Veículo: Folha de S. Paulo
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Data: 23/04/2026

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Varejo físico cresce 3,3% em março, puxado por veículos e combustíveis

A atividade do comércio físico cresceu 3,3% em março de 2026 na comparação com fevereiro, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. O avanço foi puxado pelas categorias “Veículos, Motos e Peças” (12,2%) e “Combustíveis e Lubrificantes” (5,1%), enquanto supermercados (-1,0%) e vestuário (-0,9%) pesaram sobre o resultado do indicador.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a concentração do crescimento em bens duráveis não é casual. “O forte avanço em veículos e em material de construção sugere uma retomada mais intensa justamente nos setores em que a decisão de compra é mais dependente de financiamento”, afirma.

Revenda de carros em concessionária na avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello, na zona leste de São Paulo – Rivaldo Gomes/Folhapress

No caso dos combustíveis, a economista aponta que o conflito no Oriente Médio pressionou preços e levou consumidores a antecipar compras como forma de proteção.

Na comparação anual, o indicador avançou 3,9% em relação a março de 2025 —resultado que, segundo Abdelmalack, deve ser lido com cautela. Parte da alta é explicada pelo efeito calendário: o Carnaval em 2025 caiu em março, reduzindo o número de dias úteis no período de comparação. Veículos lideram também nesse recorte, com expansão de 26% em doze meses.

O quadro geral, no entanto, é de recuperação seletiva. “Esse comportamento indica que a recuperação do varejo permanece desigual, sem um avanço consistente e disseminado”, diz a economista, que cita o endividamento elevado das famílias, os juros altos e a desaceleração na concessão de crédito como fatores que limitam uma retomada mais ampla do consumo.