O varejo brasileiro de moda deve faturar R$ 63,34 bilhões na temporada outono-inverno 2026, entre os meses de maio e agosto. O resultado corresponde a um avanço de 4,2% sobre os R$ 60,79 bilhões registrados na temporada anterior. Os dados são do IEMI – Inteligência de Mercado.

De acordo com o IEMI, a projeção “indica um cenário de recuperação gradual do consumo, ainda marcado por cautela tanto do varejo quanto dos consumidores”.
Ajustes nas coleções e nos níveis de estoque
Do lado das empresas, o planejamento para a temporada começou ainda no ano passado, com ajustes nas coleções e nos níveis de estoque a partir de dados de vendas anteriores, comportamento do consumidor e projeções climáticas. A estratégia tem sido apostar em peças versáteis, capazes de atender diferentes variações de temperatura ao longo da estação.
Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), entidade que representa mais de 100 marcas de moda, as varejistas vêm priorizando coleções de meia estação e itens que permitam maior flexibilidade nas vendas. “As empresas estão trabalhando com mais cautela na formação de estoques devido à variabilidade do clima em várias regiões do país. Por isso, a aposta tem sido em peças versáteis, como tricôs leves, jaquetas, moletons e sobreposições, que funcionam bem tanto em dias mais amenos quanto em períodos de frio mais intenso”, explica.
O executivo acrescenta que o ambiente competitivo do setor segue desafiador. Custos da cadeia, pressão sobre margens e a concorrência desleal com plataformas internacionais de comércio eletrônico continuam influenciando as estratégias das empresas.
“Mesmo com esses desafios, o varejo tem buscado manter preços acessíveis e estimular as vendas ao longo da temporada, com negociações equilibradas ao longo da cadeia produtiva”, afirma.
Temporada de inverno
Os especialistas do setor apontam que o desempenho da temporada de inverno costuma ter peso relevante para o varejo de moda no Brasil, por conta do ticket-médio mais alto, especialmente para categorias como malharia, casacos e peças de sobreposição. O comportamento do clima e o ritmo do consumo nos primeiros meses da estação serão fatores decisivos para confirmar as projeções de crescimento em 2026.