Veículo: Folha de Pernambuco
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Data: 26/02/2026

Editoria: L-Founders, Pão de Açúcar
Assuntos:

Ações do Pão de Açúcar caem 8,95% após apontar ‘incerteza sobre continuidade operacional’

Estratégias adiante incluem renegociar contratos, segurar investimentos e se desfazer de imóveis

Rede de supermercados Pão de Açúcar

Rede de supermercados Pão de Açúcar – Divulgação

 

Renegociar contratos com credores, segurar investimentos, se desfazer de imóveis em desuso e até reduzir a variedade de produtos em algumas lojas estão entre as estratégias previstas pelo Grupo Pão de Açúcar ( GPA) para os próximos meses. Em seu balanço anual de 2025, divulgado ontem, a empresa afirmou que há “condições que indicam incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Por volta das 12h30 desta quarta-feira, as ações do GPA despencavam 8,95%, sendo negociadas a R$ 2,85.

O grupo, dono dos supermercados Pão de Açúcar e Extra, encerrou 2025 com prejuízo de R$ 523 milhões no trimestre de outubro a dezembro, uma redução de 29% na comparação com as perdas registradas no mesmo período de 2024. Em todo 2025, a perda acumulada foi de R$ 651 milhões, recuo de 61% frente ao ano anterior.

Ainda assim, o capital circulante líquido da empresa está negativo em R$ 1,22 bilhão, principalmente por empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 que somam R$ 1,7 bilhão. Isso quer dizer que, no curto prazo, o GPA tem mais dívidas a pagar do que recursos disponíveis.

“Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, a companhia continua apurando prejuízo no período. Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, diz nota explicativa sobre os resultados do GPA.

Durante teleconferência dos resultados na manhã de hoje, o CEO do GPA, Alexandre de Jesus Santoro, que assumiu a operação no início de janeiro, lembrou que, no ano passado, a companhia divulgou um plano de melhoria de eficiência, e que as iniciativas devem ser ampliadas.

Entre as medidas previstas para economizar ao menos R$ 415 milhões neste ano, ele destacou que o GPA tem vendido imóveis onde lojas já não estavam mais em operação, e descartou investimentos em expansão e melhorias que não sejam de manutenção da operação.

Cardápio menor

— Tudo que for projeto de tecnologia e expansão não vão acontecer — afirmou o executivo. — Estamos revisando todas as despesas relevantes da companhia,  como prestação de serviços, tecnologia, alugueis. Ou cancelando contratos que não fazem sentido ter ou reduzindo e alterando escopo para torná-los mais aderente a realidade do negócio.

Outra iniciativa tomada pelo GPA para conter despesas, segundo o CEO, é a redução no mix de produtos vendidos nas chamadas lojas de proximidade, como o Minuto Pão de Açúcar e o Mini Extra. Por serem mais compactos, esses minimercados têm estoque reduzido, o que aumenta os custos logísticos, dada a maior frequência de entregas:

— Estamos fazendo alguns testes de revisitar o sortimento das lojas de proximidade, que têm um custo logístico relativamente maior pela pouca capacidade de estoque. É um abastecimento muito fracionado. Em algumas lojas estamos reduzindo substancialmente a quantidade de itens vendidos.

A empresa ainda prevê a venda da participação na FIC, financeira que tem como sócios Itaú, Casas Bahia e Assaí. A operação, segundo a companhia, pode gerar uma receita de R$ 260 milhões.

— Além disso, estamos em processo de negociação de um novo contrato de serviços financeiros nos balcões do GPA, que poderá gerar valor adicional no curto prazo além de uma receita recorrente com potencial superior a estrutura que tínhamos anteriormente — disse Rodrigo Manso, diretor de Relações com Investidores.