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Data: 28/04/2026

Editoria: L-Founders
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Assaí (ASAI3) tem lucro 47% menor no 1T26, com queda no preço de arroz e feijão e canetas emagrecedoras; o que fazer com as ações agora?

Os resultados mostram que o cenário de consumo ainda está frágil, com juros altos e endividamento das famílias

Karin Salomão
Karin Salomão
28 de abril de 2026

 11:45

Imóvel do fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11).
Imóvel do fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11). – Imagem: Divulgação
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A rede de atacarejo Assaí (ASAI3) teve lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre, queda de 46,7% sobre o resultado obtido um ano antes, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira.

Uma queda relevante de 12% em produtos básicos, como arroz, feijão, açúcar e outros, além de um cenário desafiador e endividamento de famílias de baixa renda, prejudicaram os resultados da rede de atacarejos.

Além dos fatores cíclicos, o Itaú BBA aponta uma mudança estrutural no consumo, com o avanço de medicamentos para perda de peso (GLP-1) impactando a demanda por alimentos mais calóricos.

Como resposta, o Assaí tem ampliado sua atuação em frentes como farmácias e produtos de bem-estar. Mas essas frentes ainda estão em estágio inicial.

Nesta manhã (28), as ações da companhia estão em queda na bolsa de valores. Por volta das 11h20, a queda é de 1,98%. O papel chegou a perder mais de 5% de valor na abertura.

Trimestre com ‘fatores adversos’

Em release de resultados, o Assaí disse que o primeiro trimestre foi marcado por um “conjunto de fatores adversos que, somados, representaram um desafio incomum para quem atende principalmente as famílias de menor renda”.

“Vivemos uma deflação simultânea em commodities essenciais da nossa cesta: arroz, feijão, açúcar, óleo de soja, farinha de trigo e leite UHT apresentaram queda média de 12% no trimestre. Para quem acompanha o setor há décadas, é inédito ver deflação simultânea dessa magnitude nesse grupo de produtos”, disse.

Ao mesmo tempo, acrescentou, o endividamento das famílias atingiu recordes históricos. “Isso se traduz diretamente em menor capacidade de consumo nas classes C, D e E (exatamente o público em maior volume nas nossas lojas)”, afirmou a empresa. “O topo da pirâmide de renda segue consumindo, mas a base está pressionada”.

Como foi o resultado do Assaí?

A companhia teve resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 1,025 bilhão, praticamente estável sobre o desempenho do primeiro trimestre do ano passado.

A empresa apurou receita líquida de R$ 18,64 bilhões de janeiro ao final de março, praticamente estável antes os três primeiros meses de 2025. Analistas, em média, esperavam que o Assaí mostrasse Ebitda de R$1,39 bilhão e receita líquida de R$18,95 bilhões, segundo dados recolhidos pela LSEG.

A companhia afirmou que, incluídos novos créditos de PIS/Cofins, o lucro líquido do primeiro trimestre foi de R$367 milhões.

A receita líquida cresceu 0,5% na comparação anual, para R$ 18,6 bilhões, refletindo a queda de 0,9% nas vendas em mesmas lojas (SSS), que mais do que compensou o avanço da área de vendas com a abertura de lojas. Mesmo com queda nas vendas em lojas maduras, analistas destacam que a empresa conseguiu manter a rentabilidade com maior controle de receitas.

A geração de caixa foi o principal destaque do trimestre. O Assaí registrou fluxo de caixa livre de R$ 814 milhões, acima das estimativas, impulsionado pela monetização de créditos de PIS/Cofins.

O que dizem os analistas

Para o BTG Pactual, os resultados mostram que o cenário de consumo ainda está frágil. A empresa viu as receitas caírem com uma dinâmica macro desfavorável, com juros altos e endividamento das famílias, e um desafio contínuo com o endividamento, diz o banco.

“Esperamos sinais mais claros de normalização da inflação de alimentos e dos juros ao longo do segundo semestre para uma melhora mais consistente dos fundamentos”, disse o Bradesco BBI em relatório.

“O crescimento de vendas segue fraco e abaixo da inflação de alimentos, e não esperamos mudanças relevantes dessa tendência nos próximos trimestres”, afirmou o analista Vitor Pini, em relatório do Safra.

No entanto, com a guerra, a inflação de alimentos pode voltar, o que pode favorecer as vendas no curto prazo. Por outro lado, a renda disponível ainda limitada e o ritmo mais lento de queda de juros seguem como fatores de risco.

Mesmo assim, o Assaí tem conseguido melhorar gradualmente as margens brutas e pode se beneficiar do impacto potencialmente positivo da isenção de imposto de renda para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil para impulsionar as vendas no varejo, além da queda dos juros, diz o BTG.

O que fazer com as ações

O BTG Pactual reitera sua recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 11, o que poderia render um retorno de 14,8%.

O Safra reiterou recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 9,40, o que implica potencial de queda de cerca de 2% em relação ao fechamento mais recente.

O Itaú BBA manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações, com preço-alvo de R$ 11, o que implica potencial de valorização de cerca de 15% ante o último fechamento.