Os brasileiros gastaram aproximadamente R$ 130 bilhões em plataformas asiáticas de comércio eletrônico ao longo de 2025, valor equivalente a cerca de R$ 356 milhões por dia. O cálculo faz parte do Panorama do Varejo Digital, estudo elaborado pela Klavi em parceria com a EY.
O levantamento analisou AliExpress, Kwai Shop, Shein, Shopee, TikTok Shop e Temu, reunindo informações obtidas por meio do Open Finance, dados públicos tratados pela EY e entrevistas com profissionais do mercado.
Plataformas ganham espaço com compras menores e frequentes
Entre o primeiro e o quarto trimestre de 2025, a participação das empresas asiáticas entre os grupos analisados avançou de 32% para 41,5%. No mesmo período, o conjunto formado por Amazon, Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza e Mercado Livre recuou de 67,5% para 58%.
O modelo de consumo também apresenta diferenças. O tíquete médio registrado nas plataformas asiáticas ficou em R$ 84,14, enquanto nas empresas tradicionais alcançou R$ 212,84. Em contrapartida, a frequência média foi maior no primeiro grupo: 0,97 transação por mês, ante 0,65 nas concorrentes consolidadas.
Isenção federal pode ampliar disputa no comércio eletrônico
A competição ganhou um novo elemento em 12 de maio de 2026, quando o governo federal zerou novamente o Imposto de Importação para compras de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas certificadas pelo Programa Remessa Conforme. A mudança não representa isenção total, pois o ICMS estadual, com alíquotas entre 17% e 20%, continua sendo cobrado.
A tributação havia alterado o comportamento dos consumidores. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria mostrou que a parcela de compradores que abandonaram pedidos internacionais por causa do Imposto de Importação subiu de 13% para 38% entre maio de 2024 e outubro de 2025.
Apesar dos valores individuais mais baixos, a recorrência das compras pode comprometer o orçamento quando as despesas não são acompanhadas. Com a retirada do imposto federal nas encomendas de menor valor, os próximos levantamentos deverão indicar se as plataformas asiáticas ampliarão ainda mais sua participação no comércio eletrônico brasileiro.