08/01/2026 15h01 • Atualizado 2 horas atrás
Ativos mencionados na matéria

O começo de 2026 tem sido conturbado para as ações da C&A (CEAB3), que acumulam queda de mais de 15% com as sinalizações da varejista de que as vendas nas mesmas lojas (SSS) ficariam perto do zero no quarto trimestre de 2025 (4T25). Apenas na segunda-feira (5), os papéis caíram 15,71%.
Agora, em relatório sobre o setor, os analistas do Bradesco BBI destacaram uma possível fonte de pressão para a Renner (LREN3) – e que também envolve a C&A e o cenário competitivo das varejistas.
Os analistas ressaltam que, após um período de ajustes internos (como desalavancagem e/ou racionalização das operações), os varejistas de vestuário — como C&A, Guararapes (GUAR3) e a própria Renner — planejam acelerar seus planos de expansão em 2026, após anos de acréscimos limitados em metros quadrados.
O foco é em shoppings, que representam cerca de 85% da base atual dessas redes, concentrada no Sudeste.
O estudo realizado pelo Bradesco BBI aponta espaço para aproximadamente 170 novas lojas em shoppings para C&A e Riachuelo, sinalizando maior competição nos mercados-chave da Renner.
As ações da companhia passaram por período prolongado de fraca performance diante de questionamentos sobre o ritmo de crescimento, riscos tarifários e a força do real
“Embora esta ainda mantenha vantagem competitiva, mais da metade das potenciais aberturas deve ocorrer em regiões onde a companhia já atua, o que pode pressionar a produtividade das lojas legadas e reduzir a qualidade das novas localizações”, avalia o banco.
De qualquer forma, apesar da volatilidade no curto prazo para vendas de mesmas lojas (SSS), o BBI vê as três companhias com estrutura financeira adequada para retomar a expansão física, historicamente um motor relevante para crescimento no varejo tradicional.
Sob a ótica da adição de área em shoppings, destacam perspectivas mais favoráveis para C&A e Guararapes no médio e longo prazo, reforçando a visão construtiva para ambas.
Já para a Renner, tem maior cautela. O banco aponta que o crescimento marginal tende a depender mais de ganhos de produtividade, dado o risco de sobreposição e menor atratividade das novas praças, avalia.
Renner ficando para trás?
O BBI aponta que a Renner prevê abrir 140-170 novas lojas da marca até 2030, enquanto a Riachuelo vê espaço para 150-200 novas lojas no longo prazo. A C&A pretende acelerar sua expansão para 10-15 lojas em 2026, após reformas.
Com base nesses números, o banco calculou o potencial de expansão de cada empresa considerando os shoppings onde ainda não estão presentes, mas que já têm pelo menos um concorrente.
Renner tem 85 shoppings disponíveis para abertura, significativamente menos que C&A e Riachuelo, que têm espaço para 170 novas lojas cada. Por região, a expansão da Renner está concentrada no Sudeste, com 35 novas lojas (40% do total), e Norte+Nordeste, com 33 lojas potenciais (40% do seu mercado endereçável). C&A e Riachuelo têm perfis similares, com espaço para 79 e 88 novas lojas no Sudeste (45% e 50% do mercado, respectivamente) e 44 e 37 lojas no Sul (25%-20%).
“Importante lembrar que nossa metodologia considera como potencial de expansão os shoppings onde a empresa ainda não está, mas que têm concorrentes, o que não implica necessariamente oportunidades diretas, pois os shoppings restantes podem não se alinhar ao perfil do cliente-alvo ou não ter espaço físico para novas lojas”, reforça a análise.
A Renner tem uma presença mais forte em ‘oceano azul’, com 24% das lojas em shoppings sem C&A ou Riachuelo, contra 14% da C&A e 10% da Riachuelo.
“Contudo, com a aceleração dos planos de expansão dos concorrentes para 2026, C&A e Riachuelo provavelmente mirarão esses shoppings ainda não explorados, aumentando a pressão sobre a Renner”, avalia a equipe de análise do banco.
Além disso, mais da metade das potenciais aberturas da C&A e Riachuelo se sobrepõem a shoppings onde só a Renner está presente, reforçando a expectativa de aumento da competição. “Assim, acreditamos que o portfólio de lojas legadas da Renner, antes com baixa concorrência, enfrentará desafios, elevando o risco de queda na produtividade de vendas por metro quadrado”, aponta.
Confira as recomendações do Bradesco BBI para GUAR3, CEAB3 e LREN3: