Veículo: Valor Econômico
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Data: 10/07/2026

Editoria: L-Founders
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Varejistas usam IA para prever demanda e acelerar entregas

Empresas de varejo estão mudando suas operações logísticas com o uso de inteligência artificial. Em vez de esperar o consumidor fazer a compra para movimentar mercadorias, companhias como Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza e Shopee usam modelos de IA para prever a demanda, distribuir estoques antecipadamente nos centros de distribuição e reorganizar rotas de entrega para reduzir os prazos.

O diretor sênior de logística do Mercado Livre, Luiz Vergueiro, diz que a inteligência artificial já orienta as principais decisões da operação logística da companhia. Os modelos analisam histórico de vendas, comportamento do consumidor e características de cada região para prever a demanda e posicionar produtos nos centros de distribuição mais próximos dos compradores.

O diretor sênior de logística do Mercado Livre, Luiz Vergueiro, diz que a inteligência artificial já orienta as principais decisões da operação logística da companhia. Os modelos analisam histórico de vendas, comportamento do consumidor e características de cada região para prever a demanda e posicionar produtos nos centros de distribuição mais próximos dos compradores.

“Para prever as vendas futuras de cada item, garantimos via IA que o produto escolhido seja armazenado no centro de distribuição mais próximo do endereço do comprador. Também estimamos a demanda por produtos específicos em cada região, criamos rotas de distribuição eficientes e prevemos quando as entregas chegarão a cada endereço”, afirma Vergueiro.

O Mercado Livre opera com mais de 500 robôs em seus centros de distribuição, utilizados na separação de pedidos, movimentação de produtos e organização dos estoques. Segundo a empresa, a automação reduziu em até 20% o tempo de processamento dos pedidos e aumentou em até 15% o aproveitamento do espaço dos armazéns.

Parte do plano de investimentos de R$ 57 bilhões anunciado pelo Mercado Livre para o Brasil neste ano será destinada ao fortalecimento da malha logística, à expansão da capacidade operacional e ao avanço tecnológico da companhia.

Para Guilherme Fuhrken, gerente de vendas corporativas da Nvidia para a América Latina, “a discussão deixou de ser se vale a pena investir em IA e passou a ser como escalar essas aplicações da forma mais eficiente possível.”

A estratégia de antecipar a demanda também está presente na Amazon. Segundo Carol Novaes, executiva de finanças da empresa no Brasil, a varejista utiliza modelos preditivos para estimar a procura por produtos com até três meses de antecedência, posicionando os itens nos centros logísticos antes da compra e recalculando rotas em tempo real para reduzir os custos da última milha – quando o produto é entregue ao consumidor.

“Utilizamos inteligência artificial e modelos preditivos para antecipar a necessidade desses produtos com até três meses de antecedência. Ao posicionar o item certo no centro logístico mais próximo do cliente antes mesmo da compra, reduzimos significativamente o custo de última milha”, diz Novaes.

A Amazon informa ter investido mais de R$ 75 bilhões no Brasil desde 2011, dos quais R$ 19 bilhões em 2025. Atualmente, opera mais de 300 centros logísticos distribuídos pelos 26 Estados e o Distrito Federal.

No Magazine Luiza, a IA também é usada para prever demanda, distribuir estoques e definir rotas de entrega. Segundo o grupo, o Magalog, braço logístico criado em 2024, atende todas as empresas do ecossistema Magalu e mais de 100 clientes externos. Os pedidos desses clientes cresceram 60% em 2025 e hoje representam 40% das entregas da operação. Nos últimos cinco anos, a empresa investiu mais de R$ 1 bilhão em infraestrutura logística e tecnologia.

A Shopee informou que usa IA para otimizar rotas, planejar operações, monitorar entregas e prever os prazos de entrega. Segundo Tiago Freddi, coordenador de logística da Shopee, a tecnologia também é aplicada na recomendação de produtos aos consumidores.

Fora do Brasil, Amazon, Walmart, Cisco, Uber e Meta estão entre as empresas que desencorajam o uso excessivo da IA ou incentivam os funcionários a usar modelos mais baratos, numa tentativa de manter os gastos com IA sob controle, informou o Financial Times. A mudança marca uma nova fase de adoção da IA pelas empresas. Com os funcionários indo além dos chatbots e passando a usar agentes de IA capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma – mas que exigem muito mais poder de computação -, as empresas estão sendo forçadas a analisar com mais rigor se cada consulta e tarefa justificam o custo.