Demanda por produtos mais acessíveis teria sido motivação para redução de preços da Zara, segundo análise da XP
A marca Bershka inaugurou sua primeira loja no Brasil na quarta-feira (18), no MorumbiShopping. Voltada para consumidores mais jovens, entre 13 e 25 anos, a marca da Inditex (controladora da Zara) pretende também abrir uma segunda unidade até o fim deste ano. Más notícias para as varejistas locais? De acordo com a XP, por enquanto, não.
Nos primeiros dias da chegada da marca, influenciadores passaram a notar que preços da Zara foram remarcados com queda de cerca de 30% a 10% em relação ao praticado normalmente para itens como calças, camisetas básicas, blazers e demais peças corriqueiras da varejista.
Em relatório sobre o tema, a XP afirmou que a o reposicionamento pode ter menos a ver com a chegada da marca-irmã e mais com a demanda brasileira.
“Acreditamos que o reposicionamento de preços da Zara pode refletir o aumento da demanda no Brasil por produtos mais acessíveis, sendo semelhante à recente medida da Pandora para impulsionar o crescimento de volume”, afirmam os analistas de varejo do Research da corretora.
A análise menciona também um possível efeito com a presença da varejista inglesa H&M, que é voltada para o mesmo público da Zara, porém com pecas de tecidos mais acessíveis e valores mais baixos, em sua maioria.
Para os varejistas brasileiros, a chegada da concorrente jovem da Inditex, em um primeiro momento, não preocupa, segundo a XP. Os analistas fazem a ressalva, no entanto, de que há necessidade de monitoramento, já que a Bershka poderia alavancar a estrutura operacional já existente da Zara no país. A companhia também já foi responsável por influenciar a Renner (LREN3) na criação de sua marca jovem, a Youcom, segundo a análise.
“Quanto ao reposicionamento da Zara, acreditamos que ele pode refletir o poder de compra limitado dos consumidores, a melhora da execução de moda nas lojas de departamento ou uma combinação de ambos”, afirmam os analistas.