Descobrir produtos, pesquisar preços, checar referências, ouvir opiniões, decidir pela compra, efetuar o pagamento e contar com suporte após a venda. Essa jornada, comum para quem tem o hábito de fazer compras, tende a se transformar consideravelmente diante do avanço da inteligência artificial. E, se depender do Google, deve acontecer de maneira mais integrada e concentrada em uma única plataforma.
Destaque do primeiro dia da programação da Retail’s Big Show, principal conferência de varejo do mundo promovida pela National Retail Federation (NRF), Sundar Pichai, CEO do Google, subiu ao palco neste domingo, 11, para apresentar as novas ferramentas de IA que a big tech está oferecendo aos varejistas, principalmente o Universe Commerce Protocol (UCP).
O novo padrão foi elaborado pela empresa com apoio de mais de 20 grandes redes de varejo internacional, sendo as principais delas a Target, Shopify, Etsy, Wayfair e Walmart, e consiste na unificação de toda a experiência de compra, da busca ao checkout, na mesma plataforma. A ideia é que as companhias adotem um sistema com linguagem unificada, a fim de reduzir distorções e, ao mesmo tempo, impulsionar as negociações digitais.
“O UCP é aberto, agnóstico e construído junto com parceiros. Imagine pesquisar, por exemplo, por uma mala no Gemini. Ele mostrará as opções, oferecerá um preço especial se você for um novo cliente daquela marca, permitirá o cadastro no programa de fidelidade e, também, a finalização da compra com o Google Pay. Tudo sem sair da mesma conversa, na plataforma de IA”, exemplificou Pichai.
O chamado ‘checkout nativo’, ou seja, a conclusão da compra, começará a ser disponibilizado nas plataformas do Google em breve, tanto pelo modo IA do buscador quanto no aplicativo Gemini.
Na apresentação, o CEO do Google ressaltou como a inteligência artificial alterou a forma pela qual as pessoas buscam por produtos e serviços e como, a partir disso, as empresas vem procurando evoluir para simplificar os processos e atender aos consumidores de forma mais personalizada e ágil.
“As jornadas deixaram de ser baseadas em palavras-chave e filtros chatos para se tornarem conversas naturais. Você descreve o que quer, com detalhes, com a suas manias, e a IA faz o trabalho”, relatou o executivo, pontuando como os agentes e as novas ferramentas de compras tendem a criar um processo de e-commerce bem mais simplificado e, ao mesmo tempo, personalizado para os consumidores e para os varejistas.
Agentes de compras e inovação
Além do UCP, o Google também apresentou outras ferramentas que serão oferecidas para as empresas de varejo. Por enquanto, as soluções estão direcionadas ao mercado dos Estados Unidos, mas a ideia, segundo a companhia, é ampliar a escala para outros locais em breve.
Uma delas pretende avançar no aprofundamento das conversas automatizadas entre empresas e marcas. O Business Agent pretende funcionar como uma espécie de ‘vendedor virtual’, que pode responder diretamente aos questionamentos dos consumidores, via online, usando a linguagem da marca, em uma conversação natural.
Os varejistas dos Estados Unidos já podem encontrar a solução a partir desta semana no Merchant Center, do próprio Google, e iniciar o trabalho de treinamento dos agentes com base em seus dados. A funcionalidade vem sendo testada por empresas como Rebook, Anker, Lowe’s e outras.
Ainda na ferramenta da IA, os varejistas também poderão direcionar ofertas específicas – e em tempo real – para aqueles consumidores que já demonstraram interesse ao pesquisar por determinado produto, mas que ainda não efetuaram a conversão. A proposta é que os descontos das chamadas “Ofertas Diretas” cheguem a 20% e a funcionalidade está conectada à plataforma Google Ads.