A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4TRI25) e quais os balanços de varejo que podem se destacar, segundo análise setorial do banco Santander (SANB11), assinada por Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo? A expectativa é de que o ambiente macroeconômico mais desafiador continue pressionando as tendências de consumo, afetando de forma desigual as companhias listadas.
De acordo com os analistas, o varejo alimentar tende a seguir sob pressão, refletindo a deterioração do poder de compra das famílias, enquanto o segmento de vestuário pode enfrentar uma desaceleração mais evidente da demanda.
Em contrapartida, o varejo farmacêutico deve manter um desempenho mais resiliente, beneficiado por características defensivas do setor e por vetores específicos de crescimento.
Balanços do varejo: veja os segmentos mais favorecidos
No segmento farmacêutico, a projeção é de manutenção de forte crescimento de receita, impulsionado pela resiliência da demanda e pelo avanço das vendas de medicamentos à base de GLP-1. Para a RD Saúde (RADL3), a estimativa aponta para crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS) maduras de 8,1%, com margem EBITDA projetada em 7,1%. Já para a Pague Menos, os analistas esperam a continuidade de um momentum operacional robusto, com SSS de 17,7% e margem EBITDA estimada em 5,6%. O balanço da companhia sai em 3 de março.
Do ponto de vista de rentabilidade, contudo, os analistas esperam pressão de cerca de 2,7 pontos percentuais na margem EBIT, refletindo a estratégia da companhia de seguir reinvestindo para sustentar sua posição de liderança.
Pontos de atenção
No campo dos pontos de atenção, a C&A Modas (CEAB3) aparece como uma das principais preocupações, segundo o relatório do Santander. O documento aponta que um ambiente competitivo mais acirrado, aliado a desafios de execução, pode interromper o forte desempenho observado anteriormente. A empresa de varejo de roupas divulga seus dados do quarto trimestre no dia 24 de fevereiro.
A expectativa é de desaceleração das vendas em mesmas lojas no vestuário para 0,5%, ante crescimento de 8,1% no terceiro trimestre de 2025. Mesmo com projeção de expansão da margem bruta em 87 pontos-base na comparação anual, a retração da receita consolidada tende a reduzir a alavancagem operacional, pressionando a margem EBITDA para 17,1%, queda de 126 pontos-base.
A Vivara (VIVA3) também figura entre os pontos de atenção. Embora a projeção seja de aceleração do crescimento da receita para 17% na comparação anual, os analistas avaliam que esse desempenho pode ter sido sustentado por maior intensidade promocional ao longo do trimestre. Os resultados da Vivara saem em 18 de março.
Esse movimento tende a gerar pressão sobre a margem bruta, estimada em queda de 19 pontos-base, o que pode frustrar o mercado, cujo consenso aponta para uma expansão entre 50 e 100 pontos-base.
“Isso pode decepcionar o mercado, já que o consenso atualmente espera expansão de 50 –100bps da margem bruta. Por outro lado, projetamos expansão de 37 bps a/a da margem EBITDA , diante de maior eficiência em SG&A”, ressalta parte do documento.
De forma geral, o relatório ressalta que a leitura da temporada de resultados do 4TRI25 deve ser feita com cautela. Números mais fracos, já amplamente esperados em alguns segmentos, podem representar um sinal de alerta antecipado para o desempenho das companhias ao longo de 2026, em um contexto de consumo ainda pressionado e maior seletividade por parte dos investidores.