O Grupo Boticário fechou 2025 com mais de 4 mil lojas físicas em mais de 40 países e dois dos maiores e-commerces de beleza do Brasil, segundo dados do Relato Integrado 2025 da companhia, que reúne resultados financeiros e socioambientais do período.
De acordo com a empresa, 65% da dívida corporativa do grupo está atrelada a metas ESG, por meio dos chamados Sustainability-Linked Bonds (SLBs), títulos cuja remuneração varia conforme o desempenho em indicadores socioambientais. Entre 2020 e 2025, foram quatro emissões nesse formato, totalizando R$ 5,775 bilhões.
O grupo também desenvolveu uma metodologia própria para medir o retorno financeiro desses investimentos, batizada de ROI ESG.
Avanços apresentados
Na gestão de resíduos, a empresa afirma ter atingido 96% de reciclagem de resíduos industriais e logísticos, superando a meta de 95% prevista para 2030.
No consumo de água, houve redução de 9% por tonelada de produto em relação a 2022, com o objetivo de chegar a 25% até o fim da década. Já o uso de água de reúso nas fábricas chegou a 36%, com meta de 90%.
Na área de biodiversidade, o grupo afirma que 98% de seus produtos já são veganos, com objetivo de alcançar 100% em 2026. Não realiza testes em animais desde 2000.
No campo social, diz ter gerado mais de 360 mil oportunidades de capacitação em 2025, principalmente pelo programa Empreendedoras da Beleza, voltado à formação profissional de mulheres, totalizando 789 mil desde 2022.
Onde o grupo ainda patina
Os resultados positivos convivem com lacunas relevantes, que o próprio relatório reconhece.
O maior gargalo está nas emissões indiretas, o chamado Escopo 3, que engloba fornecedores, matérias-primas, embalagens e transporte. A meta é reduzir 17% dessas emissões até 2030, mas o avanço registrado em 2025 foi de apenas 2%.
Enquanto a reciclagem dos resíduos industriais supera a meta, o uso de materiais reciclados nos próprios produtos fica muito aquém do objetivo. A empresa quer chegar a 30% de conteúdo reciclado até 2030; em 2025, o índice foi de 6%. O grupo atribui o atraso ao crescimento da operação e às dificuldades na cadeia de fornecimento de vidro e plástico.