Saldo do Dia: Enquanto o índice da bolsa brasileira seguiu o script de alta diante da possibilidade do fim da guerra no Oriente Médio (contornando, inclusive, a despencada da Petrobras); a moeda americana, personagem que deveria seguir o roteiro e cair, também subiu. Nessa história, o mocinho e o vilão têm o mesmo nome: petróleoA mudança de tom dos Estados Unidos em relação ao Irã, sinalizando que a via diplomática está sobre a mesa, foi o gatilho para um movimento de alívio que percorreu as principais mesas de operação globais nesta quarta-feira (6).
No Brasil, no entanto, a festa foi limitada. Embora o petróleo mais baixo seja uma notícia celebrada pelos consumidores e bancos centrais, para o principal índice da bolsa, que concentra uma fatia gigantesca em Petrobras, o dia poderia ter sido melhor.
O máximo que o Ibovespa conseguiu avançar com a despencada da petroleira foi 0,5%, aos 187.691 pontos. Na semana e no mês, o ganho é de 0,20%. No ano até aqui, os ganhos da carteira chegam a 16,49%.
O movimento de maior apetite por risco ganhou força após declarações do presidente americano, Donald Trump, de que “grandes progressos” foram feitos nas negociações para encerrar a guerra.
A reação imediata ao aceno americano foi vista nas telas de commodities. O petróleo, que vinha sustentando disparadas pela possibilidade de um fechamento do Estreito de Ormuz ou ataques a infraestruturas de refino, despencou de forma expressiva.
O barril tipo Brent (referência global) caiu 8%, cotado a US$ 102 o barril – bem acima dos US$ 72 praticados antes de começarem os ataques, em 28 de fevereiro.
Com o barril mais barato, a primeira leitura dos agentes parecia óbvia: menos pressão sobre os custos de energia e, consequentemente, um caminho mais suave para a convergência das metas de inflação. Assim, dia de bolsa em alta e dólar em queda, certo? Errado.
Na teoria, paz no Oriente Médio é igual a menos inflação e mais bolsa. Na prática, paz no Oriente Médio é igual a petróleo barato, o que significa Petrobras em queda e dólar em alta por aqui.
A Petrobras viu suas ações sofrerem uma pressão vendedora constante ao longo do pregão. Como a petroleira é o maior componente individual do índice, a queda dos papéis atua como uma âncora, impedindo que outros setores, como o varejo e o imobiliário, que costumam se beneficiar de juros menores, conseguissem puxar o Ibovespa para cima;
As ações da estatal despencaram 3,77% (ON, com direito a voto em assembleia); enquanto as preferenciais (PN, priorizam os dividendos) perderam 2,86%.
O desempenho da commodity e, consequentemente, da estatal na bolsa, influenciaram também no dólar. Menos dólares sendo prometidos pelas exportadoras no mercado futuro significam uma pressão de compra maior no presente, sustentando a cotação da moeda americana frente ao real, apesar do cenário externo mais calmo.
O investidor estrangeiro utiliza a Petrobras como o principal veículo de liquidez para entrar e sair do Brasil. Quando o cenário para a commodity escurece, esse investidor tende a reduzir sua exposição geral ao país, o que acaba resultando em uma saída líquida de dólares, pressionando ainda mais o câmbio.
O dólar à vista subiu 0,17% contra o real, fechando a R$ 4,92. Na semana, está 0,63% mais barato e, no ano até aqui, já cedeu 10,35% no mercado de câmbio local.
O fechamento próximo à estabilidade teve ajuda do Banco Central, que pela manhã realizou uma operação de compra de dólares futuros, o chamado “swap cambial reverso”. A autoridade não lançava mão desse recursos desde 2016. Ela visa conter uma oscilação aguda do câmbio, e não tem efeito significativo na trajetória do dólar, de acordo com especialistas.
Vale lembrar que a divisa tocou o menor patamar em mais de dois anos na véspera e no início do dia, o câmbio atingiu a mínima durante a sessão de US$ 4,89, valor não visto desde maio de 2023, mas voltou a subir logo em seguida.
A Vale, outra gigante do índice, também não teve um dia de brilho intenso. O minério de ferro em Dalian mostrou estabilidade, mas o sentimento negativo que se abateu sobre as commodities energéticas acabou contaminando o setor de materiais básicos como um todo, deixando a mineradora sem fôlego suficiente para salvar o dia do Ibovespa.
As ações da mineradora encerraram o pregão desta quarta-feira em alta firme de 3,62%;
“Os ativos que não são ligados ao petróleo, especialmente que estão sofrendo com essa crise, subiram bastante. A expectativa é de que com acordo deve acontecer uma rotação do setor e, assim, o mercado vende os ativos ligados ao petróleo e compra os que mais sofreram e que podem se beneficiar de um eventual corte na taxa de juros que a guerra deixou em suspensão”, avalia Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Fato é que o dia na bolsa terminou no azul. O mercado segue confiante na mudança de postura dos EUA em relação ao Irã, o que faz com que os estrangeiros, provedores de liquidez no mercado de ações brasileiro, voltassem a aproveitar as empresas brasileiras.
O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 22 bilhões, acima da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,1 bilhões.
Dentro de casa, no entanto, o investidor local ainda parece digerir se o alívio nos juros americanos será sustentável o suficiente para compensar a perda de fôlego das grandes exportadoras.
Pelo lado dos juros domésticos, a curva até tentou acompanhar o recuo dos títulos americanos. Houve uma queda de taxas nos contratos mais longos, refletindo a melhora no sentimento global. No entanto, a pressão do dólar e as incertezas fiscais que sempre rondam o cenário interno impediram um alívio mais contundente nas taxas curtas.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,15% para 14,03% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.
No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 13,80% para 13,59% ao ano.
Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 13,89% para 13,85% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo.
Desempenho das ações do Ibovespa nesta quarta-feira (6)
Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. %
CEAB3 CEA MODAS ON 11,94 11,86 12,63 13,03 12,28 7,06
CURY3 CURY S/A ON 30,80 30,58 31,31 31,63 31,48 6,89
CSNA3 SID NACIONAL ON 6,43 6,40 6,68 6,78 6,70 6,86
EMBJ3 EMBRAER ON 80,70 80,29 83,29 84,57 83,92 6,59
VIVA3 VIVARA ON 27,08 27,07 28,21 28,75 28,27 6,08
DIRR3 DIRECIONAL ON 13,40 13,25 13,44 13,57 13,55 4,80
MRVE3 MRV ON 6,93 6,90 7,07 7,20 7,04 4,61
CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,69 4,67 4,81 4,84 4,81 4,57
LREN3 LOJAS RENNER ON 14,39 14,25 14,83 15,28 14,69 4,56
ISAE4 ISA ENERGIA PN 29,40 29,26 30,28 30,61 30,51 4,24
RDOR3 REDE D OR ON 39,05 38,65 40,14 40,84 40,35 4,18
RENT3 LOCALIZA ON 47,00 46,92 47,65 48,13 47,65 3,81
VALE3 VALE ON 80,35 80,10 81,14 81,64 81,23 3,62
MULT3 MULTIPLAN ON 31,69 31,67 32,21 32,45 32,39 3,22
WEGE3 WEG ON 44,07 44,00 44,94 45,35 44,94 3,22
IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 28,15 27,92 28,33 28,58 28,43 3,16
COGN3 COGNA ON 2,80 2,79 2,83 2,89 2,81 2,93
ALOS3 ALLOS ON 30,78 30,49 31,06 31,32 31,21 2,87
SMFT3 SMART FIT ON 17,94 17,71 18,07 18,24 18,18 2,77
FLRY3 FLEURY ON 16,50 16,50 16,84 16,96 16,83 2,75
GGBR4 GERDAU PN 23,80 23,77 24,31 24,61 24,36 2,57
GOAU4 GERDAU MET PN 10,28 10,28 10,49 10,59 10,52 2,53
RAIL3 RUMO S.A. ON 16,43 16,32 16,67 16,90 16,69 2,46
BRAP4 BRADESPAR PN 22,94 22,81 22,97 23,23 22,88 2,42
MOTV3 MOTIVA SA ON NM 15,83 15,78 15,96 16,14 15,94 2,18
ASAI3 ASSAI ON 9,29 9,22 9,38 9,48 9,35 2,07
TAEE11 TAESA UNIT 41,57 41,23 42,01 42,37 42,22 2,01
SANB11 SANTANDER BR UNIT 29,09 29,01 29,26 29,61 29,33 1,95
B3SA3 B3 ON 18,37 18,13 18,41 18,59 18,36 1,94
ENGI11 ENERGISA UNT 53,10 53,10 53,97 54,24 54,05 1,90
BPAC11 BTGP BANCO UNT 59,03 58,18 58,80 59,57 59,02 1,86
CYRE3 CYRELA REALT ON 23,41 23,01 23,39 23,97 23,20 1,84
ABEV3 AMBEV S/A ON 16,66 16,58 16,88 17,02 16,95 1,80
EQTL3 EQUATORIAL ON 43,24 43,16 43,61 43,84 43,68 1,75
HAPV3 HAPVIDA ON 12,05 11,78 12,08 12,40 11,91 1,71
POMO4 MARCOPOLO PN 6,38 6,27 6,36 6,48 6,38 1,59
BRKM5 BRASKEM PNA 9,27 8,95 9,33 9,55 9,45 1,50
YDUQ3 YDUQS PART ON 10,26 10,20 10,32 10,53 10,21 1,49
SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,73 42,31 42,94 43,22 43,01 1,44
CSMG3 COPASA ON 54,99 54,73 55,16 55,58 55,25 1,28
VAMO3 VAMOS ON 4,06 3,94 4,02 4,09 4,01 1,26
NATU3 NATURA ON 10,47 10,45 10,54 10,65 10,52 1,25
CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,52 17,41 17,58 17,72 17,60 1,21
HYPE3 HYPERA ON 23,75 23,30 23,51 23,75 23,47 1,16
BBSE3 BB SEGURIDADE ON 34,60 34,40 34,77 35,00 34,83 1,10
SLCE3 SLC AGRICOLA ON 17,46 17,20 17,45 17,57 17,55 1,04
USIM5 USIMINAS PNA 8,87 8,65 8,77 8,98 8,74 1,04
ENEV3 ENEVA ON 27,51 27,25 27,55 27,75 27,59 0,99
PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,36 49,15 49,69 50,03 49,61 0,87
MBRF3 MARFRIG ON 17,81 17,60 17,78 17,98 17,79 0,79
BBAS3 BRASIL ON 22,17 22,07 22,28 22,60 22,07 0,68
BBDC3 BRADESCO ON 16,77 16,55 16,65 16,94 16,64 0,67
CPFE3 CPFL ENERGIA ON 49,73 48,83 49,58 49,95 49,74 0,67
AURE3 AUREN ON 14,00 13,94 14,03 14,15 14,02 0,57
TOTS3 TOTVS ON 33,19 32,98 33,32 33,80 33,10 0,52
BBDC4 BRADESCO PN 19,47 19,13 19,29 19,64 19,27 0,42
UGPA3 ULTRAPAR ON 29,84 29,31 29,64 29,88 29,79 0,40
MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 8,22 8,02 8,16 8,32 8,03 0,38
CSAN3 COSAN ON 5,39 5,26 5,33 5,43 5,30 0,19
AXIA6 AXIA ENERGIA PNB 68,89 67,99 68,32 68,89 68,25 0,15
VBBR3 VIBRA ON 32,99 32,22 32,75 33,19 32,83 0,06
AXIA3 AXIA ENERGIA ON 62,41 61,80 62,15 62,82 61,80 -0,42
EGIE3 ENGIE BRASIL ON 34,53 33,64 33,99 34,53 33,82 -0,65
ITSA4 ITAUSA PN 13,86 13,46 13,58 13,88 13,56 -0,73
CMIG4 CEMIG PN 12,18 11,92 12,01 12,23 11,97 -0,75
CPLE3 COPEL ON 16,05 15,47 15,75 16,05 15,75 -0,94
SBSP3 SABESP ON 33,54 32,32 32,77 33,70 32,87 -1,26
VIVT3 TELEF BRASIL ON 40,00 38,82 39,17 40,39 39,19 -1,36
KLBN11 KLABIN S/A UNT 17,30 17,01 17,13 17,34 17,14 -1,49
ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 43,24 41,54 42,05 43,29 41,78 -1,60
AZZA3 AZZAS 2154 ON 22,79 22,33 22,76 23,38 22,35 -1,67
BRAV3 BRAVA ON 18,13 18,01 18,29 18,61 18,14 -1,84
RADL3 RAIA DROGASIL ON 22,38 21,54 21,93 22,47 21,76 -1,85
RECV3 PETRORECSA ON 12,71 12,59 12,67 12,79 12,65 -1,94
BEEF3 MINERVA ON 4,10 3,97 4,05 4,15 3,97 -2,22
PETR4 PETROBRAS PN 46,71 46,59 47,12 47,49 47,27 -2,86
PETR3 PETROBRAS ON 51,53 51,30 51,62 52,22 51,52 -3,77
PRIO3 PETRORIO ON 66,25 65,00 66,34 66,98 66,54 -4,26
TIMS3 TIM ON 26,53 24,44 24,80 26,57 24,44 -7,88