Veículo: Info Money
Clique aqui para ler a notícia na fonte
Região:
Estado:
Alcance:

Data: 12/03/2026

Editoria: L-Founders, Pão de Açúcar
Assuntos:

Raízen e Pão de Açúcar: como fica o investimento em CRI, CRA, fundos e debêntures?

Donos de títulos podem ter de arcar com deságios de até 80% no investimento, dizem especialistas

Angelo Pavini

11/03/2026 16h35 • Atualizado 19 horas atrás

Ativos mencionados na matéria

Ilustração (Breakingpic)
Ilustração (Breakingpic)

Nem bem o mercado havia se recuperado do anúncio do pedido de recuperação judicial da GPA, dona do Pão de Açúcar (PCAR3), na terça-feira e hoje já amanheceu com a notícia de que a Raízen (RAIZ4), uma das maiores empresas brasileiras, pediu recuperação extrajudicial e vai suspender os pagamentos de suas dívidas por 90 dias.

Os impactos para os investidores das duas moratórias, de R$ 4,5 bilhões e R$ 65,2 bilhões, devem ser significativos e vão ser sentidos não só no mercado de ações, mas também no de títulos, diretamente nos segmentos de debêntures e certificados de recebíveis e indiretamente em fundos de investimentos e fundos imobiliários que tenham esses papéis.

Fundos imobiliários

No caso do GPA, há CRIs em fundos imobiliários de papel que podem sofrer algum impacto. Já os fundos de tijolos que alugam imóveis para a GPA não devem ser atingidos, uma vez que a companhia disse que manterá os pagamentos operacionais de aluguéis.

Já fundos de crédito ou fundos de renda fixa que tenham títulos das duas empresas terão de atualizar os valores desses papéis de acordo com os preços que forem negociados no mercado secundário, o que terá impacto negativo em suas cotas nos próximos dias.

CRA venceria semana que vem

Para os investidores em ações, o impacto é mais visível: a ação da Raizen cai 35% no ano e a do GPA, 35%, perdas que já impactaram os fundos que têm esses papéis. Já no mercado de títulos, o efeito imediato será a suspensão dos pagamentos de dívidas no curto prazo e a queda dos preços no mercado secundário.

No caso da Raízen, milhares de investidores que tinham parte de um CRA que vence dia 16, próxima segunda-feira, no valor aproximado de R$ 900 milhões, terão de aguardar até 90 dias para receber os valores, de acordo com o que for proposto pela empresa.

O mesmo vale para os pagamentos de juros previstos para dia 15 das debêntures RAIZ13, RAIZ23, RESA17 e RESA27. No mercado secundário, uma debênture da Raízen com vencimento em 2030 chegou a ter deságio de 50%.

Segundo dados divulgados pela Raízen, há atualmente R$ 6,4 bilhões em CRAs emitidos pela True Securitizadora, que foi adquirida pela Opea Securitizadora e que, por sua vez, emitiu outros R$ 900 milhões desses papéis. Há ainda R$ 6,3 bilhões em debêntures incentivadas distribuídas pela Pentágono DTVM. Grande parte desses papéis deve estar com milhares de pessoas físicas.