A família Muffato, controladora de uma das maiores redes supermercadistas do Brasil, tornou-se acionista relevante do Assaí ao adquirir cerca de 11% do capital da companhia. O movimento, que pegou parte do mercado de surpresa, levanta questões sobre os objetivos estratégicos por trás da participação em uma das líderes do atacarejo nacional. Com faturamento próprio de R$ 20,3 bilhões, os Muffato operam com baixíssimo endividamento e forte presença imobiliária, o que sugere que a aposta no Assaí pode ser mais do que um simples investimento financeiro.
O grupo paranaense, fundado originalmente como um pequeno balcão de secos e molhados em Cascavel, no oeste do Paraná, construiu sua trajetória de crescimento com capital próprio e uma gestão enxuta. A holding familiar, que hoje emprega milhares de funcionários, mantém uma cultura de dono que já alcança a segunda geração. A entrada no capital do Assaí representa um movimento ousado, mas alinhado ao histórico de expansão calculada da família.
Origens e ascensão no varejo paranaense
A história dos Muffato remonta aos anos 1960, quando a família migrou para Cascavel e abriu o primeiro comércio. Em 1974, Tito Muffato e seu irmão Pedro fundaram a Irmãos Muffato, operando sob a bandeira Mufatão. Dois anos depois, a decisão de expandir para Foz do Iguaçu, durante a construção da usina de Itaipu, foi considerada pelos irmãos Ederson e Everton como o maior ponto de inflexão do grupo. Em cerca de uma década, a rede saltou de uma pequena loja para 12 unidades, com operações no agronegócio e até uma emissora de televisão.
No final dos anos 1980, Tito decidiu dissociar-se do irmão para preparar os três filhos – Ederson, Everton e Eduardo – para a sucessão. Na cisão, Pedro ficou com a bandeira Mufatão, enquanto Tito criou o Super Muffato, que rapidamente se consolidou como uma das maiores redes do Paraná. A tragédia veio em 1996, quando Tito morreu em um acidente aéreo. Os filhos, então com idades entre 15 e 18 anos, assumiram o comando de uma empresa com oito lojas, 800 funcionários e faturamento de R$ 86 milhões. A mãe, Rosa Reni, teve papel crucial na transição.