Veículo: A Revista
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Data: 26/02/2026

Editoria: Assaí, L-Founders
Assuntos:

Assaí (ASAI3) reage com BlackRock e preço-alvo de R$ 14 em meio a juros de 15%; ação pode subir até 62%?

O setor de varejo brasileiro voltou ao centro das atenções após divulgação de novos dados econômicos. Mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o varejo apresentou alta de 0,2% no último mês apurado, interrompendo uma sequência de quatro meses de retração.

O pico histórico do volume de vendas havia sido registrado em março. Desde então, a tendência predominante vinha sendo de desaceleração, pressionada pelo crédito mais caro e pela redução do poder de compra. Ainda assim, o resultado recente sinaliza alguma resiliência do consumo.

No cenário externo, o dia também foi positivo:

  • Dow Jones: +0,6%

  • S&P 500: +0,9%

  • Nasdaq: +1,2%

  • Ibovespa: cerca de +0,5%

Esse ambiente ajudou a sustentar a bolsa brasileira, com destaque para ações ligadas a commodities e para o setor de varejo alimentar.

BlackRock aumenta participação e reacende o interesse por ASAI3

No dia 7, foi informado que a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, elevou sua participação no Assaí para aproximadamente 5% do capital social.

O movimento chama atenção por dois motivos:

  1. O papel vinha pressionado e próximo das mínimas do ano.

  2. O aumento de posição ocorreu em meio a um ambiente macroeconômico desafiador.

No dia da divulgação, ASAI3 estava na região de R$ 8,70. Posteriormente, caiu até R$ 7,94, mínima do ano. Desde então, iniciou movimento de recuperação, voltando à faixa próxima à da data do anúncio.

Fundamentos: receita cresce, lucro avança e dívida recua

Apesar da pressão sobre o varejo tradicional, o Assaí vem mostrando desempenho operacional consistente:

  • Receita líquida: +7% no acumulado do ano

  • EBITDA: +12%

  • Lucro líquido acumulado em 2025: R$ 426 milhões

  • Lucro no mesmo período de 2024: R$ 258 milhões

A margem líquida evoluiu de 0,7% para 1,1%. Embora ainda seja um patamar típico de varejo alimentar (margens estreitas), a melhora demonstra ganho de eficiência operacional.

O principal destaque, porém, está na redução da alavancagem:

  • Alavancagem líquida atual: 3,17x dívida líquida/EBITDA

  • Meta para o fim de 2025: 2,6x

Em um cenário de juros a 15%, a redução da dívida é fator decisivo para proteger o lucro e melhorar o fluxo de caixa. O próximo resultado, previsto para divulgação após o fechamento do mercado no dia 6, será crucial para confirmar se a trajetória de desalavancagem está sendo cumprida.

Preço-alvo de R$ 14 indica potencial de 62%

Recentemente, o Banco do Brasil elevou o preço-alvo da ação de R$ 12 para R$ 14.

Considerando os níveis atuais próximos da faixa de R$ 8 a R$ 9, o potencial estimado pode superar 60% de valorização.

Historicamente:

  • Máxima de 2024: próxima de R$ 15

  • Topo histórico em 2023: acima de R$ 20

Se a companhia consolidar melhora operacional e reduzir a dívida conforme prometido, parte desse movimento pode voltar ao radar do mercado.

Análise técnica: regiões decisivas no curto prazo

No gráfico, ASAI3 ainda opera em tendência de baixa, abaixo das principais médias móveis.

Regiões importantes:

  • Suporte relevante: R$ 8,00 (zona onde compradores defenderam preço)

  • Suporte mais forte: R$ 6,30 (mínima relevante de 2025)

  • Zona de resistência decisiva: entre R$ 8,50 e R$ 9,50

  • Alvo técnico intermediário: R$ 10,76 (potencial de cerca de 24%)

O rompimento consistente da faixa entre R$ 8,50 e R$ 9,50 poderia indicar retomada de força compradora. Caso contrário, o movimento pode continuar lateralizado ou até retomar pressão vendedora.

E a Vale?

Entre os destaques do dia também esteve a Vale, que rompeu o topo das últimas semanas. A região próxima dos R$ 50 vinha sendo apontada como área técnica relevante de defesa. O volume, porém, ainda aparece moderado — fator que pode exigir confirmação adicional para continuidade do movimento.

O que realmente importa para o investidor?

O cenário mistura fatores positivos e riscos:

Pontos favoráveis

  • Redução de alavancagem

  • Crescimento de receita e EBITDA

  • Interesse institucional relevante

  • Inflação convergindo para perto de 4,5%

Riscos

  • Juros ainda em patamar elevado

  • Margens estruturalmente apertadas no varejo

  • Tendência gráfica ainda frágil

Não há como prever se o preço vai subir ou cair no curto prazo. O que os dados permitem é estruturar cenários e avaliar risco-retorno.

Para quem acompanha o setor de varejo, ASAI3 volta ao radar como uma das teses mais interessantes dentro de um ambiente macro ainda desafiador — mas com sinais de estabilização.