Veículo: Valor Econômico
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Data: 28/01/2026

Editoria: L-Founders, Shopee/Shein
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Temu e Shein suspendem vendas após Turquia acabar com isenção para baixos valores

Por Nikkei Asia — Istambul
28/01/2026 00h12 Atualizado há 12 horas

Sucesso dos sites chineses de vendas na Turquia provocou protestos dos empresários locais contra isenção de impostosSucesso dos sites chineses de vendas na Turquia provocou protestos dos empresários locais contra isenção de impostos — Foto: Bloomberg

As plataformas chinesas de comércio eletrônico Shein e Temu suspenderam ou restringiram suas operações na Turquia, antecipando-se à decisão do governo de acabar com o comércio on-line isento de impostos a partir de 6 de fevereiro.

Consumidores turcos perceberam durante o fim de semana que não conseguiam mais comprar produtos do exterior pelo aplicativo e site da Temu, após a notícia de que o escritório da varejista em Istambul foi alvo de uma operação policial na quarta-feira.

A Shein, por sua vez, informou em seu site que estava suspendendo as vendas na Turquia “devido a mudanças recentes nas políticas locais”.

Ancara tem se empenhado cada vez mais em proteger a indústria local nos últimos dois anos, negando a empresas on-line de baixo custo ,como Temu, Shein e AliExpress, o acesso a um mercado estimado em US$ 1,5 bilhão.

Essas plataformas permitem que os consumidores comprem produtos com preços abaixo de 30 euros (US$ 36) de forma fácil e direta de varejistas na China, sem pagar impostos de importação.

O limite de 30 euros já era uma restrição mais rigorosa imposta em agosto de 2024. Antes disso, procedimentos alfandegários simplificados eram permitidos para encomendas com valor inferior a 150 euros.

Também em agosto de 2024, a Turquia aumentou a tributação de 18% para 30% em encomendas provenientes da União Europeia e dobrou essa taxa para 60% para encomendas de países fora da União Europeia.

Em dezembro, a Turquia decidiu abolir completamente o comércio on-line isento de impostos, seguindo as medidas dos Estados Unidos e da União Europeia para acabar com esse tratamento “de minimis” para pequenas encomendas.

Isso significa que, a partir de 6 de fevereiro, qualquer encomenda importada estará sujeita a todos os procedimentos de importação comercial. Os compradores precisarão contratar um despachante aduaneiro, preencher e reunir a documentação necessária e pagar diversos impostos e taxas, incluindo custos de armazenagem, antes de receberem qualquer produto. Isso praticamente acaba com o comércio de pequenas encomendas do qual as plataformas chinesas dependem.

“Importar um produto no valor de 20 euros custaria aos clientes de 200 a 300 euros, o que é proibitivo e praticamente acabaria com os negócios de empresas como a Temu”, disse Murat Tiryaki, despachante aduaneiro, ao “Nikkei Asia”.

A Temu agora oferece apenas estoque local, uma mudança que reduz drasticamente o apelo de um serviço conhecido por seus preços baixíssimos de fornecedores chineses.

A Temu foi alvo de uma “inspeção in loco” por funcionários da Autoridade de Concorrência da Turquia na quarta-feira. Laptops e computadores foram apreendidos, segundo a agência de notícias Reuters, informação negada pela Autoridade de Concorrência.

Não está claro se as suspensões comerciais da Temu e da Shein se tornarão uma retirada permanente da Turquia. A Shein, com sede em Cingapura, foi censurada pela União Europeia por descontos falsos e alegações enganosas, enquanto a Temu foi considerada culpada por Bruxelas por violar leis relacionadas a produtos ilegais vendidos em sua plataforma.

A Trendyol, apoiada pelo Alibaba e que também conta com o SoftBank Group como investidor, é o maior marketplace on-line da Turquia. Mas o modelo de negócios da Trendyol difere do da Temu, pois também vende itens de grande porte e marcas locais. Outras plataformas importantes incluem a Hepsiburada, listada na Nasdaq e controlada pelo grupo fintech cazaque Kaspi.kz, e a Amazon.

Em novembro, parlamentares turcos pressionaram o Ministro do Comércio, Ömer Bolat, sobre a crescente presença da Temu no país.

“Estamos reagindo rapidamente contra os gigantes globais, ouvindo as preocupações e demandas legítimas em relação às importações”, disse Bolat na ocasião.

A Turquia, membro do G20 com 86 milhões de habitantes e uma economia de US$ 1,5 trilhão, registrou um volume de comércio eletrônico de US$ 89,6 bilhões em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

O ex-banqueiro central e economista Ugur Gurses estimou que os gastos locais com cartão de crédito em pequenas compras on-line do exterior totalizaram US$ 1,5 bilhão em 2025.

“Após as medidas governamentais, tanto em termos de processo quanto de custos, as compras on-line baratas não comerciais via encomendas de países como a China se tornarão quase impossíveis”, disse ele. “Este mercado de US$ 1,5 bilhão será preenchido por marketplaces locais fortes e grandes empresas importadoras.”

O crescimento do Temu na Turquia tem sido fenomenal. O acesso mensal à plataforma na Turquia atingiu 29 milhões em julho, um aumento de 314% em relação ao ano anterior, segundo a empresa de pesquisa Gemius.

Em julho, 41% dos usuários do Temu também acessaram o Trendyol, 31% também acessaram o Hepsiburada e 25% também acessaram a Amazon.