A presença brasileira na Paris Fashion Week ganhou espaço em um debate sobre as transformações do mercado de luxo. Em Paris, a jornalista e curadora de conteúdo Deny Peres promoveu o talk “O Luxo Depois do Logo: curadoria, identidade e por que o futuro do luxo passa pelo Brasil”, reunindo formadores de opinião, executivos e profissionais da moda para discutir as mudanças que vêm redesenhando o setor. O encontro partiu de uma questão central: o que move o desejo do consumidor quando o logotipo deixa de ser o principal símbolo de valor?

Mediado por Peres, o debate contou com a participação da atriz e diretora criativa Isabella Santoni, da modelo e ativista Rita Carreira e do editor de moda Guilherme de Beauharnais. A conversa reuniu diferentes perspectivas sobre identidade, desejo e transformação na indústria do luxo. Em um cenário marcado pela abundância de informação e tendências, os participantes apontaram a curadoria — entendida como a capacidade de selecionar, interpretar e dar sentido ao conteúdo — como um dos ativos mais relevantes para as marcas.
Durante o encontro, Deny Peres destacou que o setor atravessa uma mudança estrutural. “Vivemos um momento de ruptura no mercado de luxo global. Os números mostram queda, mas o que eles escondem é uma mudança de valor: o consumidor não quer menos luxo, quer luxo com sentido. Nesse jogo, quem edita, quem escolhe e quem tem ponto de vista é quem lidera”, afirmou. Para Isabella Santoni, a discussão também passa pela valorização da origem cultural. “Luxo tem menos a ver com símbolo e mais com origem. Talvez por isso a nossa brasilidade chame tanta atenção. Luxo é crescer sem perder o que nos formou”, disse.
O debate também abordou desafios atuais do setor. Guilherme de Beauharnais avaliou que parte do distanciamento entre marcas e consumidores decorre de frustrações acumuladas. Segundo ele, a própria temporada recente da Paris Fashion Week já indica um movimento das grandes maisons em direção a propostas mais consistentes. Rita Carreira, por sua vez, levantou questionamentos sobre diversidade na indústria e apontou sinais de retrocesso na representação de diferentes corpos nas campanhas e passarelas.