Veículo: Folha de S. Paulo
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Data: 26/02/2026

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
Assuntos:

O que pensa o consumidor sobre o varejo e os sites internacionais?

Sempre que aparece no debate público, a cobrança de impostos sobre os produtos importados pelas plataformas internacionais de e-commerce é vista pelos atores políticos como algo impopular, que supostamente prejudicaria os consumidores.

Em tempos de redes sociais barulhentas e movidas por robôs, esse mito surgiu sem que se questionasse: o que pensa o consumidor sobre isso? Pois, ao contrário do senso comum, 84% dos brasileiros não consideram justo que produtos importados paguem a metade dos impostos que os nacionais.

Pacotes plásticos com roupas embaladas, algumas com a marca 'SHEIN' visível, dispostos sobre mesa em ambiente de produção têxtil. Ao fundo, trabalhadores operam máquinas de costura em área iluminada.
Pacotes de produtos da Shein prontos para distribuição em Guangzhou, na China – Casey Hall – 15.out.2025/Reuters

É o que revela pesquisa do Instituto Locomotiva, que ouviu em dezembro 2.500 maiores de 18 anos de idade. A injustiça apontada pelos consumidores foi minimizada em agosto de 2024, quando o Congresso Nacional aprovou alíquota de 20% de imposto de importação sobre as encomendas dos sites estrangeiros —em geral, bilionárias empresas asiáticas. A cobrança do imposto, a chamada “taxa das blusinhas” —um erro nominal, já que os setores prejudicados vão de brinquedos a eletrônicos—, apenas fez a carga tributária desses sites de e-commerce atingir metade (45%) da arcada pelo setor produtivo nacional (90%).

desigualdade competitiva é a causa pela qual, embora condenando essa injustiça, o consumidor siga comprando dos sites estrangeiros. A pesquisa mostra que, com a volta do imposto de importação, apenas 12% deixaram de comprar nas plataformas internacionais —outros 36% reduziram esse tipo de compra. Mas a maioria (52%) ou manteve as compras nos sites estrangeiros (34%) ou as aumentou (18%). Era o esperado: para uma redução modesta da disparidade tributária, houve uma reação igualmente modesta dos consumidores.

Mas o que o consumidor faria se houvesse igualdade tributária? Uma pista: 75% preferem presentes nacionais na hora de receber e 67%, na hora de presentear. Essa avaliação é fruto da experiência —80% já tiveram problemas com compras em um site internacional: o produto não chegou (32%); encolheu/quebrou (42%); houve dificuldades para fazer reclamações (33%) ou para encaminhar uma troca (32%).

Além da experiência como consumidor, os brasileiros demonstram consciência dos males que a injustiça tributária contra produtos nacionais pode trazer para o país. Não apenas 78% dizem considerar que a cobrança maior de impostos de produtos nacionais pode reduzir os empregos dos brasileiros como um todo como 74% afirmam temer pelo seu próprio emprego e renda caso essa situação persista. Na pesquisa, 61% acham que importados deveriam pagar mais impostos do que os produtos brasileiros; só 12% consideram que os estrangeiros deveriam pagar menos impostos. E 27% avaliam que os impostos devem ser iguais.

varejo e a indústria nacionais concordam com esses últimos consumidores. Não queremos subsídios governamentais para produzir e exportar, como acontece com as plataformas asiáticas de e-commerce. Não queremos privilégios. Queremos igualdade de condições para competir pelo consumidor brasileiro, que, como mostra o Instituto Locomotiva, já prefere a qualidade do produto nacional.