Em 2025, data centers na América do Norte usaram quase 1 trilhão de litros de água, segundo a consultoria Mordor Intelligence — volume próximo à demanda anual da cidade de Nova York.
Por Redação g1
06/04/2026 11h02 Atualizado há 2 horas
Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
As três empresas abandonaram recentemente projetos bilionários de data centers após oposição de comunidades locais. Agora, acionistas cobram mais transparência sobre o consumo de água e energia dessas operações.
Segundo a agência de notícias Reuters, mais de uma dezena de investidores aumentaram a pressão antes das assembleias anuais, realizadas nesta primavera no hemisfério norte.
Eles pedem dados mais detalhados sobre o consumo de água e as estratégias de conservação, em um momento em que as empresas ampliam a sua infraestrutura — impulsionada principalmente pelo avanço da inteligência artificial.
A gestora Trillium Asset Management, por exemplo, com mais de US$ 4 bilhões sob gestão, apresentou em dezembro uma resolução à Alphabet pedindo esclarecimentos sobre como a companhia pretende cumprir suas metas climáticas diante da crescente demanda energética dos data centers.
Em 2020, o grupo se comprometeu a cortar pela metade suas emissões e usar energia livre de carbono até 2030.
No entanto, segundo a Trillium, as emissões aumentaram 51%, deixando investidores “no escuro” sobre como as metas serão atingidas. Uma proposta semelhante já havia obtido apoio de quase um quarto dos acionistas independentes no ano passado.
Já a Green Century Capital Management afirmou que discute com a Nvidia a possibilidade de apresentar uma resolução para garantir que os ganhos de curto prazo com inteligência artificial não resultem em riscos climáticos e financeiros no longo prazo.
Uso de água entra no radar
O consumo de água virou um dos principais pontos de atenção. Em 2025, data centers na América do Norte usaram quase 1 trilhão de litros de água, segundo a consultoria Mordor Intelligence — volume próximo à demanda anual da cidade de Nova York.
Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft passaram a adotar sistemas de resfriamento em circuito fechado, que consomem menos água. Ainda assim, os dados divulgados são inconsistentes.
A Meta informou o consumo apenas em instalações próprias — sem incluir unidades alugadas ou em construção. Entre 2020 e 2024, o uso de água da empresa cresceu 51%, alcançando 5.637 megalitros, o suficiente para abastecer mais de 13 mil casas por um ano.
Já o Google divulgou dados de unidades próprias e alugadas, mas não das operadas por terceiros. Amazon e Microsoft apresentaram números totais, sem detalhamento por unidade.
Segundo investidores, esse nível de detalhamento é essencial para avaliar riscos operacionais e a capacidade das empresas de gerenciar impactos ambientais — incluindo iniciativas para reposição de água.
Um porta-voz da Amazon afirmou que a empresa vem ampliando a divulgação de dados específicos por unidade e que está comprometida em ser uma “boa vizinha”, investindo em eficiência energética e redução do consumo de água.
Pressão por transparência local
Para analistas, ainda falta clareza sobre os impactos nas comunidades. “Não vimos divulgação suficiente sobre o consumo de água e seus efeitos locais”, disse Jason Qi, da Calvert Research and Management.
A Microsoft afirmou que sustentabilidade é um “valor central” e que trabalha para enfrentar desafios ambientais com soluções de longo prazo. O Google não comentou, e a Meta não respondeu aos pedidos.
Já Dan Diorio, vice-presidente da Data Center Coalition, disse que o engajamento com comunidades virou prioridade. “Ser transparente sobre o uso de água e energia é essencial para que moradores entendam que os projetos não vão pressionar recursos locais”, afirmou.