Inaugurado em 1979, o BH Shopping, primeiro ativo da Multiplan, passa por uma reconfiguração societária quase cinco décadas após a fundação do grupo
Clayton Freitas
Multiplan/Reprodução
Operação de R$ 285 milhões envolve o BH Shopping e reforça a estratégia de geração de valor e redução da alavancagem da Multiplan
A Multiplan comunicou ao mercado que firmou um memorando de entendimento para vender uma fatia de 10% do BH Shopping, em Belo Horizonte, em uma operação avaliada em R$ 285 milhões. O negócio está sendo costurado com o Vinci Shopping Centers – Fundo de Investimento Imobiliário, que tem atuação em 25 centros de compras em 13 estados do país.
O BH Shopping, aberto em 1979, é emblemático para a Multiplan, já que foi o primeiro ativo a ser construído pela empresa fundada em 1975 por José Isaac Peres, atual presidente do conselho de administração do grupo.
Segundo o comunicado, o pagamento pelos 10% do BH Shopping será feito em quatro etapas: R$ 138,7 milhões no fechamento do negócio, duas parcelas de R$ 69,4 milhões após 12 e 18 meses, e uma última de R$ 7,5 milhões 24 meses depois da inauguração da sexta expansão do empreendimento. As parcelas futuras serão corrigidas pelo IPCA.
Uma das maiores controladoras de shoppings do país, a Multiplan tem 20 grandes centros de compras em seu portfólio. Do total, em apenas sete deles a empresa detém 100% de participação, situação em que se encontra, além do BH, o Village Mall, shopping de luxo em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, e o BarraShoppingSul, em Porto Alegre, um dos maiores da capital gaúcha.
Em São Paulo, a Multiplan tem participação majoritária nos shoppings Vila Olímpia e Morumbi Shopping.
No comunicado ao mercado, a Vinci ressalta o tom emblemático do ativo, dizendo que a aquisição de uma participação no BH Shopping representa o acesso a um ativo de “alta qualidade, com fundamentos consistentes, governança reconhecida e exposição direta a um mercado consumidor maduro e resiliente.”
“Trata-se de um empreendimento escasso, difícil de ser replicado, que combina previsibilidade de resultados com potencial de valorização no longo prazo”, diz um trecho do comunicado.
Análise do mercado
Para o Santander, a transação é bem-vinda e reforça a disciplina de alocação de capital da companhia. O banco calcula que o negócio embute uma taxa de capitalização (cap rate) de 7,5%, abaixo do cap rate implícito de 11,6% ao qual as ações da Multiplan são negociadas, o que indica geração de valor para os acionistas.
Além de destravar valor, a venda ajuda no processo de desalavancagem. Segundo o Santander, a relação dívida líquida/Ebitda projetada para o fim de 2026 deve cair de 2,0x para 1,9x com a entrada dos recursos.
O banco também interpreta a operação como mais uma evidência do apetite dos FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) por ativos dominantes, bem localizados e operados por grupos reconhecidos.
Apesar do tom positivo, o Santander pondera que o setor de shopping centers segue sensível ao ambiente macroeconômico. Entre os riscos monitorados estão uma eventual alta adicional da Selic, que pressiona as despesas financeiras, e o avanço do desemprego, com impacto direto sobre o consumo, as vendas do varejo e os níveis de vacância.
A operação ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para ser concluída.
Desempenho do ativo
Com seus 46 anos de existência, o BH Shopping continua sendo um dos principais ativos do portfólio da Multiplan. É o terceiro maior em desempenho de vendas da companhia, com R$ 40,1 mil por metro quadrado. Em aluguel também ocupa a terceira posição no grupo, com R$ 4.212 por metro quadrado.
Segundo a companhia, as obras em andamento para a abertura de novas lojas no primeiro semestre de 2026 têm potencial para projetos futuros de uso misto em uma área de 240 mil metros quadrados.