
Expansão de agências e hubs regionais reduz dependência dos Correios, encurta prazos e pressiona vendedores por maior profissionalização
O plataforma Mercado Livre intensificou ao longo de 2025 a expansão de sua rede de agências de envios dedicadas e de pontos logísticos conveniados, em um movimento que pretende redesenhar o fluxo de entregas do varejo digital no Brasil. A estratégia prevê a migração gradual de vendedores com CNPJ ativo e emissão regular de notas fiscais dos Correios para a malha logística do próprio marketplace.
O objetivo é ampliar o controle operacional, reduzir prazos e elevar a eficiência da operação. A iniciativa faz parte do processo contínuo de verticalização logística da companhia, que hoje mantém uma das maiores infraestruturas privadas do comércio eletrônico no país.
Nos últimos anos, o Mercado Livre ampliou sua presença com centros de distribuição, hubs regionais e pontos de despacho, acelerando entregas em mercados estratégicos e reduzindo gargalos históricos do setor.
Para Hugo Vasconcelos, sócio-fundador da VDV Group, o avanço da rede própria sinaliza uma mudança estrutural na logística do e-commerce.“O marketplace passa a ter mais controle sobre prazos, qualidade do serviço e previsibilidade das entregas. Ao priorizar agências próprias e parceiros regionais, a empresa reduz falhas operacionais e cria um ambiente mais estável para quem vende”, afirma.
Expansão fora do Sudeste
A ampliação da infraestrutura logística tem sido direcionada principalmente ao Nordeste, Sul e Centro-Oeste, regiões consideradas estratégicas para equilibrar a cobertura nacional. Um dos marcos recentes foi a inauguração de um novo centro de distribuição na Bahia, que consolidou o Nordeste como polo logístico e tem potencial de gerar mais de 6 mil empregos diretos e indiretos, segundo a empresa.
Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam que os custos logísticos podem representar até 30% do valor final de um pedido no e-commerce brasileiro — percentual que tende a ser ainda maior fora dos grandes centros urbanos. Nesse cenário, a expansão de uma rede própria e regionalizada surge como resposta à pressão por prazos mais curtos e maior previsibilidade nas entregas.
Pressão por profissionalização
A nova dinâmica logística também exige ajustes por parte dos lojistas. Apenas vendedores com CNPJ regularizado e sistemas de emissão fiscal configurados conseguem acessar as modalidades mais avançadas de envio. Na prática, isso acelera a profissionalização das operações dentro da plataforma.
“Quem ainda atua de forma informal tende a perder competitividade. A logística passou a ser um critério central de desempenho”, diz Vasconcelos.
Levantamentos do Sebrae apontam a logística como um dos principais entraves ao crescimento de pequenos negócios em marketplaces, ao lado da gestão financeira e da organização operacional. A redução de prazos e a padronização dos envios tendem a favorecer vendedores com maior escala e planejamento.
Impacto para o consumidor
Do ponto de vista do consumidor, o principal efeito esperado é a ampliação das entregas rápidas. O Mercado Livre informa que uma parcela relevante dos pedidos no Brasil já é entregue em até 48 horas, especialmente nas regiões atendidas por centros de distribuição e hubs urbanos. A expectativa é que esse percentual avance à medida que a rede própria se consolide fora do eixo Sudeste.
Para os vendedores, especialistas recomendam atenção à regularização fiscal, à revisão dos custos de envio e ao posicionamento de estoque de acordo com a nova malha logística.
“A logística deixou de ser apenas um suporte da venda. Ela passou a influenciar visibilidade, conversão e a sustentabilidade das operações dentro do marketplace”, conclui Vasconcelos.
Com investimentos concentrados em regiões estratégicas e na ampliação da rede de envios, o movimento do Mercado Livre reforça uma tendência clara do varejo digital brasileiro: a disputa por mercado passa cada vez mais pela eficiência logística, e não apenas por preço ou volume de anúncios.