do varejo e mobiliza dezenas de comitivas e eventos paralelos. A edição deste ano terminou nesta terça (13) e recebeu cerca de 2.500 brasileiros em busca de referências, novidades, possíveis negócios e aquilo que se consolida como tendências
Entra elas, uma das principais foi o impacto de medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. “Isso está mudando as porções do restaurante, está mudando a escolha dos clientes no supermercado, as quantidades, a qualidade, fazendo com que a cadeia inteira tenha que se adaptar”, disse Andrade.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou em novembro um acordo para baratear esses medicamentos. Por lá, a expectativa de que mudanças no comportamento do consumidor se disseminem em breve é maior.
“A gente tem visto isso no dia a dia aqui. Sempre que você vai a um evento, alguém fala ‘já estou satisfeita, estou tomando medicamento'”, afirmou Andrade, que conversou com a coluna de nova York.
O impacto dos medicamentos para tratamento da obesidade ocupou, na NRF, o mesmo de espaço de temas como a consolidação no uso da inteligência artificial, a mudança na vocação dos shoppings para espaços de socialização e a chegada das gerações Z e alpha ao mundo do consumo –e o que eles querem de lojas, drogarias e supermercados.