Mais do que adornos, joias carregam história, emoção, identidade e, acima de tudo, permanência. O fascínio das joias é permanente, mas também é mutável ao longo do tempo. Na Pré-História, os acessórios funcionavam como proteção; na Antiguidade, representavam o desenvolvimento das sociedades; na Idade Média, assumiram um forte caráter religioso. “Hoje, combinam quase todos esses significados: tradição, status social, simbolismo emocional”, analisa Natalia Vargas, especialista em tendências na WGSN na América Latina, bureau que tem observado comportamentos – atuais e futuros – dentro da joalheria.
“Um deles é pensar no design funcional além do estético: joias ergonômicas e lúdicas, que podem ser usadas como uma ferramenta de apelo sensorial, nas quais um rotativo ou dobrável pode servir como um regulador de emoções.” Outro movimento importante é pensar sobre a valorização desse investimento. Com a alta do ouro e o período de incertezas econômicas, essa dupla conduz os consumidores a pensar nas joias como investimentos seguros.
“A alta joalheria se mantém resiliente porque combina herança e atemporalidade, o que faz com que seu prestígio simbólico seja preservado. É um nicho de mercado que consegue ter vertentes diferentes acontecendo ao mesmo tempo. Cartier com sua expertise secular, Van Cleef com sua estética delicada, Tiffany como um clássico icônico da joalheria tradicional”, observa Natalia. As coleções mais recentes das grandes maisons foram apresentadas nos últimos dois meses em cenários deslumbrantes como Quioto, Paris, Londres e Maiorca e mostram como tradição, legado e herança seguem entrelaçados nesse universo de brilho e poder simbólico. Entre as tendências que marcaram a temporada, destacam-se as pedras incomuns – espinélios, granadas verdes, opalas raras – e o uso poético da natureza como inspiração, além das transformable jewels, que acompanham o estilo de vida versátil da nova geração de consumidores.
Entre as maisons mais tradicionais do planeta, a Cartier reinterpretou, para a temporada, um de seus códigos mais icônicos – a pantera, símbolo de força e elegância. “Criar uma linha distinta a partir da sobriedade é o paradoxo da simplicidade sofisticada. É a arte de olhar as coisas de forma diferente, mas também de equilibrá-las com precisão”, diz Jacqueline Karachi, diretora de criação de alta joalheria da marca. “O desafio na alta joalheria de Cartier está na transcrição técnica da intenção estética original. Tudo depende da precisão e da maestria de nossos artesãos, que dão vida a peças excepcionais e carregadas de emoção”, acrescenta Alexa Abitbol, diretora das oficinas de alta joalheria.
A não menos tradicional Chanel buscou inspiração em uma frase de sua criadora, Gabrielle Bonheur “Coco” Chanel (1883-1971): “Se você nasceu sem asas, não faça nada para impedi-las de crescer.” A coleção Reach for the Stars une opulência e leveza com joias em preto e branco ou pedras coloridas, inspiradas em símbolos como cometas, asas e leões. Destaque para o colar Twin Stars, que se transforma em pulseiras e colares, combinando diamantes e tanzanitas. Em tempo: a coleção ecoa o espírito moderno da Bijoux de Diamants, lançada por Gabrielle em 1932.
Com uma abordagem mais intensa, a Bvlgari celebra a opulência italiana com sua coleção Polychroma, exaltando cores, pluralidade e formas com pedras preciosas raras. São 60 peças milionárias – o maior número já apresentado pela maison –, redefinindo os limites do luxo na alta joalheria. “A inspiração vem de uma rica tapeçaria de influências culturais, combinando sugestões artísticas e arquitetônicas de todo o mundo”, conta Lucia Silvestri, diretora criativa de joias da Bvlgari.