O investidor Silvio Tini disse ao Valor que pretende resgatar a história do GPA, dono dos supermercados Pão de Açúcar, tradicional varejista de alimentos fundada pela família do empresário Abilio Diniz.
Tini elevou sua participação no GPA de 24,5% para 25,795% por meio da Bonsucex Holding e ações próprias, e se tornou o principal acionista da varejista, ultrapassando a família Coelho Diniz, de Minas Gerais, que também atua no setor supermercadista. O investidor começou a montar posição na rede nos últimos meses.
Os Coelho Diniz e associados detinham 24,875% do GPA, a partir das participações iguais dos irmãos Alex, André Luiz, Fábio, Henrique e Helton, em posição pública até o dia 1º de junho.
O terceiro maior grupo acionista é a Segisor, ligada ao Casino, ex-controlador do GPA, que detinha 20,367% da companhia no início de junho. Informações mais recentes da composição acionária do grupo indicam que cerca de 30% dos papéis do GPA fazem parte do chamado “free float” — ou seja, estão em circulação na bolsa.
Nesta quinta-feira (18), as ações da rede fecharam em alta de 7,14%, cotadas a R$ 1,80, segundo levantamento do Valor Data. No ano, a queda é de 52,6%. O valor de mercado da varejista é de R$ 885,5 milhões.
Tini disse que não está associado com outros acionistas na operação do Pão de Açúcar e que não tem relação próxima com a família Coelho Diniz. Mas, segundo o investidor, um acionista com experiência no varejo, caso da família mineira, é importante para a rede de supermercados. “Estou [na operação] com autonomia.”
“O GPA tinha excelência de qualidade durante a gestão nas mãos da família fundadora e era um dos principais grupos do país. Com o controlador estrangeiro [Casino], houve um desmando geral. Para eles, era apenas um negócio”, afirmou.
Tini afirmou que tem ajudado no processo de negociação com os credores, e que esta foi e tem sido uma fase muito importante para resgatar a varejista de alimentos.
O GPA segue avançando na implementação de seu plano de recuperação extrajudicial, que envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.
Questionado pela reportagem sobre potenciais mudanças na gestão da varejista, Tini disse que o “management” deverá ser mantido, uma vez que teve mudanças recentes. Ele ressaltou que o grupo operava de forma muito inchada e, como exemplo, citou que o quadro da sede da rede contava com cerca de 2.700 pessoas e agora tem cerca de 700 a 800 no total.
Até segunda-feira (15), qualquer elevação de participação para mais de 25% dispararia a chamada cláusula de “poison pill”, gatilho que obrigaria o acionista a fazer uma oferta por toda a companhia.
Entretanto, esse instrumento foi excluído em assembleia geral extraordinária, com apoio de todos os principais sócios do negócio. Conforme o Valor informou naquela data, Tini era um dos principais interessados na ampliação da fatia.
O investidor tem exposição em importantes empresas, como Alpargatas e Gerdau.
O GPA tem enfrentando dificuldades financeiras nos últimos anos e foi alvo de interesse do empresário Nelson Tanure, que tentou costurar uma fusão com a rede Dia no ano passado.