Plataforma asiática é alvo de protestos após denúncias de vendas de bonecas sexuais de aparência infantil
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A Shein inaugura nesta quarta-feira, em Paris, sua primeira loja física e permanente no mundo com um importante esquema policial, em meio à intensificação da controvérsia sobre a venda de bonecas sexuais com aparência infantil por parte do gigante asiático do comércio eletrônico.
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Agentes da polícia de choque guardavam o centro da capital francesa no momento em que a Shein se preparava para abrir, às 14h00 no horário local, sua primeira loja física no sexto andar dos históricos grandes armazéns BHV.
Várias pessoas já aguardavam em fila pela abertura, enquanto ativistas pelos direitos das crianças protestavam nas imediações. “Protejam as crianças, não a Shein”, dizia um dos cartazes.
Os manifestantes também distribuíram panfletos denunciando o “suposto trabalho forçado”, a “poluição” e a “superprodução” da moda promovida pela Shein, além de convocarem o público a assinar uma petição contra a loja.
A Shein enfrenta críticas pelas condições de trabalho em suas fábricas e pelo impacto ambiental de seu modelo de negócios de fast-fashion. Políticos, sindicatos e grandes marcas questionaram sua chegada à França.
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Poucos dias antes da inauguração, surgiu uma nova polêmica devido à venda, na plataforma, de bonecas sexuais com aparência infantil, o que reacendeu as críticas.
Em razão da venda desse tipo de boneca, a Promotoria de Paris abriu investigações contra a Shein e também contra as varejistas on-line concorrentes AliExpress, Temu e Wish.
As investigações concentram-se na “divulgação de mensagens violentas, pornográficas ou contrárias à dignidade, acessíveis a menores”, informou o Ministério Público.
A imprensa francesa publicou a foto de uma das bonecas vendidas na plataforma, acompanhada de uma legenda explicitamente sexual.
A boneca mostrada tinha cerca de 80 centímetros de altura e segurava um ursinho de pelúcia.
‘Falha’ em processos
A Shein, fundada na China em 2012, mas atualmente com sede em Cingapura, comprometeu-se a “cooperar plenamente” com as autoridades judiciais francesas e anunciou que está impondo uma proibição total à venda de bonecas sexuais.
Seu porta-voz na França, Quentin Ruffat, atribuiu a venda das bonecas a “uma falha” em seus processos e na governança da empresa.
Frédéric Merlin, diretor de 34 anos da SGM, que opera o BHV, admitiu na terça-feira que chegou a considerar o cancelamento da parceria com a Shein após o último escândalo, mas depois mudou de ideia.
Merlin disse confiar nos produtos da Shein que serão vendidos em seus grandes armazéns e denunciou uma “hipocrisia geral” em torno do gigante asiático.
—Shein tem 25 milhões de clientes na França — destacou Merlin aos meios de comunicação BFMTV e RMC nesta quarta-feira.
A ascensão meteórica da Shein tem sido um problema para as empresas tradicionais de moda varejista. Seus críticos temem que elas sejam ainda mais prejudicadas e obrigadas a demitir funcionários ou fechar as portas.
A Shein também planeja abrir cinco lojas em outras cidades francesas, como Dijon, Grenoble e Reims.