venda de ativos impulsiona saída da empresa de crise financeira; processo depende, agora, do aval da Justiça e de credores
Filipe MeloFlorianópolis
Lojas Americanas pede à Justiça medidas para encerrar recuperação judicialFoto: Pátio Savassi/Multiplan/ND MaisA Americanas deu um passo importante para encerrar um dos maiores processos de reestruturação empresarial do país.
A varejista informou à Justiça do Rio de Janeiro que solicitou medidas para encerrar o processo de recuperação judicial, após avançar na venda de ativos e na reorganização financeira, movimento que impulsionou suas ações na Bolsa.
De acordo com a IstoÉ, o pedido foi encaminhado à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital fluminense e ocorre pouco mais de três anos após a empresa ingressar no processo, em janeiro de 2023, em meio à revelação de inconsistências contábeis bilionárias.
Lojas Americanas faz pedido formal para encerrar recuperação judicial
A companhia comunicou que já iniciou os trâmites legais para o encerramento da recuperação judicial, mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a renegociação de dívidas sob supervisão da Justiça.
Na prática, esse processo é utilizado por empresas em dificuldade financeira para reorganizar passivos e manter suas operações. A saída depende do cumprimento de etapas previstas no plano aprovado pelos credores.
Venda de ativo foi decisiva para avanço
Um dos fatores que viabilizaram o pedido foi a conclusão da venda da Uni.Co, unidade responsável por marcas como Imaginarium e Puket, por R$ 152 milhões.
Ações das Lojas Americanas sobem após pedido de saída da recuperação judicialFoto: Reprodução/ND
A operação foi homologada após decisão judicial que validou a proposta vencedora e desclassificou uma oferta concorrente por falha formal no processo.
Na decisão, a juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca afirmou que “a exigência de envelope lacrado não é uma mera formalidade estética, mas um instrumento essencial para garantir que o conteúdo permaneça inacessível até o momento oficial, evitando riscos de manipulação ou conhecimento prévio”.
Com isso, a transferência do ativo foi autorizada conforme previsto no plano de recuperação.
Reação do mercado e desempenho financeiro
A sinalização de saída da recuperação teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Americanas registraram forte valorização, chegando a subir mais de 20% durante o pregão e fechando com alta de 12,62%.
Apesar da reação positiva no curto prazo, os papéis ainda acumulam desvalorização superior a 30% em 12 meses.
No campo operacional, a empresa também apresentou melhora nos resultados. O prejuízo no quarto trimestre de 2025 caiu 92,5%, somando R$ 44 milhões. Esse desempenho foi sustentado por medidas como:
- Redução de custos operacionais
- Reestruturação do modelo de negócios
- Maior foco em lojas físicas
Redução de lojas e reestruturação
A Americanas entrou em recuperação judicial após identificar um rombo contábil estimado em R$ 20 bilhões, relacionado a exercícios anteriores, além de dívidas que giravam em torno de R$ 40 bilhões.
Para se ajustar financeiramente, a empresa encerrou 2025 com 1.470 unidades, sendo 906 no formato tradicional e 564 no modelo “express”. No ano anterior, eram 1.587 lojas.