Veículo: Estadão Investidor
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Data: 24/02/2026

Editoria: L-Founders, Pão de Açúcar
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Ações do GPA (PCAR3) sobem antes do balanço do 4T25, mas cautela persiste; entenda os motivos

Dívida de quase R$ 3 bi e mudanças no alto escalão aumentaram as incertezas sobre a reestruturação financeira do GPA

Fachada de uma unidade do GPA (PCAR3). Foto: Felipe Rau/Estadão
Fachada de uma unidade do GPA (PCAR3). Foto: Felipe Rau/Estadão

As ações do GPA(PCAR3) , empresa que controla a rede de supermercados do Pão de Açúcar, avançam nesta terça-feira (24), com os investidores à espera da divulgação do balanço financeiro da companhia, referente ao quarto trimestre de 2025. Os números devem ser apresentados ao mercado após o fechamento do pregão. Por volta das 12h14 (de Brasília), os papéis do GPA sobem 2,33%, sendo cotados a R$ 3,08.

O avanço, contudo, reflete mais uma correção técnica do que necessariamente otimismo do mercado em relação aos resultados. Nos últimos cinco dias, as ações do GPA acumularam perdas de 14,25%. A maior depreciação aconteceu na última quinta-feira (9), quando os papéis encerram o dia com um tombo de 9,82%. Em 2026, as perdas chegam a 22%.

O pessimismo reflete o receio dos investidores quanto à qualidade dos resultados e à capacidade da companhia voltar a gerar lucro sustentável. No terceiro trimestre de 2025, o GPA registrou lucro líquido de operações continuadas de R$ 142 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 252 milhões reportado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho, contudo, esteve mais associado a um evento contábil do que a uma melhora estrutural do negócio. Segundo a Genial Investimentos, a companhia registrou um crédito de R$ 415 milhões em IR (Imposto de Renda)/CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).

“O resultado deixa claro que o “earnings power” (poder de geração de lucros) recorrente ainda não acompanha o lucro contábil reportado”, explicou a corretora na época.

dívida líquida encerrou o período em R$ 2,7 bilhões ao final, quase o dobro do valor de mercado da companhia, estimado em R$ 1,47 bilhão. Além disso, o mercado acompanha com cautela as sucessivas mudanças no alto escalão nos últimos meses. Em outubro do ano passado, Marcelo Pimentel renunciou ao cargo de presidente-executivo após três anos na função.

Em janeiro, Rafael Russowsky, que havia substituído interinamente Pimentel, renunciou ao cargo. O Conselho de Administração nomeou Alexandre de Jesus Santoro para assumir o posto e conduzir o processo de reestruturação da empresa e, em fevereiro, elegeu Pedro Albuquerque como CFO da companhia.

Para Flávia Mereiles, analista da Ágora Investimentos, essas mudanças elevam a insegurança dos investidores em relação ao papel.  “O GPA já passa há algum tempo por um processo de turnaroud (plano de reestruturação) com foco em simplificação, corte de despesas e redução da alavancagem. E em meio a tudo isso, mudanças recorrentes no Conselho e no management só adicionam incerteza em meio a um cenário desafiador para o varejo alimentar”, diz a especialista.