Veículo: Forbes Brasil Online
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Data: 17/03/2026

Editoria: Pátio Paulista
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Analistas Veem Resiliência Em Shoppings Premium Mesmo Com Juros Altos

Mesmo em um ambiente de juros elevados no Brasil, o setor de shopping centers continua demonstrando resiliência.Â

O desempenho é ainda mais evidente entre empreendimentos voltados ao público de maior renda, que seguem registrando crescimento de vendas, reajustes de aluguel acima da inflação e níveis historicamente baixos de inadimplência.

Os resultados do quarto trimestre de 2025 das operadoras Allos , Iguatemi e Multiplan reforçam essa tendência. Mesmo com crédito mais caro e consumo pressionado em parte da economia, os shoppings premium continuam atraindo consumidores e lojistas.

Na Multiplan, as vendas nas mesmas lojas – termo conhecido pela sigla em inglês SSS (Same-Store-Sales)- , cresceram 4% no quarto trimestre, enquanto os aluguéis nestas mesmas lojas avançaram 5% na comparação anual. O SSS mede o crescimento percentual de receita de lojas que já estavam em operação há pelo menos um ano.

Analistas do BTG Pactual destacaram que o resultado da Multiplan, que tem entre os seus principais ativos o BarraShopping, no Rio, e o MorumbiShopping, em São Paulo, superou as estimativas do mercado, impulsionado principalmente pelo controle rigoroso de custos e despesas operacionais.

O desempenho também vem acompanhado de forte expansão de rentabilidade. O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 575 milhões, alta de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Allos possui um portfólio diversificado de shoppings, entre eles os voltados à alta renda, tais como o Leblon, no Rio, e o Vila Olímpia , em São Paulo. A companhia também manteve crescimento consistente. As vendas nas mesmas lojas (SSS) avançaram 5,1% na comparação anual, com destaque para os segmentos de beleza e joalheria.

Na visão dos analistas do Itaú BBA , o desempenho reforça a resiliência do portfólio da companhia, com crescimento sólido de vendas mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

O maior destaque do último trimestre de 2025 ficou com o Iguatemi . As vendas totais dos lojistas cresceram 12,8% no período, enquanto as vendas nas mesmas lojas avançaram 5,9%.

As vendas por metro quadrado também subiram cerca de 7%, refletindo a força do consumo nos empreendimentos da companhia, que reúne a maior quantidade de ativos voltados à alta renda, tais como o Pátio Paulista e Pátio`Higienópolis , além do JK Iguatemi e o Iguatemi São Paulo .

Analistas da XP Investimentos afirmaram que o desempenho do grupo reforça a capacidade da empresa de capturar o consumo de alta renda e repassar reajustes de aluguel acima da inflação.

Outro indicador que chamou a atenção do mercado foi a inadimplência. As três empresas registraram níveis negativos no trimestre, reflexo da recuperação de aluguéis atrasados e da boa saúde financeira dos lojistas.

Mesmo com alguns desafios pontuais de margens em parte das operações, analistas seguem positivos com o setor. A lógica é simples: o portfólio de shoppings premium concentra consumidores de maior renda e marcas internacionais, o que tende a sustentar o desempenho mesmo em períodos de crédito mais restritivo.

O desempenho dos três grupos, todos listados na B3 , ficou bem acima da média geral do setor no país. Dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) indicam avanço de 1,2% em 2025 de todos os centros de compras associados, índice que ficou abaixo do 1,6% projetado inicialmente e bem aquém de 1,9% de crescimento de 2024.

Os dados da associação, que representam 658 centros de compras em 253 cidades do país, indicam um faturamento recorde de R$ 200,9 bilhões, valor nominal, sem desconto da inflação.

No ano passado, foram abertos 10 shoppings no país. Para 2026, estão previstos nove, segundo a entidade.

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Assunto: Iguatemi SA
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