Redação
A recente debandada do capital estrangeiro e a proximidade das elei??es de outubro colocaram o Ibovespa em compasso de espera, mas o JPMorgan enxerga nessa corre??o a oportunidade ideal para remodelar as carteiras, segundo relat?rio divulgado no ?ltimo domingo (7).
Em um cen?rio onde os juros altos devem segurar a recupera??o das empresas ligadas ao consumo dom?stico, os analistas defendem que a melhor estrat?gia ? buscar abrigo em teses de alta qualidade e com forte gera??o de caixa. No relat?rio, o JPMorgan redesenhou o mapa do mercado nacional, separando os setores que se tornaram pechinchas daqueles que continuam pressionados pela macroeconomia.
Ap?s um in?cio de ano forte com entradas de R$ 69 bilh?es, o mercado acion?rio brasileiro sofreu uma corre??o devido ao enfraquecimento dos fluxos. ?Os fluxos t?m sido mais fracos nas sa?das dos mercados, levando a uma corre??o desde meados de abril?, diz o relat?rio.?
Apesar de 40% das entradas tenham deixado o mercado, o montante atual de R$ 35 bilh?es no acumulado do ano ainda mant?m a ideia de um dos melhores per?odos hist?ricos em termos de fluxos estrangeiros.
Leia tamb?m Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa reduz ganhos e opera acima dos 169 mil pontos Bolsas dos EUA passam a cair com perda de for?a de a??es de tecnologia Ibovespa despenca de quase 200 mil para 169 mil: at? onde pode ir a baixa? Mesmo com recupera??o pontual nesta ter?a, ?ndice segue pressionado por juros, fluxo estrangeiro, risco fiscal e ru?dos eleitorais
O calend?rio eleitoral de outubro adicionou uma forte instabilidade ao mercado financeiro, fazendo com que o ?ndice MSCI Brazil registrasse uma retra??o absoluta de 6,5% no bimestre composto por abril e maio.
Diante disso, as taxas de juros surgem como o principal entrave para a retomada dos segmentos dom?sticos em m?dio prazo. ?No ambiente dom?stico, as taxas de juros podem n?o cair t?o rapidamente quanto o esperado atualmente?, diz o relat?rio.
Al?m disso, essa desvaloriza??o resultou em uma compress?o de m?ltiplos mais intensa, fazendo com que o ?ndice MSCI Brazil passasse a ser negociado a 7,8 vezes o pre?o sobre lucro projetado para os pr?ximos 12 meses. Para o consolidado de 2026, a proje??o indica um salto de 36% nos lucros corporativos totais no Brasil, seguido por uma expans?o de 5% em 2027. No universo das empresas de menor capitaliza??o, o JPMorgan recomenda cautela. ?As small caps exigem uma abordagem seletiva, pois n?o est?o particularmente baratas?, diz o relat?rio.
Quais setores est?o mais atrativos?
O JPMorgan dividiu os setores entre aqueles que est?o atraentes (+), os que est?o pouco atrativos (-) e os que possuem vis?o neutra (=) em meio ? corre??o recente:
Setores atrativos
Financeiro ? Bancos: O segmento apresenta um perfil de risco e retorno atraente, com proje??o de expans?o de 17% nos lucros corporativos at? o final do ano. O banco de investimentos prefere a aloca??o em institui??es privadas de alta qualidade, minimizando os receios sobre o avan?o da inadimpl?ncia (NPL). As prefer?ncias de compra na categoria s?o o Ita? (ITUB4) e o Nubank (ROXO34).
Petr?leo: O posicionamento favor?vel ? baseada na cota??o est?vel do petr?leo Brent na casa de US$ 96 por barril e na condi??o do pa?s como exportador l?quido. ?Os pre?os mais altos do petr?leo tendem a funcionar atrav?s de dois canais?, afirmam os analistas.
A Petrobras (PETR4) atua como a grande ?ncora de liquidez do setor, enquanto a PRIO (PRIO3) ? o principal destaque entre os operadores independentes de explora??o e produ??o (E&P). No segmento de refino e distribui??o, o JPMorgan indica a Vibra Energia (VBBR3) e a Ultrapar (UGPA3).
Materiais b?sicos: A valoriza??o global do n?quel, do cobre e do ouro configura-se como o motor de crescimento do segmento, impulsionando mineradoras como Vale (VALE3) e Aura Minerals (AURA33). Na siderurgia, a Gerdau (GGBR4) lidera as prefer?ncias entre os analistas por sua diversifica??o geogr?fica, enquanto a Usiminas (USIM5) destaca-se como uma opera??o t?tica de compra. Em papel e celulose, o banco v? a Suzano (SUZB3) como a melhor alternativa de curto prazo.
Leia tamb?m Pa?s tem tempo para evitar veto da UE com a??o de governo e ind?stria, diz CEO da JBS Para ele, o principal desafio n?o est? no cumprimento dos requisitos pelas empresas exportadoras, mas na necessidade de certifica??es oficiais emitidas pelo governo brasileiro
Utilities: O setor passou a negociar sob avalia??es patrimoniais atrativas, entregando taxas internas de retorno (TIR) vantajosas. Na gera??o de energia, o banco aponta vantagens em companhias dotadas de portf?lios flex?veis, que combinam fontes h?dricas e t?rmicas para mitigar riscos clim?ticos. A Copel (CPLE3) concentra a prefer?ncia por aliar efici?ncia regulada a dividendos consistentes.
Setores pouco atrativos
Bens de Capital: O segmento apresenta uma din?mica mista entre companhias exportadoras favorecidas pelo c?mbio e ind?strias dependentes da atividade interna. Mesmo com a produ??o de bens de capital esbo?ando rea??o com linhas de cr?dito subsidiadas pelo BNDES, a institui??o financeira prefere manter cautela.
?No geral, pensamos que o setor carece de catalisadores amplos; at? que haja uma dire??o mais clara sobre os pre?os do petr?leo, tend?ncias do d?lar e macroeconomia dom?stica, preferimos ficar ? margem?, diz o documento. O banco destaca Embraer (EMBJ3), Marcopolo (POMO4) e Randoncorp (RAPT4), mantendo vis?o cautelosa em WEG (WEGE3) pelo valuation esticado.
Transportes: O encarecimento do petr?leo imp?e restri??es de margem operacional para as companhias de avia??o civil via combust?vel, enquanto o ritmo gradual de cortes na Selic moderou os ventos favor?veis para locadoras e concession?rias. O JPMorgan limita a exposi??o ao setor, mantendo recomenda??es de compra em Motiva e Localiza (RENT3), enquanto a Rumo (RAIL3) ? vista como um ativo de risco atrelado a gargalos clim?ticos.
Varejo: O endividamento do or?amento familiar e a manuten??o dos juros em patamares elevados reduzem o consumo e pressionam o varejo. A prefer?ncia do banco recai sobre geradores de caixa consolidados, como a RD Sa?de (RADL3) no setor farmac?utico, e a C&A (CEAB3) em conjunto com a SmartFit (SMFT3) no segmento discricion?rio. No varejo alimentar, o Assa? (ASAI3) ? preferido em rela??o ao Grupo Mateus (GMAT3).
Leia tamb?m Min?rio tem sess?es de queda e analistas recomendam seletividade em a??es do setor Prefer?ncia do Bradesco BBI segue concentrada em Ternium e Vale Cade aprova aquisi??o de 11,9% da Oncocl?nicas por fundos controlados por Master Em abril deste ano, o tribunal do Cade concluiu que a opera??o foi consumada antes da an?lise necess?ria do ?rg?o e que deveria ser notificada mesmo posteriormente
Agroneg?cio: O ambiente para as companhias do segmento se tornou mais desafiador devido ao ciclo global de baixa nos pre?os internacionais das commodities agr?colas, que eleva custos e o risco de inadimpl?ncia. O JPMorgan prioriza balan?os patrimoniais robustos, apontando a 3tentos (TTEN3) como a melhor alternativa de aloca??o por conta de seu ecossistema diversificado.
Shopping Centers: Segundo o relat?rio, as empresas do setor atuam no mercado financeiro como ativos substitutos de t?tulos p?blicos de renda fixa, de forma que o formato da curva de juros dita o rumo das a??es em detrimento dos fundamentos operacionais de ocupa??o e aluguel.
O principal gatilho de valoriza??o projetado pelos analistas ? a consolida??o da reforma tribut?ria do imposto sobre valor agregado (IVA) a partir de 2027. A ordem de prefer?ncia ? Allos (ALOS3), seguida por Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11).
Educa??o: O fluxo de investimentos para as companhias educacionais permanece paralisado, dependendo de um al?vio nas taxas de juros, de acordo com o banco de investimentos. O segmento voltado ao ensino de medicina enfrenta press?es de pre?o pela abertura de vagas, enquanto o ensino a dist?ncia (EAD) sofre impactos operacionais por reformas estruturais.
O banco prefere a Ânima Educa??o (ANIM3) pela alta sensibilidade ? queda de juros, e a Cogna (COGN3) pelo portf?lio focado na educa??o b?sica, mantendo vis?o positiva em Ser Educacional (SEER3).
Setores neutros
Financeiro ? N?o Banc?rios: O segmento que engloba credenciadoras de cart?es de pagamento, plataformas de seguros e fintechs continua estagnado sob forte rivalidade concorrencial. ?N?o estamos otimistas em rela??o ao setor: a competi??o ? feroz, o interesse dos clientes parece baixo e a probabilidade de consolida??o est? aumentando?, diz o relat?rio. A ?nica recomenda??o de compra isolada do bloco ? a Stone, impulsionada por um retorno em dividendos projetado em 15%.
Alimentos e Bebidas: Os analistas explicam que a volatilidade nos balan?os das companhias desse setor pode ser explicada pela depend?ncia direta de ciclos de oferta, oscila??es no c?mbio e cotas internacionais. No mercado pecu?rio brasileiro, o ciclo mais apertado eleva os custos do gado e amea?a as margens dos frigor?ficos. A prefer?ncia recai sobre o cons?rcio Minerva (MBRF3) em detrimento da JBS (JBSS32), enquanto a Ambev (ABEV3) segue com recomenda??o neutra.
Incorporadoras Residenciais: Os juros altos deterioraram as condi??es de financiamento imobili?rio e os estoques cresceram nos segmentos de m?dia e alta renda. Em total oposi??o, as companhias focadas na habita??o de interesse social permanecem blindadas pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). O JPMorgan concentra sua exposi??o no segmento de baixa renda, indicando a Tenda (TEND3) como a principal escolha e mantendo vis?o positiva na MRV (MRVE3).
Leia tamb?m Petr?leo fecha em queda amenizada por Trump ap?s otimismo sobre negocia??es EUA-Ir? O barril do tipo Brent fechou a US$ 91,45 ap?s otimismo com o aumento do tr?fego no Estreito de Ormuz e potenciais di?logos no Oriente M?dio, apesar de novas amea?as dos EUA ao Ir?
Telecomunica??es: O mercado de telefonia m?vel exibe um ambiente racional e lucrativo p?s-Oi, permitindo avan?o da receita m?dia por usu?rio (ARPU). Mas os analistas pontuam que, em contrapartida, a infraestrutura de banda larga fixa enfrenta um cen?rio pulverizado de provedores de internet (ISPs) regionais, o que limita o repasse de custos. Os analistas manifestam prefer?ncia pelas a??es da TIM (TIMS3) frente ? Telef?nica Brasil (VIVT3) por m?ltiplos mais atraentes.
Sa?de: Segundo o documento, o setor preserva seu car?ter defensivo ancorado no envelhecimento populacional, mas o crescimento de planos corporativos permanece sens?vel ao ciclo de emprego formal e juros. A Rede D?Or S?o Luiz (RDOR3) ? a alternativa preferida para capturar o movimento de consolida??o hospitalar. A Hapvida (HAPV3) enfrenta um cen?rio competitivo mais complexo, enquanto o Grupo Fleury (FLRY3) recebe recomenda??o de venda por m?ltiplos esticados.