Veículo: E-Commerce Brasil
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Data: 08/01/2026

Editoria: Amazon, L-Founders
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IA da Amazon gera incômodo em varejistas independentes nos EUA

A Amazon enfrenta críticas de varejistas online após incluir produtos de terceiros em seu marketplace sem autorização explícita, por meio de novos recursos baseados em inteligência artificial. A controvérsia envolve o Shop Direct e o Buy for Me (“Comprar para mim”), ferramentas em fase de testes nos Estados Unidos que permitem aos consumidores navegar e comprar itens de sites de outras marcas diretamente pela plataforma da Amazon.

Fachada de vidro com o logotipo da Amazon refletindo o céu azul.
Imagem gerada por IA.

Anunciado em fevereiro, o Shop Direct foi apresentado como uma forma de ampliar a oferta aos clientes, permitindo encontrar produtos que não estão disponíveis no site da companhia. Parte das listagens traz um botão que aciona um agente de IA capaz de concluir a compra em nome do consumidor em lojas externas. A iniciativa se soma à estratégia da Amazon de ampliar o peso de vendedores independentes, que hoje respondem por mais de 60% das vendas em sua operação de varejo.

Nas últimas semanas, no entanto, varejistas passaram a relatar que seus produtos foram listados sem consentimento. Postagens em redes sociais indicam casos de anúncios com itens inexistentes no portfólio das marcas ou fora de estoque. A Hitchcock Paper, papelaria da Virgínia, afirmou ter descoberto a inclusão ao receber pedidos de um produto antiestresse que não comercializa, originados de um e-mail identificado como “buyforme.amazon”.

Relatos semelhantes vieram de Angie Chua, CEO da Bobo Design Studio, que vende artigos de papelaria por meio de sua loja no Shopify, além de manter um site próprio e uma loja física na Califórnia. Segundo ela, pedidos começaram a chegar pelo serviço “Comprar para Mim” sem que a empresa tivesse optado por participar do programa. Após seguir orientações disponíveis nas perguntas frequentes da Amazon, Chua solicitou a remoção das listagens, que ocorreu em poucos dias, mas disse à CNBC que a experiência gerou a sensação de ter sido “explorada”. Para a executiva, a prática forçou marcas a atuarem como dropshippers em uma plataforma da qual decidiram não fazer parte.

De acordo com Chua, mais de 180 empresas que utilizam plataformas como Shopify, Squarespace, WooCommerce e Wix foram afetadas, e algumas relataram posteriormente que também tiveram seus produtos listados na Amazon sem permissão.

Em nota, um porta-voz da Amazon afirmou que o Shop Direct e o Buy for Me ajudam clientes a encontrar produtos fora do site, ao mesmo tempo em que permitem às empresas alcançar novos consumidores e ampliar vendas. A companhia disse que os programas receberam feedback positivo e que as marcas podem optar por não participar a qualquer momento, solicitando a remoção por e-mail. Segundo a empresa, as informações de produtos e preços são obtidas a partir de dados públicos dos sites das marcas, e o sistema verifica estoque e valores antes de exibir as ofertas.

A Amazon reforçou que o “Comprar para Mim” segue como um experimento e que não há cobrança de comissão quando a ferramenta é utilizada. Em novembro, a companhia informou que o número de produtos disponíveis pelo serviço passou de 65 mil no lançamento para mais de 500 mil.

O movimento está inserido na estratégia mais ampla da Amazon de investir em agentes de comércio eletrônico, tecnologia que promete alterar a forma como consumidores compram online. Empresas como OpenAI e Google também desenvolvem soluções semelhantes. A Perplexity, por exemplo, lançou funcionalidades que permitem compras diretamente em sua interface de chatbot.

Ao mesmo tempo, a Amazon tem adotado uma postura mais restritiva em relação a agentes de terceiros. A empresa bloqueou o acesso de diversos deles ao seu site e, em novembro, entrou com um processo contra a Perplexity, alegando que a startup teria ocultado seus agentes para continuar extraindo dados da plataforma sem autorização. A Perplexity classificou a ação como uma tática de intimidação.

Em 2024, a Amazon lançou seu próprio chatbot de compras, o Rufus, ampliando sua aposta em ferramentas de IA voltadas à experiência de compra e ao relacionamento com o consumidor.