Veículo: Valor Econômico
Clique aqui para ler a notícia na fonte
Região:
Estado:
Alcance:

Data: 20/02/2025

Editoria: Carrefour, L-Founders, Pão de Açúcar
Assuntos:

Juros e inflação afetam estratégia de GPA e Carrefour

O cenário de alta de juros e avanço da inflação já tem impactado os projetos das grandes varejistas no país. O comando do grupo Carrefour Brasil disse ontem que deve abrir menos lojas em 2025, por conta do risco de encarecimento do custo das dívidas com a taxa Selic mais elevada. No GPA, a empresa irá reforçar a oferta de produtos “premium”, uma vez que elas sentem menos os efeitos do momento econômico mais difícil no varejo.

Os comentários foram feitos pelos executivos durante teleconferências com analistas sobre os resultados do quarto trimestre, realizadas na manhã de ontem (19).

Apesar de a inflação ter efeito positivo na receita nominal das empresas, porque inicialmente eleva esse valor, no fim das contas o impacto tende a reduzir o volume vendido. Por isso, a questão foi levantada por analistas durante a teleconferência do Carrefour.

Em outro relatório de resultados, publicado na noite de ontem pelo Assaí, a rede de atacarejo informou que a alta dos preços no quarto trimestre de 2024 até contribuiu para o desempenho das vendas “mesmas lojas” (com mais de 12 meses de operação). Isso ocorreu “mesmo diante da pressão no poder de compra e da maior competitividade entre as cadeias”, disse o Assaí

O tema deve voltar novamente nesta quinta-feira (20), durante a teleconferência da atacadista.

Sobre os planos do Carrefour, o CEO da empresa, Stéphane Maquaire, disse que em 2024 foram 19 aberturas de Atacadão e sete de Sam’s Club, já considerando nessa conta conversão de pontos da unidade de varejo, e o recuo será em cima dessa base. A empresa não informou as projeções de 2025.

“O ambiente de taxas de juros deve seguir do mesmo jeito. Então, nosso foco será desalavancar a companhia. Estamos segurando nosso fluxo de caixa e olhando com mais cuidado conversões e aberturas. A dinâmica é reduzir o número de lojas que vamos abrir”, disse ele.

Sobre inflação alimentar, Maquaire disse que o grupo tenta segurar as altas para proteger o posicionamento focado em ganhar no volume vendido, e que devem manter essa estratégia. Mas admite que não tem sido algo fácil.

“Existe essa onda de inflação, mas a empresa faz trabalho interno para equilibrar isso […]. Nossa ideia é continuar um pouco mais barato no atacarejo”, disse. “A concorrência está repassando nos produtos mais básicos e não está fácil manter”, afirmou.

De acordo com o diretor financeiro, Eric Alencar, o volume vendido está estável, e a rede tem conseguido segurar os preços fazendo compras antecipadas, outra estratégia em momentos de inflação maior.

O concorrente GPA, dono do Pão de Açúcar, disse a analistas que o grupo deve entrar com uma marca própria no segmento “premium” ainda em 2025. Esse segmento é menos impactado por variações no volume e nos preços em momentos de crise.

Segundo o presidente da empresa, Marcelo Pimentel, o consumidor de alta renda responde por mais de 70% do faturamento. “É um público que tem renda discricionária maior e acaba sendo mais resiliente ao momento econômico.”

A empresa ainda mudou o período de suas ações promocionais no braço de redes de lojas de conveniência, formado pelo Minuto Pão de Açúcar e o Extra Mercado. O prazo passou de ações semanais para mensais a partir de janeiro, o que pode contribuir para melhora da rentabilidade.

“No último trimestre, mudamos e isso não mexeu no comportamento de venda dessas lojas. O fator de conveniência é mais importante para os clientes”, disse a analistas o presidente Marcelo Pimentel.

Na teleconferência, os analistas não perguntaram a ele sobre a recuperação extrajudicial do St Marche, concorrente da empresa nas classes A e B.

O cenário de instabilidade no consumo foi mencionado pelos comandos das companhias. Segundo Maquaire, do Carrefour, dezembro foi mais fraco que janeiro, e fevereiro começou bem positivo. Pimentel, do GPA, também afirmou que a operação sentiu a desaceleração no último mês do ano, mas que janeiro e fevereiro vieram mais fortes.